mônica nador – perfil

reportagem para o programa Edição Extra da TV Gazeta

IMAGINE MORAR DENTRO DE UMA PINTURA? PODE PARECER FICÇÃO, MAS MÔNICA NADOR, ARTISTA PLÁSTICA FORMADA PELA FAAP, VIVE DENTRO DE SUA PRÓPRIA OBRA.  INSATISFEITA COM O CIRCUITO COMERCIAL, MONICA DECIDIU LEVAR ARTE ÀQUELES QUE NÃO COSTUMAM FREQUENTAR MUSEUS E GALERIAS.

cuide de você – sophie calle

Eu sou super adepta ao mundo virtual, mas não dispenso um contato ao vivo. Essa história de carta ou e-mail de amor é algo que não funciona bem, acho. Não tem cheiro, não tem textura, não tem som. Ok, ok, a carta tem textura e pode ser perfumada, e o e-mail pode ter som. Em suma: cartas ou e-mails não dispensam o contato pessoal. O olho no olho. Especialmente quando se trata em terminar relacionamentos. Bem, todo mundo já falou sobre  Sophie Calle e sua “107 respostas” ao amante que terminou o caso com ela por e-mail. Para não ser mais um comentário sobre assunto, segue abaixo um vídeo com o tal e-mail narrado por mim e ilustrado com imagens da exposição.

É arte: as fotografias. São muito bem produzidas e bonitas.

É fato: a exposição é um tanto desconfortável. Como exige que você leia o tempo todo, faltam bancos para se acomodar e curtir a leitura.

:: Cuide de você: Sesc Pompeia Rua Clélia, 93, Pompeia, (11) 3871-7700. Terça a sábado, 10h às 21h; domingo e feriados, 10h às 20h. Grátis. Até 7 de setembro.

PS – Mudei fiz de novo o off e mudei a trilha.

O negócio da arte

[Reportagem para revista Esquinas #45. Veja também o PDF]

Um quadro na parede pode custar altas cifras que podem até ser disputadas em leilões

Exposição do acervo do MAC Foto: Karina Sérgio Gomes

Exposição do acervo do MAC Foto: Karina Sérgio Gomes

Reportagem: André Marchezano (2º ano de Jornalismo), Julia Alquerés e Karina Sérgio Gomes (4º ano de jornalismo)

US$ 1,4 milhão. Esse foi o valor alcançado pelo quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral, a maior quantia já paga pela obra de um artista brasileiro. Se muitos acreditam que o valor de uma obra de arte é inestimável, o mercado mostra que há quem esteja disposto a pagar milhões por ela. O fenômeno nacional mais recente é a artista plástica Beatriz Milhazes, cujo quadro O Mágico alcançou a quantia de US$ 1,049 milhão, adquirido pelo mesmo colecionador que comprou Abaporu, o argentino Eduardo Constantini.

De acordo com o segurador Guilherme Tadeu Olivetti, depois desse leilão as obras de Milhazes valorizaram muito. “Tem cliente meu que comprou uma peça dela há três anos por 70 mil e hoje está valendo meio milhão”, exemplifica. O valor das obras também varia de acordo com a fase de produção do artista. No caso de Vik Muniz, segundo o leiloeiro James Lisboa, “as fases ligadas a diamantes, chocolates, são as mais procuradas porque são as mais criativas”. No leilão de arte feito no dia 24 de março deste ano pelo Escritório de Arte, a foto Team, do artista, teve o lance mínimo de R$ 180 mil reais.

No prelo - As formas de avaliar o trabalho de um artista variam. Na Galeria Vermelho, por exemplo, em caso de artistas novos, o custo de produção é multiplicado por três. “O primeiro paga a obra que foi feita; o segundo é por causa da carreira, ele precisa ter dinheiro pra fazer novas obras. E o terceiro preço é porque ele precisa sobreviver”, explica Akio Aoki, representante de vendas internacionais da Vermelho. No caso de artistas mais reconhecidos, avalia-se o currículo da obra e do artista. Os leilões avaliam as obras também desta maneira, com uma peculiaridade: o preço das obras é abaixo do valor do mercado. “Isso acontece pra poder criar a liquidez, ou seja, para que haja uma disputa, um confronto de valores para chegar no preço real de fato”, esclarece Lisboa.

Ele comenta ainda a vantagem que os leilões têm frente às galerias. “Na galeria você espera acontecer. No leilão as vendas acontecem numa noite, é mais dinâmico, não pode durar mais que uma sessão de cinema, que é quanto uma pessoa agüenta”, explica o leiloeiro. Segundo ele, 70% do que é posto em pregão é vendido. Afirma, no entanto, que as maiores negociações são feitas entre os próprios colecionadores.

As pinturas a óleo são as mais valorizadas e os artistas do modernismo brasileiro são os mais procurados. “Os mais caros são os que a gente chama pintura dos nossos avôs, Tarsila e Portinari principalmente”, diz Lisboa. Estes são também os artistas preferidos pelos ladrões. No último dia 10 de maio deste ano, foram roubadas da casa de Ilde Maksoud as telas O Cangaceiro e Retrato de Maria, ambas de Cândido Portinari, e Figura em Azul, de Tarsila do Amaral – avaliadas em cerca de R$ 3,5 milhões. No ano passado, foi a vez da Estação Pinacoteca. Os ladrões, em plena luz do dia, levaram um quadro de Lasar Segall, outro de Di Cavalcanti e duas gravuras de Picasso, que juntos valiam cerca de R$ 1 milhão. Outro caso famoso foi o roubo das obras O Lavrador de Café, de Portinari, e Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso, do Masp (Museu de Arte de São Paulo) em 2007. O museu não contava com seguro nem sistema de segurança equipado com alarmes e sensores.

A sete chaves - O seguro de obra de arte é como qualquer outro. A diferença é que às vezes o valor da coleção fica tão alto que o próprio segurado desiste do negócio. A coleção mais valiosa que a empresa de seguros Chub cobriu foi avaliada em R$ 300 milhões. O segurador Guilherme Olivetti explica que o valor foi aumentando tanto, por conta de novas aquisições, que o segurado desistiu do negócio. No caso da artista plástica Tomie Ohtake, que solicitou o seguro de suas obras, foi a Chub que não quis segurar. “Imagina a gente falar: Tomie Ohtake, o seu quadro não vale isso. Na época a gente sugeriu o seguinte, eu faço o seguro, quanto você vai gastar pra repor a tela, a tinta, a moldura. Esse custo eu reponho, se pegar fogo. Mas o valor da peça era muito complicado”,  conta Olivetti.

“O seguro varia entre 0,3% a 1,5% do valor total da coleção”, diz o segurador. Para avaliar as peças, a empresa envia um profissional que fotografa e especifica os detalhes, como tamanho e técnica, das obras. Depois o colecionador é encarregado de levar essa documentação a um especialista que determinará o valor das peças. A partir desse orçamento, a quantia do seguro é calculada. Atualmente a Chub só faz seguro de coleções particulares, já que o número de museus que procuram as seguradoras é muito baixo e o risco, muito alto.

No MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo), no entanto, as obras são seguradas. “Se a obra sofrer algum risco, como um roubo ou um vandalismo, por exemplo, a seguradora indeniza”, diz Paulo Roberto Amaral Barbosa, diretor do acervo do museu. “Mas pra nós não é interessante nem pensar nisso. Se você risca ou estraga uma obra, ela não é nem mais aquela obra”, observa.

Há todo um cuidado com o acervo. O empréstimo de peças, por exemplo, para outras instituições, seja fora ou dentro do país, segue um procedimento rigoroso. “As nossas obras quando saem daqui passam por um processo de aclimatação de 48 horas numa caixa de transporte, que é especializada pra isso”, explica Paulo Roberto. O preço dessas caixas varia de R$ 15 mil a R$ 18 mil. Segundo o diretor, é preciso analisar a temperatura do local onde a obra será exposta, pois variações climáticas podem causar danos nas peças. “Toda obra que sai do museu precisa ficar embalada num ambiente estabilizado em vinte e dois graus”, informa.

Quando é solicitado o empréstimo de uma peça, quem arca com todos os custos é o interessado. Inclusive o serviço do courrier – pessoa do museu encarregada de acompanhar a obra até ser exposta e depois o seu retorno. “Uma vez na parede, em caso de quadros, a obra é de responsabilidade do pessoal da casa e o courrier volta pra cá. Quando a exposição é encerrada, ele volta pra buscar a obra”, explica Paulo Roberto.

NA PONTA DO LÁPIS - Cada mostra, organizada pelo MAC, não sai por menos de R$ 120 mil. “Nossa verba mensal é da ordem de R$ 400 mil pra pagar tudo o que se possa imaginar”, afirma. “Uma vantagem que temos sobre os outros museus é que pelo menos a mão de obra, que somos nós, é paga pelo Estado. Museus ou instituições particulares vivem na corda bamba porque sempre tem custos a pagar”, observa. Para o curador do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo), Felipe Chaimovich, o maior auxílio, por parte do Estado, vem da Lei Rouanet. “A gente vai atrás de patrocinadores para adquirir as obras. Os patrocinadores usam o recurso de abatimento de imposto garantido pela Lei Rouanet”, explica.

A ajuda do Governo também foi importante para que o artista Marcius Galan conseguisse expor uma obra no exterior. “Talvez, sem incentivo do governo, do Ministério da Cultura, eu não conseguiria ter ido pra Houston fazer meu trabalho lá”, conta Galan. O auxílio governamental consistia no pagamento da passagem para Houston, mediante a apresentação de um projeto, em que o artista expunha a importância de sua obra, da mostra que iria participar e do museu onde aconteceria a exposição.

Galan ainda não vive só de arte. “Eu trabalho como designer. Faço um monte de coisa. Porque pra mim é muito mais cômodo não depender só do mercado de arte”, conta o artista. “É algo que seria ótimo, mas eu não tento lutar pra que isso aconteça. Seria depender de algo que é instável. Eu fico mais seguro tendo os outros projetos”. No começo da carreira, a permuta era a forma de vender suas obras. “Eu trocava trabalho meu por molduras”, exemplifica.

Hoje o trabalho de Galan ultrapassa o limite das molduras. “Arte vai mudando e o mercado acaba absorvendo as coisas”, aponta. Algumas de suas obras são instalações  que se relacionam com a arquitetura. Um exemplo é Seção diagonal, que está em negociação com Museum of Fine Arts, de Houston.  Nesses casos de site specific, quem compra não leva o trabalho para casa, como um quadro, e sim o projeto. “Qualquer pessoa pode fazer aquele trabalho em qualquer lugar. São os trabalhos pouco convencionais que fazem a coleção ter uma força”, afirma.

Quem representa Marcius Galan, em São Paulo, é a galeria Luisa Strina. “A galeria tem o papel fundamental de inserção do artista no mercado”, diz. Akio Aoki, representante de vendas internacionais da Vermelho, concorda: “uma instituição que procura um jovem artista precisa de um filtro e o primeiro filtro é a galeria”. Quando a obra é comprada, normalmente, o valor da venda é dividido igualmente entre os dois. O preço, no caso de Galan, é determinado por um consenso entre ele e a galerista. “Faço uma lista com os preços que eu acho justos baseados nos trabalhos antigos e a Luísa fala se tá caro, se tá barato”, conta o artista.

Os valores negociados no mundo da arte podem causar espanto, mas como reza o velho ditado: “olhar não custa nada”. A entrada em galerias e em alguns museus, como o MAC, é franca. Outros, como o Masp e o MAM, tem pelo menos um dia na semana em que não é cobrado o ingresso.

tudo que você queria saber sobre esse blog, mas nunca teve coragem de perguntar

1.  Muitos querem saber quem eu sou, imagino. Pois a quantidade de pessoas que chegam até aqui porque digitaram meu nome no google, não é brincadeira (média de dois por dia. Eu acho um número bem considerável). Respondendo: sou uma jovem jornalista, ponto. Simples assim. E, por favor, se você chegou até aqui porque digitou meu nomezinho, deixe um comentário. Prometo que respondo! =)

2.  Esse blog contém comentários sobre o meu cotidiano cultural, alguns até muito pessoais (afinal, isso é um blog). É um ótimo espaço para discussão. Adoro trocar ideias. Mas ninguém é obrigado a gostar de tudo. Se eu gostasse de tudo que vejo, provavelmente, estaria com problemas.

3. Eu leio, ouço música, vejo  exposições, filmes e teatro muito mais do que posto aqui. Mas não tenho tempo de escrever sobre tuuudo. Mas eu tô me organizando para um dia conseguir.

4. Isso aqui não é banco de relatório de atividade complementar. Todo dia alguém entra aqui porque está procurando resumo de exposições, de livros ou filmes. Gente, passeios culturais fazem bem, viu?

5. Esse blog não é sobre o Zorro. Só escrevi sobre e herói uma única vez aqui. Porém, todos os dias, mais de três pessoas acessam essa página porque digitaram Zorro em sites de busca. Fica a dica: façam um site sobre o herói e com certeza terão audiência.

6. Eu não sou parente do jornalista Sérgio Gomes, nem do Sérgio K. Minha família inteira é composta por anônimos. E eu adoro também ser só mais uma na multidão.

Algo mais?

BEIJOSCOMTEM!

cascavel

Quando a gente está começando, é comum seguirmos modelos e elegermos mestres. Eu tive (ainda tenho, vai?) uma incrível. A Gabriela, de quem fui assistente por dois anos, me ensinou muuuito de edição, texto, pauta. Acredito que até mais do que aprendi na faculdade. Na época até ouvi zunzunzuns na redação de que eu era uma Gabrielinha (o que me orgulhava muito). Se isso acontece no jornalismo, acredito que em artes é mais comum ainda.

Flora Assumpção e Renato Pera são assistentes de duas grandes artistas plásticas, respectivamente, Ana Maria Tavares e Regina Silveira (essa, meus queridos três leitores, imagino que já conheçam bem). A dupla está com uma instalação no Ateliê Oço, um espaço (não sei se posso chamar de alternativo) onde jovens artistas se encontram para fazer e discutir arte.

Assim como a obra de suas “mestras” (não sei se eles as consideram assim), o trabalho desses jovens artistas é coerente e de grande apreensão estética. Renato certa vez me disse que seu trabalho, tal como o de Regina, tem um quê de publicitário. Causa um primeiro impacto, depois um deslumbre, aí, aos poucos, você entende a mensagem. Outro elemento em comum é a relação com a arquitetura: modificam a poética do lugar. (Artista adora essa palavra, poética. Eu prefiro dizer que a presença da obra no ambiente traz um outro significado para o local.) Essas são duas características que aparecem em Cascavel, de Flora e Renato. A instalação dá ao Ateliê Oço um clima um tanto assustador. Ali, não é mais apenas o espaço onde  artistas se reúnem, agora é  o covil de uma cobra, que se arrasta pela escada, se enrola na parede e vai se aninhar… bem, você vai ter de ir até lá para conferir.

É arte: conhecer e acompanhar o trabalho desses jovens e bons artistas. E existir esses espaços em que eles possam expor o que estão fazendo.

É fato: eu sou uma péssima cinegrafista. Não recomendo, para quem tem labirintite e todos os outros ites, ver o vídeo acima. Mas olha, sou uma editora de vídeo bem mais ou menos. Essa foi a primeira vez que mexi no imove. Me aguardem nos próximos.

:: Cascavel: Ateliê Oço,  Praça Carlos Gomes, 117, bem próximo do Metrô Liberdade.

enquanto o sol não vem

O ruim de ser seu próprio chefe é não saber quando lhe dar folga. Eu ainda não sei fazer isso muito bem, sou uma chefe muito carrasca comigo mesma. Quase nunca me permito não-trabalhar. Mas hoje, depois de uma entrevista, decidi que me daria duas horas de descanso e iria ao cinema. O filme Enquanto o sol não vem foi indicação do Hugo, e sem saber direito a sinopse entrei na sala escura para viver a vida daquelas personagens. Maior não foi o meu espanto quando notei que, pelo papel de Agnes Jaoui, que também é diretora da comédia, eu estava vivendo minha própria vida (ou o que imagino que será de mim).

Agathe Villanova é uma feminista de destaque na França, sonha em conquistar um lugar de destaque no cenário político do país, e colocou a vida profissional na frente da pessoal. Por conta do enterro de sua mãe, Agathe volta sua cidade natal onde passará dez dia com a sua irmã Florence (Pascale Arbillot), o cunhado, os sobrinhos e Mimouna (Mimouna Hadji), empregada da família. A presença da feminista desperta o interesse Karim (Jamel Debbouze), aspirante a editor e  filho de Mimouna, e de seu amigo Michel Ronsard (Jean-Pierre Bacri). Eles a convidam para participar de uma série de filmes sobre mulheres bem-sucedidas. Essas últimas duas últimas personagens mais Agathe formam o núcleo central da trama. Mas eu não consegui me desprender do papel de Jaoui.

Agathe é daquelas mulheres fortes, defende direitos iguais entre homens e mulheres, nunca chora e se dedica com afinco em sua carreira. Isso, pra mim, é muito familiar. (Vale lembrar que eu não sou feminista. Acredito na importância dos homens no mundo – quem mataria baratas e consertaria o chuveiro?? Brincadeira, brincadeira.) No entanto, ser assim tem seu preço. Seu namorado a acompanha na viagem, mas cansado de ser deixado lado devido aos seus compromissos profissionais, ele termina o relacionamento. Agathe se mantém firme e prossegue em seus compromissos – sendo a gravação do tal documentário o mais importante. E num daqueles dias em que nada parece dar certo, Ronsard diz a ela: “mulheres também choram”. Isso parece ser o start para que ela tome consciência de que também é humana.

É arte: todas as outras histórias paralelas que acontecem e eu não dei devido destaque.

É fato: fiquei com vontade de assistir aos outros filmes de  Agnes Jaoui, pois dizem que todos seguem a mesma linha.

:: Enquanto o sol não vem: França, 2008. Direção: Agnes Jaoui. Comédia-dramática. 110 min.

por um mussum day diferente

Hoje faz 15 anos que o trapalhão, um vídeo do programa Radiola, que monstra uma imagem diferente da que conhecemos do trapalhão, mas já com espírito de comediante.

É arte: os sambas dos Originais do Samba. Aquilo sim era samba de verdade.

É fato: o Antônio Carlos, vulgo Mussum, era o trapalhão mais simpático. Cacildis!

train song – feist

No último post, eu confessei minha vocação para ser personagem. Nas últimas 24h, vivo, quase sem parar, uma música. Estava procurando pelo clipe da música Willie, de Cat Power, quando apareceu nos vídeos relacionados: Train Song, com a Feist – cantora canadense que eu amo amo amo amo amo amo – e Ben Gibbard – não faço ideia de quem seja. A música me pegou pela mão, me fez embarcar numa viagem para o norte para encontrar alguém que não conheço, e eu não consigo pular em nenhuma outra estação para seguir outra viagem. Praticamente um ciclo vicioso. Sigo decorando todas as curvas e paisagens. “Travelling north, travelling north to find you…”

É arte: a iniciativa de Aaron e Bryce Dessner de produzir esse super disco: Dark was the night, para ajudar na arrecadação de fundos na luta contra a AIDS. O álbum foi lançado em fevereiro desse ano e traz 31 músicas cantadas por vários artistas, como Bon Iver, Cat Power, Arcade Fire, Yeasayer, Iron & Wine, Beirut e Yo La Tengo.

É fato: Train song foi gravada pela primeira em 1966 por Vashti Bunyan. Uma versão muito boa, também.

som & fúria

Algumas pessoas dizem que tenho personalidade forte. Mentira. Tudo Mentira. Minha personalidade é fraca. Muito fraca. Deixo de viver a minha vida para viver a de outros. Do meu objeto de estudo, de personagens de cinema, de livros. No começo do ano tive a certeza de que fui Alice. Quantas vezes não revivi Amélie Poulain, para entender que os prazeres estão nas pequenas coisas, nos pequenos toques. Meursault vive ao meu lado para, toda vez que entro em crise, eu lembrar que só existo, ponto. Agora, durante doze dias, eu vivi uma história de amor que não era minha. Ok, minha paixão pelo teatro é real, muito real. Mas eu me apaixonei como a Elen (Andréa Beltrão) pelo Dante (Felipe Camargo) (e vive-versa). Eu vivi aquele amor cheio de teatro e fúria. E quando não podia vê-los, eu recorria ao youtube. Gosto muito da cena em que os dois estão acertando as contas e a Elen diz:

– Sabe que eu penso nisso todos os dias: em desistir. Aí, chega de dor de barriga antes da estreia, chega de pesadelo à noite inteira achando que eu vou esquecer o texto todo, chega de ensaiar até de madrugada, chega de críticas horrorosas falando mal de mim, e eu tendo de explicar para minha mãe. Eu penso, eu penso nisso toda hora.

– Mas você não parou, diz Dante. Por quê? Assim, eu não tô te incentivando.

– Porque eu não sei fazer outra coisa. Se eu parar de fazer teatro eu vou morrer de fome.

– Bonito isso. Fazer teatro pra não morrer de fome.

– É bonito mesmo. Eu gosto. Quando a peça é boa. Quando a platéia tá gostando, tá prestando atenção. Ah, é bonito.

– E você gosta das críticas boas, dos fãs boquiabertos.

– Gosto, gosto. Eu gosto de que as pessoas às vezes gostem de mim. Eu sou vaidosa. Mas às vezes eu fico pensando como é que seria a minha vida se eu soubesse fazer pãezinhos e bolinhos.

Eu também penso muito em desistir. Aí chega de ter dor de barriga antes de entregar um texto pro editor. Chega de ficar aflita quando vejo a edição pronta e acho erros. Chega de ficar até tarde escrevendo uma reportagem. Chega de depois ouvir as críticas sobre o que fiz e da minha auto-punição: isso podia ter ficado melhor. Mas eu não sei fazer outra coisa senão ser jornalista. E eu gosto quando a pauta boa, quando eu posso apurar até não querer mais, quando posso rescrever muitas vezes o texto. Quando eu me envolvo em projetos grandes. E gosto quando as pessoas que eu respeito acham que o que eu fiz ficou bom. Mas às vezes eu fico pensando se eu tivesse levado o teatro a sério, ou tivesse ouvido o conselho do meu pai e feito publicidade, não seria mais feliz? Porque cozinhar é uma coisa que eu não sei e nem pretendo saber.

Talvez a minha real vocação seja ser personagem. Eu me deixo levar, eu me deixo envolver. E quando acaba eu fico assim: triste. Como se eu tivesse rompido um casamento sólido, feliz. Como se um amigo tivesse morrido e eu não pudesse vê-lo mais. Quando eu vejo, leio ou escuto algo que gosto, é como se eu deixasse de existir. Minha vida se torna aquilo: a música, o teatro, o filme, o livro, a minissérie, o tcc. É assim, como o verso do Bandeira: “A vida inteira que podia ter sido e que não foi.”

Bem, agora chegou a vez de viver novamente a vida de Joseph K. Pelo menos uma letra temos em comum.

Som & Fúria, Elen e Dante, já estou com saudades. Até o dia que sair a caixa com os DVDs.

você já me esqueceu

Fernanda Takai

ou Roberto Carlos

????

Eu gosto do arranjo da Fernanda Takai, mas gosto do drama da interpretação do Roberto Carlos. Dá pra juntar os dois num só?