nome próprio
Folga! Ai, como é bom sair da faculdade e, em vez de ir ao trabalho, pegar um cineminha. Combinei com uma amiga e fomos assistir Nome Próprio – filme baseado nos livros e no blog de Clarah Averbuck. Me interessei pelo filme quando li o post da Clarah na Bravo!. Como podia uma mulher ter uma relação com blogs tão parecida com a minha? Imediatamente fui ler o blog dela, Adios Louge. E notei que, realmente, só nossas neuras com a ferramenta se parecem, pois nossos assuntos são totalmente diferentes. UFA!
vivo porque escrevo
Apesar de Clarah negar, com fervor, que Camila não tem nada a ver com ela, é quase impossível não se lembrar dela ao ver as atitudes da personagem principal, interpretada por Leandra Leal. No mau-humor, na forma de falar, na personalidade. Bem, eu não conheço a Clarah pessoalmente, mas pelos seus textos no blog e por entrevistas que já a vi, nota-se que ela não é muito diferente da Camila.
É um filme forte, um batimento cardíaco, com pontos constantes, que se alternam com muitos altíssimos e outros baixíssimos. Camila se jogou na vida. A vive intensamente, ama intensamente, bebe intensamente. Esse desprendimento me encanta. Mas o preço que ela paga por ele me parece alto demais. Está sempre no limite entre loucura e a razão.
ninguém vive uma paixão impunemente
E toda perturbação de Camila, Murilo Salles soube como transmiti-la nos movimentos de câmera. É um vaivém bêbedo, que mistura o olhar do expectador e com o da personagem. Às vezes, tinha a impressão que tudo foi gravado por um amador com uma câmera chinfrim na mão. Impressão logo esquecida ao ver a sensibilidade do diretor em registrar detalhes, como a cena que Camila aparece refletida, toda encolhida, dentro da tela do computador. Gostei muito também das frases soltas, que dão mais poesia ao filme. Afinal, esse é um filme de palavra. Por mais que a personagem central seja extremamente forte, boa parte o encanto está nas frases que Camila escreve na tela – quando ela reflete quem ela é: um ser só.
livros acabam. coloque também um ponto final nessa história.
A palavra é um refúgio, não só da Camila, mas de todos que são dependentes da escrita. Essa dependência é o que torna difícil entender que, às vezes, é preciso colocar um ponto final, não só na ficção, como na realidade.
É arte: a interpretação da Leandra Leal é mesmo de tirar o fôlego. Kikito de melhor atriz merecido.
É fato: a Leandra Leal é a melhor atriz do filme, mesmo. Os codjuvantes são muito fracos. O ator que interpreta Felipe beira o péssimo.
:: Nome próprio: Brasil, 2008. 130 min. Drama. Direção: Murilo Salles. Roteiro: Melanie Dimantas, Elena Soarez, Murilo Salles, Clarah Averbuck (romances)




























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