edward hopper
Às vezes coloco o quadro Cafeteria Automática [a última imagem da galeria acima], de Edward Hopper (1882-1967), no meu MSN. E sempre vem alguém me dizer: “É o Hopper, né? Adoro ele!” E eu sempre fico a pensar por que raios alguém exclama com tanta felicidade ao dizer que adora os quadros desse americano, e não diz uma palavra mais para justifcar a adoração. Por causa da beleza estética? Talvez sim, porque seria difícil alguém gostar dos quadros dele pelo o que representam. Afinal, ninguém nunca me disse que adora a série Os retirantes, principalmente Criança morta, de Portinari, e muito menos da Guernica, de Picasso.
Os quadros de Hopper retratam uma solidão, um vazio. As construções sempre parecem inabitadas, as pessoas estão sempre de cabeça baixa, melancólicas, ou sozinhas - mesmo quando estão companhada por outrem. Um silêncio paira sobre suas obras. E uma luz gélida ilumina alguns pontos como fio de esperança. Luz, que Hopper trabalhava mais do que suas cores pasteis: “Meu interesse está mais voltado para a luz do que para a cor.”
Mas eu não posso afirmar que essa minha interpretação era a idéia do artista sobre seus quadros. Essas são sensações que sua obra desperta em meu inconsciente. Pois, certa vez questionado sobre a solidão presente em sua obra, respondeu: “Se o é, é de forma inconsciente. Provavelmente eu sou de temperamento solitário.”
Ok. Pode perguntar: “mas se é uma pintura tão triste, por que você gosta?” Eu gosto, porque aprecio esteticamente e gosto dos temas abordados: a solidão, a vida na cidade, a arquitetura. Gosto também da Guernica e da série Os retirantes. Gosto do desconforto que me causam e me fazem refletir sobre as misérias humanas, tanto as sociais, como as mentais – que Hopper trata de maneira fascinante, forçando você ir além da aparência para enxergá-la. Ele não exagera ou estiliza a solidão e a melancolia que eu sinto em seus quadros, e sim, as supõe, de maneira muito sutil nas cenas cotidianas.
É um jogo de oposto: um grito mudo, um barulho surdo, um calor frio.
É arte: um site em português dedicado ao artista. Há informações sobre a vida e a obra do pintor, e um vasto acervo digital de suas obras: www.hopper.com.br
É fato: vai ser difícil ver um quadro de Hopper em São Paulo, pelo menos. Pois os principais museus da cidade de São Paulo: Masp, Pinacoteca e MAC, não têm obras do pintor. E eu também não vi nenhuma em outras instituições da cidade que já visitadas













Acho que a gente gosta, porque na verdade, acaba reconhecendo essa solidão que ele retrata na gente também. Soa muito familiar pra todo mundo.