Esse é um post-lembrança. Pois já saiu de cartaz a exposição sobre Mario Cravo Neto, que estava no Instituto Tomie Ohtake. Fotografia e esse blog são meus hobbies favoritos (você já visitou meu flickr?). E como “fotógrafa”, meu olhar para fotos é um tanto diferenciado. Claro que primeiro vem o impacto, a emoção, mas depois faço uma observação mais detalhada para entender como o fotógrafo chegou àquele resultado. Qual lente será que ele usou? Quanto de exposição? Usou flash? Pelo que observei das fotografias de Mario Cravo Neto, ele deixa o tempo correr. As cores eram registradas cada uma ao seu tempo, deixando as intensas e bem contrastadas — mesmo no caso das p&b: ele consegue variações de cinza, branco e preto incríveis. Cravo Neto parecia fotografar da mesma forma que Caravaggio pintava. Suas fotos tem uma iluminação barroca, uma atmosfera pesada. Como disse uma senhora que passava: há também uma certa tristeza, um drama.
É arte: poder ver os objetos e cenário que Mario Cravo Neto usava em suas fotografias.
É fato: suas intalações e esculturas são bem inexpressivas perto de suas fotos. Mas ficavam uma maravilha nas fotografias.
:: Mario Cravo Neto: Inst. Tomie Ohtake, Rua dos Coropés, s/n. Tel.: 2245 1937. 6 novembro 2009 a 17 janeiro 2010. Terça a domingo, das 11 às 20 horas. Entrada gratuita
Eu tenho muitas dúvidas sobre grafite, especialmente sobre essa institucionalização da arte urbana. O que eu acho legal da ação dos grafiteiros é a capacidade de surpreender. Como o grafiteiro Zezão com suas “nuvens” azuis que saem de tampas de bueiros ou aparecem flutuando por paredes imundas. Tela pintada com spray, pra mim, não é grafite, é pintura. E essa história de artista plástico formado na FAAP, Belas Artes serem grafiteiros, é outra lorota, ao meu ver. É um artista que grafita, não um grafiteiro. Mas essas são questões que ainda tenho de refletir mais.
A mostra sobre grafite no Masp, De dentro pra for/De fora pra dentro, contudo, tem lá o seu valor. A curadoria foi muito perspicaz ao criar um ambiente urbano para alguns desses artistas criarem suas obras. Os seis artistas/grafiteiros são da galeria Choque Cultural, especializada em grafite. No entanto, não consigo considerar a tudo ali arte urbana. Stephan Doitschinoff, por exemplo, fez uma instalação belíssima, mas aquilo tá longe de ser grafite. E a tal perfomance que ele fez em Lençóis foi muito interessante, mas nada muito diferente do que Mônica Nador vem fazendo com o JAMAC, e com um cunho muito mais social.
Eu temo por esses artistas. Seus trabalhos nas galerias perderem o tal elemento surpresa que tinham nas ruas. Temo por eles ficarem estereotipados demais, como estão ficando os desenhos de Osgemeos. Temo por esses caras se tornarem um Romero Britto da vida. (Bem, se isso acontecer, eles ficarão bem ricos pelo menos.) Temo por seus trabalhos se tornarem “SAMO shit”, como diria Jean-Michel Basquiat.
É arte: o ensaio fotográfico da montagem da mostra.
É fato: na verdade, eu acho um tanto injusto pagar 15 reais para ver algo que deveria estar pelas ruas da cidade.
:: De dentro pra for/De fora pra dentro: Masp – Av. Paulista, 1578 – São Paulo – SP. Tel.: 11 – 3251-5644. 3a./dom. 11h/18h e 5a. 11h/20h. Até 05 de fevereiro. R$ 15/R$7
Hoje, 10/01, é o último dia para visitar a exposição Ocupação Palatnik, no Itaú Cultural. A mostra é pequena porém precisa. Para quem não conhece o artista é uma excelente oportunidade. No início, há um vídeo de Palatnik contanto um pouco de sua história: um pintor que deixou a tintas e passou a pintar com luzes e engrenagens. A primeira vez que vi uma obra do artista foi em 2002, também no Itaú Cultural. Na época, com 15 anos, lembro de ter pensado: “Ele é um Miró com movimento”. Oito anos depois, quando vi novamente o trabalho do artista a mesma frase me veio a cabeça – mesmo em suas obras estáticas. As telas da série Progressão, um de seus trabalhos mais recente, me lembram os movimentos das cordas do piano – um silêncio musical. A mostra também traz um aparelho Cinecromático, objetos da série Mobilidade, dois Objetos cinéticos entre outros.
É arte: para realizar suas obras o artista utiliza muita matemática e outros conhecimentos de mecânica adquiridos em cursos que fez em Telaviv, nas escolas Herzlla e Montefiori, esta última de especialização em motores de explosão. No entanto, toda ciência exata utilizada para criar desaparece quando se vê a obra pronta. Fica apenas o deslumbre.
É fato: seu aparteliê, como ele chama o apartamento onde vive e trabalha, lembra um quartinho de bagunça. Fica difícil imaginar como o artista se encontra naquele lugar. Mas pensando bem, seu trabalho também é um pouco assim: apesar do rigor técnico, seus objetos causam uma bagunça nos nossos sentidos. Assim como o ambiente onde Palatnik vive.
:: Ocupação Palatnik Itaú Cultural – Avenida Paulista 149 - Paraíso - São Paulo SP [próximo à estação Brigadeiro do metrô]. Tel.: 11 2168 1777. 3a./ 6a. 10h/21h, sáb./dom. 10h/19h. Grátis.
Hoje a TV Cultura exibiu um programa Ensaio com Herivelto Martins, gravado em 1990. Nele, o compositor e cantor conta a história de algumas de suas composições. Cabelos brancos, por exemplo, ele fez depois que ouviu algumas mulheres comentando sobre Dalva. Na época o casal estava passando por alguns desentendimentos, e ele não estava a fim de ouvir falar da esposa. A letra diz:
Não falem desta mulher perto de mim
Não falem pra não lembrar minha dor
Já fui moço, já gozei a mocidade
Se me lembro dela me dá saudade
Por ela vivo aos trancos e barrancos
Respeitem ao menos os meus cabelos
BrancosNinguém viveu a vida que eu vivi
Ninguém sofreu na vida o que eu sofri
As lágrimas sentidas
Os meus sorrisos francos
Refletem-se hoje em dia
Nos meus cabelos brancos
E agora em homenagem ao meu fim
Não falem desta mulher perto de mim
A cantora é mencionada em histórias de composições de outras letras, como em um de seus sucessos, Atiraste uma pedra, que fez em parceria com o cobra criada, David Nasser:
Atiraste uma pedra no peito de quem só te fez tanto bem
E quebraste um telhado, perdeste um abrigo
Feriste um amigo
Conseguiste magoar quem das mágoas te livrouAtiraste uma pedra com as mãos que essa boca
Tantas vezes beijou
Quebraste um telhado
Que nas noites de frio te servia de abrigo
Perdeste um amigo que os teus erros não viu
E o teu pranto enxugouMas acima de tudo atiraste uma pedra
Turvando esta água
Esta água que um dia, por estranha ironia
Tua sede matou
Atiraste uma pedra no peito de quem
Só te fez tanto bem
Uma das partes mais bonitas do programa é quando ele canta com o filho Pery Ribeiro (vídeo acima). Aliás, que bom que Herivelto tinha a Dalva, porque ele como cantor é bem fraquinho. Grande Otelo chegou a dizer que a cantora era o gravador do marido.
E para encerrar esse post, achei um vídeo em que o compositor aparece cantando e dançando a música Adeus, Mangueira (dele e de Grande Otelo) no filme É de chuá, de Victor Lima, 1958. Nessa época o Trio de Ouro era composto por Herivelto Martins, Raul Sampaio e Lourdes Bittencourt.
O clichê é válido: foi bom enquanto durou. No começo, eu não gostava muito dos musicais – como diria minha amiga Gabriela, não estava me convencendo. Acho que pelo fato de Adriana Esteves não ser cantora, a atriz não conseguia dublar muito bem a voz de Dalva nas canções. Mas nos últimos dois capítulos, meu amigo, ela mandou muito bem. Aliás, deu para perceber um avanço nos dois, Fábio Assunção também teve uma considerável melhora. Fábio e Adriana se transformaram de verdade em Dalva e Herivelto. Pena que quando isso aconteceu a minissérie já estava no fim. Eu não tenho mais o que comentar. Já disse que visualmente a minissérie é de encher os olhos, que a autora fez um puta trabalho jornalístico para escrevê-la, e que Dennis Carvalho conduziu muito bem. Sobre a trilha, nem tenho o que falar, apesar de já ter comentado.
Sobre o período histórico, fiquei muito impressionada com o fato de, em meados das décadas de 40 e 50, muitas pessoas terem apoiado Dalva de Oliveira após a separação de Herivelto Martins. Achei que a sociedade fosse mais machista. Gostei muito também de ter podido conhecer mais as músicas dessa época. Continuo não gostando muito, mas ouví-las de mandeira mais atenta foi interessante. Dennis Carvalho disse numa entrevista que Dalva era um tango, pois era muito passional. E esse, pra mim, é melhor ritmo interpretado pela cantora – foi o único álbum dela que eu consegui ouvir inteiro pelo menos.
Sem fumar, espero ansiosa pela caixa de DVD com muitos extras. “Fumando espero / aquele a quem mais quero”…
Eu já estou em crise de abstinência. Faltando apenas um capítulo para acabar a minissérie eu já estou como muitas músicas de Dalva e Herivelto: na fossa! Brincadeira. Mas eu estou me abastecendo de canções da dupla para sanar a saudade que começa brotar. E descobri que há muitos cantores mais recentes que cantaram/cantam sucessos do casal. Há no site da Rádio Cultura uma seleção muito boa:
- Distância – Nina Becker
- Atiraste uma pedra – Doces Bárbaros
- Nada além / Estrela do mar – Maria Bethânia
- Olhos verdes – Gal Costa
- Izaura – João Gilberto e Miúcha
- Errei, sim – Paula Toller
- Segredo – Ney Matogrosso
- Caminhemos – Ná Ozzetti
- Meu rádio, meu mulato – Zélia Duncan
- Bom dia – Elza Soares
- Pensando em ti – Wilson Simonal
- Vaidosa – Germano Mathias
- Nega manhosa – Zeca Pagodinho
- Praça Onze – Zezé Motta, Pery Ribeiro e Elizeth Cardoso
- Kalu – Chico Buarque
Dessa playlist, a grande revelação é Distância, interpretada por Nina Becker. Música de autoria de Marino Pinto e Mário Rossi, foi gravada por Dalva no início da década de 1950, quando a cantora estava em uma turnê pela Europa e gravou essa e outras canções com a orquestra de Roberto Inglez, que estão no CD Dalva de Oliveira com Orquestra de Roberto Inglez, de 1955. A interpretação de Nina me agrada mais do que a de Dalva, porque é mais doce, romântica. A de Dalva é mais tensa, dramática. Mas o arranjo orquestral de Roberto Inglez está 100 anos luz a frente de qualquer versão.
Não tem no youtube uma versão com Dalva de Oliveira, e tenho apenas o áudio, que ainda não consigo colocar aqui para vocês. Alguém me ensina? Todos os meus player pararam de funcionar. #humpf!
Mais uma vez a produção da rede globo dá um show de caracterização. E muito diferente de Maysa, não há excesso de sentimentalismo. E não venha com a conversinha de que Maysa era mais intensa. Já deu para notar que tanto Dalva como Herivelto foram duas pessoas de personalidades muito fortes e intensas em seus sentimentos. A diferença entre as duas minisséries está condução dos fatos. Mas não falemos mais disso, vou acabar puxando o saco de Dennis Carvalho e M. A. Amaral.
Eu não conheço muito da música dos anos 40. Na verdade, não gosto dessas músicas de fossa, mas adoro os sambinhas! E que raiva eu sinto de não ter vivido na época para frequentar o Cassino da Urca, aquele lugar parecia ser demais! =) Essa nostalgia boba do tempo que não vivi sempre acontece quando vejo essas produções de época. Tudo parece tão mais bonito. Mas a culpa disso é da direção de arte. Figurinos, cenários, iluminação que enchem os nossos olhos e nos deixam encantados – alguém reparou nas cores frias e quentes: frias para o presente e quentes para o passado? LINDO! E para completar a Adriana Esteves e o Fábio Assunção estão muito bem. Aguardo ansiosa pelos próximos capítulos.
Enquanto escrevia esse post procurei por vídeos da época que mostrassem Dalva e Herivelto cantando e só achei alguns mais “recentes” que seguem:
Sou uma jornalista agora formada. Mas não quero usar o jornalismo para falar de política, dos problemas da cidade, de economia e pioro de futebol. Quero usar o jornalismo para trabalhar com o que eu acredito, independentemente do formato (TV, impresso, web, rádio…), e eu acredito na arte. Depois de ler uma entrevista da minha dramaturga favorita, Maria Adelaide Amaral, entendi que há muitas formas de exercer o jornalismo – até mesmo com a dramaturgia. Ela, assim como eu, é jornalista e casperiana. E tenho certeza que utiliza muito do que aprendeu no jornalismo em suas minisséries e peças de teatro. Pra falar a verdade, acredito que esses seus trabalhos são bons exemplos do exercício da profissão.
Segunda-feira, 04 de janeiro, estréia, na Globo, Dalva & Herivelto – uma canção de amor, seu mais recente trabalho. “Mas a delícia é justamente este desafio, de mergulhar na alma e na intimidade dessas criaturas”, declarou M. A. Amaral na entrevista que li. “Li e pesquisei muito, e conversei com as pessoas da família e outras que conheceram bastante a vida dos dois. Depois, priorizei os momentos mais importantes da vida deles. [...] A minissérie não se baseia em nenhum livro. Ela se baseia em todas as entrevistas, as intensas consultas aos jornais e revistas da época (que forneceram material para inúmeras cenas de brigas do casal, inclusive). Ao longo da pesquisa foram lidos vários livros: o do Pery, do Jonas Vieira, do João Elísio Fonseca e a biografia de Grande Otelo escrita por Sérgio Cabral”, conta mais adiante na mesma entrevista. Agora me respondam, isso não é jornalismo puro?
Demorou, mas depois do meu tcc e de quatro anos de faculdade, eu entendi que não se faz jornalismo apenas em jornais, revistas, web, tevê ou rádio. Eu poderia utilizar o jornalismo para organizar uma exposição, por exemplo. O jornalista é aquele que tem o tato para conseguir informações e editá-las de forma coerente para passar a mensagem ao público. E por isso eu acredito que as minisséries de M.A. Amaral são belos exemplos de um bom trabalho jornalístico.
Estou ansiosa para ver Dalva & Herivelto, que contará a história de dois ícones da história do rádio e da música nacional, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Infelizmente serão apenas cinco capítulos. Mas é assim mesmo, o que é bom dura pouco, já o bbb dura meses.
2009, apesar do TCC, foi um ano bem cheio de música, literatura, cinema, teatro e principalmente artes plásticas. Não consegui contabilizar quantas exposições visitei, mas foram muitas, muitas mesmo! Infelizmente não foi possível obter o mesmo número com as outras categorias, mas foi o suficiente para eu realizar OS MELHORES DE 2009 do artefato.k!
Vamos dividir em Prêmio Cavalete e Prêmio Cavalete RS, para não ser injusta.
Visitei muitas exposições boas nesse ano: Albers, Walker Evans, Cartie-Bresson, Sérgio Romagnolo, Leda Catunda, Matisse, Léger, Rumos, Um mundo sem molduras, Ocupação Palatnik, A invenção de um mundo, Virada Russa, Sophie Calle, Anna Bella Gingier, Vik Muniz, Jean Dubuffet, Franz Weissmann, Bob Rauschenberg, Mario Cravo Neto, Goeldi, Amilcar de Castro e muitas outras. Não consegui comentar sobre todas aqui e o prêmio vai para uma “não-comentada”, mas que me emocionou muito.
O prêmio Cavalete vai para… Virada Russa, no CCBB-SP!
Eu tenho verdadeiro fascínio pela Russia – literatura, cinema, artes visuais. A mostra em si trouxe algumas coisas que eu não gostei muito, como os cartazes expostos no cofre. Mas a sala com obras de Malevich e o quadro O passeio, de Chagall valiam a exposição. Foi emocionante ver os três ícones sagrados malevichiano: Quadrado Preto, Circulo Preto e Cruz Preta. Esses trabalhos têm uma aura incrível. As formas pretas pareciam estar envoltas de um gás, como se flutuasse numa névoa branca acizentada. DIVINO! E o Chagall é sem comentários. Um verdadeiro contas de fadas – o que eu adoro!
O prêmio Prêmio RS vai para … Passeio Selvagem!
Nesse ano, acompanhei muitos trabalhos da artista. Vi duas exposições individuais Linha de Sombra e O olho e o lugar (Regina Silveira para criança), a instalação Mundus Admirabilis no Sesc-Santana, a intervenção urbana Passeio Selvagem, e muitas outras mostras coletivas em que havia obras dela expostas. Eu deveria dar o prêmio para Linha de Sombra, que sintetiza boa parte do trabalho de Regina Silveira. Mas o que eu mais gostei, de tudo o que vi dela nesse ano, foi da intervenção Passeio Selvagem. Regina projetou na selva urbana pegadas de bichos, transformando esse ambiente selvagem em que caminhamos, às vezes, civilizadamente.
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Cinema
Nesse ano, eu fiquei muito mais no DVD do que fui ao cinema. Gente, cinema é muito caro! Até alugar filmes na locadora tá virando um luxo (R$ 8 o aluguel, absurdo!). Eu realmente tive muitas dúvidas para escolher o melhor filme a que assisti em 2009. No cinema eu vi O leitor, Coraline, Se eu fosse você 2, Marley & Eu, Cildo, Quem quer ser um milionário?, O Casamento de Rachel, Enquanto o sol não vem, Insolação, A obra de arte, Tempos de Paz e Avatar. Ai que difícil escolher!!! Vamos dividir em categorias? OBA, vamos!
O prêmio Super-8, na categoria Brasileiro, vai para… Se eu fosse você 2!
Eu achei Insolação lindíssimo, praticamente uma peça de Felipe Hirsch na telona. Tempos de Paz é delicadíssimo, Tony Ramos e Dan Stulbach dão um show de interpretação. Mas eu me diverti demais com Se eu fosse você 2. Falem bem, falem mal, eu adorei e foi o melhor filme brasileiro que eu assisti em 2009.
O prêmio Super-8, na categoria Documentário, vai para… Cildo!
São raras as iniciativas de filmes sobre artes plásticas, mas em 2009 eu tive privilégio de ver dois, Cildo e A obra de arte. Cildo é daqueles filmes que falam de arte mas não são pretensiosos. Alguns dizem por aí que artes visuais, em especial arte contemporânea, não são para todos os públicos, mas esse documentário consegue ser.
O prêmio Super-8, na categoria Estrangeiro, vai para… Enquanto o sol não vem!
Você quer ver um drama, uma comédia ou um romance? Tudo isso tem no filme de Agnes Jaoui, e costurado com grande delicadeza.
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Literatura
Minhas leituras esse ano ficaram restritas a biografias, livros sobre arte e obrigatórias da faculdade. De lançamento de 2009 li apenas 3: Leite Derramado, o romance de Chico Buarque; XXI Poetas de hoje em dia(nte), uma coletânea de poemas de jovens poetas, dentre eles os da minha amiga Julia Alquéres; e Um a menos, do poeta Heitor Ferraz Mello. Logo…
O prêmio Cabeceira, na categoria romance, vai para… Leite Derramado!
O meu livro favorito do Chico continua sendo Budapeste, mas Leite Derramado não é nada mal. O autor foi beber na fonte de Machado de Assis, e construiu uma personagem com muito de Brás Cubas e Dom Casmurro. Eulálio é uma mistura desses dois ícones machadianos, que Chico contou com toda delicadeza e sensibilidade que já conhecemos de suas músicas.
O prêmio Cabeceira, na categoria poesia, vai para… Um a menos!
Uma vez vi o Heitor esbravejar com duas alunas que atrapalhavam a leitura de um poema de Drummond: “Drummond é minha religião!”, disse furioso e colocou as meninas para fora da classe. E na orelha desse pequeno (em tamanho) livro, Heitor declara a influência em sua obra desse poeta e do meu favorito, Manuel Bandeira. No conjunto Dias Assim, a presença do São Sebastião do Modernismo, como diria O. de Andrade, é evidente. Bem, como já disse por aqui, poesia não é o meu forte, mas os poemas contidos em Um a menos podem ser lido como um diarinho do poeta, que consegue transformar um rápido passeio, nos arredores de sua casa, em poesia.
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Música
Apesar de eu estar sempre ouvindo música, essa é a categoria em que eu menos escrevo. Eu também vou muito pouco a shows. Pedi uma ajudinha para o Charlie, para escolher qual foi o melhor álbum que ouvi em 2009. Cores, de Rogério Rochliz; Luz Negra, de Fernanda Takai; Far, de Regina Spektor; Adriana Partimpim 2, de Adriana Calcanhotto; Quiet Nights, de Diana Krall; Peixes, Pássaros, Pessoas, Mariana Aydar; Ray guns are not just the future, The Bird and The Bee; e Maria Gadú, de Maria Gadú. Vou também dividir entre brasileiro e estrangeiro.
O prêmio Vitrola, na categoria música brasileira, vai para… Peixes, Pássaros, Pessoas!
Foi difícil escolher, mas a diversidade de ritmos do álbum Peixes, Pássaros e Pessoas, de Mariana Aydar, venceu! A cantora passa pelo xote, samba e baladinhas de mpb com muito desprendimento e musicalidade. Destaques para as músicas Tá?, Florindo e Palavras não falam. É um dos álbuns obrigatórios, não só de 2009, mas também de 2010.
O prêmio Vitrola, na categoria música estrangeira, vai para… Quiet Nights!
Em 2007, Diana Krall fez um show no Parque Villa-Lobos no dia do meu aniversário, e eu fui e passei mal (de calor). Mas tirando isso, o show foi incrível. Ela cantando The Look of Love foi de arrepiar. Seu novo álbum é cheio de bossa, tanto que a cantora se arriscou em cantar em português a canção Este seu olhar, que ficou muito graciosa. Mas, pra mim, a melhor faixa é Walk on by.
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Teatro & Dança
Depois das artes plásticas, o teatro e a dança são minhas atividades artísticas favoritas! Devido ao TCC eu também vi poucos espetáculos, mas os que eu vi foram realmente bons, e eu diria mais: muito bons, verdadeiros espetáculos. No tablado vi Não Sobre Amor e Avenida Dropsie, na retrospectiva da Sutil Cia de Teatro, Calígula, Um ato sem palavras, A última gravação Krapp, Turismo ao infinito, de um grupo de teatro português; e Viver sem tempos mortos; e de dança, Dolores, de Mimulus Cia. de Dança e Breu e 7 ou 8 peças para um ballet, do Grupo Corpo. E vamos dividir também em duas categorias: Teatro e Dança.
O prêmio Proscênio, na categoria Teatro, vai para… Viver sem tempos mortos!
A Fernanda Montenegro é, como diria Miguel Falabella, um espetáculo. Não é à toa que a atriz é considerada a primeira dama do teatro brasileiro. Viver sem tempos mortos é assim: uma luz, uma cadeira, Fernandona, o texto de Simone de Beauvoir e muita emoção. Monólogos costumam ser chatos, mas Fernanda conseguiu envolver a platéia na história dessa pensadora francesa. A entrega da atriz é tão grande para contar a vida daquela personagem que você fica rendido e acaba se entregando também.
O prêmio Proscênio, na categoria Dança, vai para… Dolores!
Com o Grupo Corpo eu entendi que a dança é a materialização da música. Realmente os dois espetáculos que vi – 7 ou 8 peças para um ballet e Breu – são incríveis, mas Dolores mexeu mais com a emoção. Talvez porque a dança de salão seja mais envolvente e Almodóvar seja mais… caliente? O grupo, também mineiro, Mimulus conseguiu produzir um espetáculo visualmente lindo, musicalmente envolvente e ainda teatral.
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E para você, quais foram os melhores de 2009?
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Que venha 2010 com muito passeios culturais para todos nós!













