otávio e as letras
Saindo da faculdade, vi o cartaz do filme e a-do-rei. Não tive o mínimo de interesse em saber sobre o que se tratava, simplesmente queria ver o longa cujo cartaz exibia uma página de livro com todas as frases rabiscadas e o título em vermelho: “Otávio e as Letras”. E que bom que não li sinopses ou resenhas antes, pois nenhuma soube definir exatamente sobre o que era o drama de Marcelo Masagão. Na verdade, nem eu sei se entendi a story line do filme, mas sei que gostei. Gostei porque gostei de tudo: dos diálogos, da fotografia, da trilha sonora, da peculiaridade de cada personagem.
Otávio (Donizeti Mazonas), um cara estranho que sai todos os dias para almoçar com uma tia e espalhar, pela cidade, bombas de efeito moral – rolos que ele monta com recortes de jornais, revistas, livros e cartazes, nos quais, antes de montar o artefato, ele silencia todas as letras rabiscando-as. Clara (Arieta Corrêa), mora no mesmo prédio que Otávio, matem uma relação muito particular com quadros e gosta de fotografar a intimidade das vizinhas pela janela de seu apartamento. E Artur (Fabio Malavoglia), um taxista que mora em dos prédios vizinho ao minhocão, e nas horas vagas, como Clara, gosta de fotografar, não os vizinhos, e sim os detalhes da cidade. Os fragmentos do cotidiano dessas três personagens montam o drama, que registra a solidão e o vazio das pessoas que vivem em São Paulo. Aliás, muito bem perfilada nos detalhes do táxi de Artur e na conversa entre ele e Clara (vídeo). E, apesar de ser um filme em que se impera o silêncio, o enredo que pode ser resumido na fala de Otávio, em um dos poucos diálogos do longa, com Clara: “Eu moro no zero: o vazio, onde tudo termina”.
É arte: a trilha sonora do belga Wim Mertens.
É fato: ao sair do cinema, conclui: um filme não se faz pelo todo, mas por todos os elementos que dão sentido a quem o assiste.
:: Otávio e as Letras: Brasil, 2008. 83 minutos. Drama. Direção: Marcelo Masagão.













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