sem crise ou os 4 opositores
O que te moves?
A curiosidade
O que te opõe aos outros?
A vontade

As repostas acima são minhas. As perguntas foram feitas a jovens artistas, cujos trabalhos compõem a mostra. As respostas de cada um foram colocadas ao lado das respectivas obras, o que preenchia os trabalhos plásticos com mais poesia. Sim, considero as repostas desses jovens verdadeiras poesias ao lado de suas obras.
A convite do meu professor-chefe, fui à abertura da exposição . Que delícia! É tão bom conversar com artistas jovens que ainda não criaram cascas ou tem discursos já pré-concebidos. Segundo o curador da mostra, Washington Delacqua, “resumidamente eles tratam dos reagrupamentos de imagens, de trabalhar com o vazio, do espiritual na arte e da construção da memória”.
Bruno Mendonça
O que te moves? Sinapse. O que te opõe aos outros? Proxêmica.
Reagrupamentos de imagens. Bruno Mendonça se apropria de imagens da mídia e aproxima as que, segundo seus critérios, possuem um diálogo. Um trabalho teoricamente simples, mas que revelam um olhar atento do artista para fazer as aproximações e criar diálogos entre imagens que, a princípios, pareciam incomunicáveis.
Camila Nassif
O que te moves? O espaço e o tempo. O que te opõe aos outros? As diferenças.
Trabalhar com o vazio. A primeira palavra/imagem (e essa comparação é um tanto cliché) que me veio a cabeça quando vi o trabalho da artista foi aranha. Com a habilidade de deusa Aracne, Camila tece redes unindo o teto e paredes com fios de linhas de crochê. E assim como as teias de aranhas, o trabalho da artista é delicado, sensível, quase invisível, como uma boa teia, que se mistura no ambiente, mas captura olhares atentos e alguns distraídos.
Felippe Moraes
O que te moves? O que nos ultrapassa. O que te opõe aos outros? O caminho.
Espiritual na arte. Sabe a ideia de arte como religião? Felipe leva isso a sério. O trabalho da artista é repleto de espiritualidade. Um balanço, que ao mesmo remete a infância, alerta que para conseguirmos resultados (um sino tocar) é preciso de ação, impulsão, movimento. A obra “Monolito”, muito me lembrou as instalações de Kurt Schwitters.
Henrique de França
O que te moves? O que não pode ser esquecido. O que te opõe aos outros? O presente.
Construção da memória. Henrique eterniza o presente e o passado em seus desenhos. Partindo de imagens fotográficas, às vezes da própria da família (pelo o que me lembro do que ele me disse), o artista faz um registro autoral do que “não pode ser esquecido”.











Fico muito feliz que tenha gostado da exposição. Sendo, como você mesmo disse, um jovem artista, é muito bom encontrar, por acaso, alguém falando coisas tão interessantes sobre seu trabalho. Entre em contato comigo pelo e-mail para trocarmos informações.
Um abraço,
Felippe Moraes