fotojornalismo: informação e arte

•06/07/2009 • Deixe um comentário

[edição extra de 06 de julho de 2009]

O fotógrafo Cristiano Mascaro, o editor de fotografia d’O Estado de S. Paulo, Eduardo Nicolau, e o pessoal da Cia de Foto falam sobre fotografia, jornalismo, arte e o uso do photoshop. 

[ps: ainda estou de licença tcc.]

aviso

•03/07/2009 • 1 Comentário

Devido ao tcc, esse blog ficará um tempo (talvez dias, talvez semanas, talvez meses. Acredito que não ultrapasse anos) sem atualizações.

Desculpe meus três queridos leitores. É por motivo de causa-Regina-Silveira-maior.

Inté!

PS. Quem quiser pode seguir minhas neuroses tccísticas no twitter: @ksergiogomes

a última gravação de krapp e um ato sem palavras 1

•14/06/2009 • Deixe um comentário

a última gravação de krapp

Alô, alô! Planeta Terra chamando, planeta Terra chamando! Essa é mais uma edição do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do mundo da lua…

09_mhg_rshow_britto

Para quem tem mais ou menos a minha idade, a fala acima é muito próxima, chega a ser nostálgica. Especialmente para alguém que teve seu primeiro gravador gradiente, e hoje, como jornalista, o gravador é um dos objetos mais importantes (junto com uma caneta bic preta e bloquinho de anotações).

Talvez por toda essas circunstâncias, a história de Krapp tenha me tocado. Claro que as minhas memórias com o gravador nada têm a ver com a história da personagem de Beckett. Krap é um homem só. Completamente só. E agora, velho, só tem suas gravações para lhe fazer companhia. Seu único diálogo é consigo, com seu passado. Tal afastamento e reclusão ganham ainda mais força com o cenário de Fernando Melo da Costa. Uma tenda isola o artista do palco e o afasta ainda mais do público. Não restando dúvidas que Krapp está só. Reouvindo suas memórias.

um ato sem palavras 1umatosemplavra1_crédito-foto-GugaMelgar

Uma luz ofusca a visão. Uma luz forte assim como eu imagino que seja a luz do deserto. Sérgio Brito vive no palco aquilo que foi meu pesadelo durante anos. A impossibilidade de pegar uma garrafa d’água que está muito perto. Esse ato sem palavras chega a ser muito mais expressivo do que o monólogo anterior. E me faltam palavras para explicar o quão forte é.

É arte: a vigoridade de Sérgio Britto. O ator tem 85 anos, mas você só lembra disso no fim do espetáculo quando ele se mostra visivelmente esgotado.

É fato: essa foi a primeira peça de Beckett que vi. Agora eu entendi porque eu nunca consegui ler suas peças, e nunca foi por falta de tentar.

:: A Última Gravação de Krapp e Ato sem Palavras 1, de Samuel Beckett. Drireção: Isabel Cavalcanti. Com Sérgio Britto. Sesc Santana:   Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana – Norte. Tel. 2971-8700. R$ 5 a R$ 20 .

rilke shake

•31/05/2009 • 2 Comentários

rilke-shake-gdeImagino que um livro de poemas é como um álbum de músicas: impossível de gostar de todos que estão lá dentro, mas se você gostar de cinco ou três (dependendo da quantidade) já valeu a pena.

Semana passada chegou às minhas mãos, por intermédio do meu professor-chefe,  o livro Rilkel Shake, de Angélica de Freitas. Quando ele leu o poema Família Vende Tudo para Julia e para mim, pensando em colocá-lo na próxima edição de Esquinas,  eu me identifiquei na hora.

Os versos de Angélica são bem-humorados, e arrisco dizer que são na verdade historinhas. Anedotas em forma de poemas

É arte: o projeto  gráfico. Parece um moleskine, o que dá uma intimidade aos poemas. É como se você estivesse lendo anotações que Angélica escreveu só para ela.

É fato: só escrevi um poema, que considero ok, na vida. Mas esses dias, acho que me deixei influenciar pelos poemas da Ju e pela leitura de Rilkel Shake, e tentei uns versos. É, não dá mais. Hoje minha poesia é imagem.

:: Rilke shake: Angélica de Freitas. Cosac Naify. Brasil, 2009. 72 págs. R$ 28.

xxi poetas de hoje em dia(nte)

•24/05/2009 • 3 Comentários

capa_divulgacaoPoesia não é muito meu forte. Mas no passado já gostei muito – exceto das que falavam de amor. Quem me fez gostar de poesia foi Manuel Bandeira com sua Poética, a qual decorei, declamei e tatuaria o verso “não quero mais saber do lirismo que não é libertação”.

Mas deixando o meu eu-lírico de lado, venho falar do eu-lírico da minha companheira de trabalho Ju Alquéres, cujo lado poeta atende pelo nome de Julia Almeida (piada interna). Dia 23 foi o lançamento da antologia XXI Poetas de hoje em dia(nte), na qual há alguns poemas da Ju – os mais interessantes diga-se de passagem.

Os poemas de Julia Almeida são como uma tatuagem: doem, rasgam, marcam e no fim, quando você acaba de ler, nota como é bonito. Julia gosta do tema dor, apesar de odiar senti-la. Por isso seus poemas tocam, tatuam. Porque ela machuca/tatua a folha de papel branco com as palavras diminuir aquela que é inevitável.

É fato: na dedicatória que Ju escreveu para mim, ela disse: “K., muito obrigada por ter vindo. É  bom ter você por peto. Espero que goste dos poemas e entre nesse mundo novo, um pouquinho diferente das artes plásticas!”. Será mesmo diferente? Olha só como esse poema da Ju é arte:

Esteia

Apota-dor
a agulha afiada espirra aquarelas
em meus glóbolos brancos

Dentrode mim
xilogravuras japonesas
pois eu sou de carne e madeira.

:: XXI Poetas de hoje em dia(nte): Aline Gallina e Priscila Lopes (org). Letras Contemporanea. Brasil, 2009. 157 págs.R$ 29.

quem quer ser um milionário?

•17/05/2009 • 4 Comentários

Independentemente do que muitos disseram: eu gostei. Não achei incrível para ter recebido a quantidade de Oscars que recebeu, mas… coisas da academia.

Coisa minha: é bom, às vezes, ver uma favela que não seja a nossa no cinema. Outra coisa: é impossível não lembrar do filme Cidade Deus, o qual o diretor do filme indiano assume a influência. Criança, favelas, galinha, um mocinho que se encaminha para “bem” e o outro para “mal” etc. Enfim, um filme redondo, com começo, meio e fim, que não cansa e te prende. Eu até diria que é bem honesto, quanto a proposta.

É arte: jay ho. Né que a música entra nos ouvidos e dá A vontade de dançar? O pior: eu não canso de ouvir.

É fato: eu sabia que a Índia era um país pobre, mas eu não imaginava o quanto. As imagens das favelas indianas são impressionantes.

:: Quem quer ser um milionário? EUA/Inglaterra, 2008. Direção: Danny Boyle. Drama. 120 min.

sp-arte 2009

•16/05/2009 • Deixe um comentário

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Falar sobre valores com artistas não é uma tarefa fácil. A resposta será sempre a mesma: “prefiro não comentar”, “arte não tem preço”. Passei por isso recentemente em uma matéria que fiz para a Esquinas. No entanto, ontem fui à SP-Arte, principal feira de arte do país, e ali todos estavam por um único motivo: compra e venda de arte. Quer dizer, nem todos. Eu, que não tenho um puto na conta, fui só “dar uma olhadinha” mesmo.

Sabe loja de roupa, ou calçado, em que você mal pisa dentro e parecem dez vendedores loucos para vender alguma coisinha? Os stands de algumas galerias não eram diferentes. Bastava entrar para “dar uma olhadinha” numa obra e pronto! Chegavam neguinhos me dando cartões, me mostrando seus acervos e dizendo que se eu fosse artista que, por favor, aparecesse por lá.

Arte, para mim, é praticamente religião. Logo, ir a uma exposição é praticamente um ritual, um dever, como é para um católico ir à missa aos domingos. E foi uma sensação bem… estranha (?) ver imagens dos meus deuses e deusas à venda. Quanto era mesmo aquela gravura da Regina Silveira?

É arte: os desenhos do Christo que vi no stand de uma galeria espanhola. Se não fosse a SP-Arte, talvez eu nunca viria aqueles desenhos por aqui. O evento, apesar de essencialmente comercial, pode ser visto como uma grande exposição.

É fato: obra de arte é (também) uma mercadoria. Mesmo muitos não querendo ver como.Av. Paulista, 149 – Bela Vista – Centro. Telefone: 2168-1777. 3ª/6ª 10h/21h e sáb/dom 10h/19h.

:: SP-Arte - Pavilhão Bienal, Parque do Ibirapuera/ Portão 3. De 14 a 17 de maio

o casamento de rachel

•13/05/2009 • Deixe um comentário

Já disse que aqui que amo dramas familiares. Amo! Por essa preferência de temática seria impossível não gostar de O casamento de Rachel. No entanto, o que mais chama atenção no filme é a linguagem. A impressão é que você não está vendo uma obra cinematográfica, mas sim, um daqueles vhs empoeirados de registro da família feitos pelo seu pai, que acabou de comprar uma filmadora e não quer perder um respiro da vida dos filhos, da intimidade do lar. E atribuo a esse recurso o impacto do filme. As pessoas na sala do cinema se debulhavam em lágrimas. Claro, e também à boa atuação dos atores. Todos pareciam tão naturais que era difícil acreditar que tudo era ficção. Acho que é melhor ficção de caráter documental que já vi.

É arte: a trilha sonora. A marcha nupcial em estilo rock’n roll é genial.

É fato: apesar das instalações não serem das melhores, o Cine Lasar Segall é uma boa opção para ver filmes que já saíram de cartaz na maioria dos cinemas e por um preço bem justo. Paguei R$ 5 (meia), no domingo, para ver o filme.

:: O Casamento de Rachel, EUA, 2008. Direção: Jonathan Demme. Drama. 114 min.

Para arte é preciso tempo

•10/05/2009 • 3 Comentários

[Cobertura do I Congresso de Jornalismo Cultural, mesa sobre Artes Plásticas, para o Site de Jornalismo]

jornalismocultural_artesplasticas

Artistas mostram que entendem melhor o papel da crítica do que o jornalista

A mesa, presidida pelo editor executivo da Editora Martins Fontes, Alexandre Martins Fontes, era composta pelos artistas plásticos Ana Maria Tavares e Paulo Pasta, pelo jornalista da Folha de S. Paulo Fábio Cypriano e pelo designer gráfico Rico Lins, que comentaram sobre o papel da crítica de arte no I Congresso de Jornalismo Cultural.

Quem abriu o debate foi Fábio Cypriano, comentando sobre a “complacência que existe no jornalismo cultural”. Para ele, o rigor que existe no jornalismo político também deveria existir no cultural. No entanto, segundo o jornalista, a área é vista como entretenimento. “Alguns veículos não querem que a crítica se aprofunde, só querem que se fale bem. O leitor é tratado como ingênuo”, comentou.

A segunda a falar foi a artista plástica Ana Maria Tavares, que preferiu ler um texto de sua autoria, no qual lembrava o surgimento da crítica de arte e a presença do gênero nos séculos passados. Discursou também sobre a batalha dos artistas brasileiros das décadas de 1960 e 70, os quais aprenderam, eles mesmos, a escrever sobre seus trabalhos, pois não havia uma crítica que fizesse. De acordo com Tavares, o papel do crítico não apenas de “criticar, mas de refletir arte”.

Depois do discurso da artista, Paulo Pasta comentou humildemente que só tinha alguns apontamentos sobre o assunto. E foi o que melhor definiu a questão do jornalismo, o artista e a crítica. Pasta observou a “fragilidade do jornalismo”, que, por conta do imediatismo, acaba não se aprofundando em nada. Por isso, segundo ele, o jornalista, que teria o papel de crítico, não consegue refletir sobre arte para escrever.

Pasta também ressaltou que arte nem sempre é ruptura, também é uma continuidade, e que o jornalista não entende muito bem isso: “O jornal acha que tudo está acabando”, disse criticando aqueles que sempre esperam algo totalmente inédito quando vai a uma exposição. E ainda definiu o que seria a figura do critico de arte: “o critico não é aquele que se coloca entre o artista e a obra, é aquele que se põe ao lado do artista. Que acompanha o trabalho dele.”

Para encerrar as apresentações antes de ir para as perguntas, foi dada a palavra ao designer Lins Rico, que comentou: “eu estou me vendo como um estanho aqui.” Rico falou sobre seu trabalho de designer e sua nova exposição que abrirá no Instituto Tomie Ohtake.

Faltando 15 minutos para encerrar o encontro, o mediador Alexandre Martins Fontes fez uma pergunta da platéia para Cypriano: se ele se considerava um jornalista cultural ou um crítico? O jornalista respondeu que os dois, pois havia espaço para ser as duas coisas no jornal. “Eu faço reportagem cultural e assino no jornal como ‘da reportagem local’, mas também ponho lá as estrelinhas como crítico”, respondeu. E foi questionado pela platéia: “Para você, crítica de arte é pôr estrelinhas?” O jornalista disse que não, mas essa era uma das formas de avaliar da Folha.

Em seguida, Martins Fontes perguntou aos presentes na mesa se eles achavam que a imprensa influenciava o valor monetário das obras de arte. Cypriano e Ana Maria Tavares concordaram que não. Paulo Pasta observou que depende: “no Brasil, não. Mas a crítica feita em alguns países da Europa, por exemplo, pode influenciar, sim.”

sérgio romagnolo – o corpo denso da imagem

•02/05/2009 • 2 Comentários

[Reportagem para o programa Edição Extra]