Me conte qual é sua obsessão. Duvido que você não tenha uma maniazinha. Eu tenho uma: fotos! E ando muito interessada em fotografar formas, cor, luz, sombra e reflexos. Essa minha mania, ou obsessão, no entanto, ainda está no campo do hobby. Mas há quem leve a sério a perseguição por um assunto.

No Instituto Tomie Ohtake, está em cartaz a exposição Cor e Luz: Josef Albers, Homenagem ao Quadrado, em que você pode observar o trabalho de um obcecado profissional. O artista alemão Josef Albers (1888-1976) passou mais de um quarto da vida dedicado ao estudo das cores em uma única forma: o quadrado. Em uma composição de três quadrados de tamanhos variados, sempre um dentro do outro [imagem à direita], J. A. realiza seus estudos de cor. Não tem como não se encantar com a força e a beleza das cores tão bem utilizadas, sejam elas apresentadas variações de tons ou combinadas com outras aparentemente na a ver, como azul e marrom. Para Albers, não existia essa de cores que não combinam, e sim, a vontade de juntá-las — e como azul, rosa pink e marrom ficam bonitos juntos.
Numa parede, em que há uma sequência de quadros de tom alaranjados e vermelhos, as composições chegam a ter efeitos ópticos, como se essas formas dançassem verticalmente, ou pulsassem nas telas.
Mas para saber mais sobre Albers e sua esposa, também arista, Anni, indico que veja Anni e Josef Albers – Viagens pela América Latina, na Pinacoteca do Estado. Essa exposição, melhor organizada, traz, além de telas e tapeçarias, os estudos de core e formas do casal Albers e registros fotográficos das viagens feitas pela América Latina.
Não dizem que atrás de um grande homem há uma grande mulher? Anni (1899-1994), sem dúvidas, era uma grande mulher, quero dizer, uma grande artista — tão boa como o marido. Suas tapeçarias, com formas geométricas, e bijuterias, um tanto inusitadas, são belíssimas. (Quem pensaria que uma espumadeira mais clipes de papel poderia resultar em um belo colar? [imagem à esquerda].)
É interessante também ver “os caminhos” percorridos por eles antes de elaborar um tarbalho. Em folhas de papel quadriculado/milimetrado, estudavam o caminho das linhas e suas possibilidades geométricas. O casal era tão obcecado pela natureza das formas que até as fotografias são registros geométricos, por exemplo, de pirâmides do Peru.
E claro, a exposição também conta com os estudos de cor de J. A., que estão na última sala. Agora, não dentro de quadros, mas em formas retangulares e com mais variações de cores, e não apenas três.
É arte: na Pinacoteca, para fugir um pouco da rigidez do quadrado, observe a sequência de claves de sol, de J. A. [imagem à direita]. Além da combinação de cores em formas circulares, a indicação musical pode ganhar outras interpretações dependendo da sua imaginação. (Eu mesma cheguei a ver um caracolzinho e/ou um cavalo marinho perfeitinhos.
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É fato: o Inst. Tomie Ohtake precisa aprender organizar exposições. 1º) Eles não sabem colocar legenda nas obras: você tem de passar por todas para ver, lá no fim da parede, o nome dos quadros. Por que não colocam a legenda em baixo de cada um? 2º) Não há um banco para sentarmos e apreciarmos com calma e conforto o trabalho do artista, que precisar de um tempo de observação. E não é por falta de espaço. As 45 telas estão expostas em duas salas enormes. Isso só para ficar nessa exposição. Eu nem vou comentar do exagero de A consistência dos sonhos, sobre José Saramago, e nem do aperto que estão as obras de Franz Weissman, em Franz Weissmann – experimentação e lirismo.
:: Cor e Luz: Josef Albers, Homenagem ao Quadrado — Instituto Tomie Ohtake, av. Faria Lima, 201 (entrada pela R. Coropés, 88), tel. (11) 2245-1900. Ter. a dom. 11h/20h. Até 01/03.
:: Anni e Josef Albers – Viagens pela América Latina — Pinacoteca do Estado, Praça da Luz, 2, Luz, tel. (11) 3324-1000. Ter. a dom., 10h/18h. R$ 4 e R$ 2; com direito a visita também à Estação Pinacoteca. Grátis aos sábados. Até 08/03.




dezembro 31st, 2009 → 16:02
[...] muitas exposições boas nesse ano: Albers, Walker Evans, Cartie-Bresson, Sérgio Romagnolo, Leda Catunda, Matisse, Léger, Rumos, Um mundo [...]
agosto 14th, 2011 → 23:42
[...] influência de Mabe (com quem participou do grupo Guanabara). E foi impossível não lembrar de Albers, quando vi Balé das [...]