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walker evans
Ele queria ser escritor, mas se descobriu fotógrafo. Walker Evans não era um bom ladrão de almas como Cartier-Bresson, mas fazia retratos muito bonitos. E também tem uma belíssima série de fotos de uma viagem que fez a Cuba. Evans ficou famoso por suas fotografias de caráter documental sobre a comunidade agrícola norte americana. Mas das 121 que vi na mostra em cartaz no Masp, suas fotos de arquitetura urbana são, de longe, as melhores. Ele sabia, como poucos, como explorar as sombras e as linhas retas da cidade de Nova York. Na exposição há algumas sequências de fotografias que ele mandava ampliar em um tamanho mínimo (acredito não ser maior do que 5×5). Essas são, ao mesmo tempo, gigantes pelo grau de profundidade que conseguia captar. O que me deu ainda mais certeza que menos é sempre mais, muito mais.
É arte: as fotografias de pessoas feitas no metrô. Para Evans, as pessoas no vagão ficavam com “rostos nus”.
É fato: algumas fotos coloridas de anúncios são bem… inexpressivas, eu diria. Mas dá para entender que, ali, ele estava mais interessado em explorar as possibilidades da fotografia colorida — uma novidade.
:: Walker Evans – Masp, Avenida Paulista, 1.578. Tel. (011) 3251-5644. 11h/18h (5.ª até 20h; fecha 2.ª). R$ 15 (3.ª, grátis). Até 10/1.
henri cartier-bresson: fotógrafo
Henri Cartier-Bresson não era um fotógrafo excepcional de arquitetura ou paisagem. Mas era um incrível ladrão de almas, como diria minha amiga Ana Cláudia Crispim. Agia como bons larápios, na surdina, de forma ligeira, sem qualquer luz (flash) para registrar seus “crimes”. CLIC! A vítima nem sentia que tivera sua alma aprisionada. Bresson agia dessa forma porque acreditava que desse modo conseguia capturar a essência das pessoas. Por isso se esgueirava entre os postes, segurava a câmera de forma discreta, e agia rápido na hora de enquadrar e apertar o botão. Ele dizia que ser fotógrafo era como ser um cozinheiro – um bom cozinheiro, diga-se –, tinha de saber exatamente a quantidade de luz que precisava deixar entrar para conseguir uma boa foto, assim como o cozinheiro sabe a quantia exata de tempero. E, nas 133 fotos, pertencentes ao acervo da Agência Magnum e expostas no Sesc Pinheiros, Bresson mostra que essa receita ele sabia de cor e salteado.
É arte: o documentário sobre o fotógrafo em exibição no térreo.
É fato: livro de fotografia é muito caro. Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo foi publicado originalmente em 1979, e chega agora ao Brasil pela Cosac Naify. O livro traz 155 fotos selecionadas pelo próprio Bresson e custa: R$ 170! (Um excelente presente de aniversário, não? Faço anos dia 02/12 #ficaadica)
:: Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo – Sesc Pinheiros Térreo e 2º andar: R. Paes Leme, 195 – Pinheiros – Oeste. Tel.: 3095-9400. Terça a sexta, das 10h30 às 21h30.; sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30. Grátis!
mônica nador – perfil
reportagem para o programa Edição Extra da TV Gazeta
IMAGINE MORAR DENTRO DE UMA PINTURA? PODE PARECER FICÇÃO, MAS MÔNICA NADOR, ARTISTA PLÁSTICA FORMADA PELA FAAP, VIVE DENTRO DE SUA PRÓPRIA OBRA. INSATISFEITA COM O CIRCUITO COMERCIAL, MONICA DECIDIU LEVAR ARTE ÀQUELES QUE NÃO COSTUMAM FREQUENTAR MUSEUS E GALERIAS.
cuide de você – sophie calle
Eu sou super adepta ao mundo virtual, mas não dispenso um contato ao vivo. Essa história de carta ou e-mail de amor é algo que não funciona bem, acho. Não tem cheiro, não tem textura, não tem som. Ok, ok, a carta tem textura e pode ser perfumada, e o e-mail pode ter som. Em suma: cartas ou e-mails não dispensam o contato pessoal. O olho no olho. Especialmente quando se trata em terminar relacionamentos. Bem, todo mundo já falou sobre Sophie Calle e sua “107 respostas” ao amante que terminou o caso com ela por e-mail. Para não ser mais um comentário sobre assunto, segue abaixo um vídeo com o tal e-mail narrado por mim e ilustrado com imagens da exposição.
É arte: as fotografias. São muito bem produzidas e bonitas.
É fato: a exposição é um tanto desconfortável. Como exige que você leia o tempo todo, faltam bancos para se acomodar e curtir a leitura.
:: Cuide de você: Sesc Pompeia Rua Clélia, 93, Pompeia, (11) 3871-7700. Terça a sábado, 10h às 21h; domingo e feriados, 10h às 20h. Grátis. Até 7 de setembro.
PS – Mudei fiz de novo o off e mudei a trilha.
O negócio da arte
[Reportagem para revista Esquinas #45. Veja também o PDF]
Um quadro na parede pode custar altas cifras que podem até ser disputadas em leilões

Exposição do acervo do MAC Foto: Karina Sérgio Gomes
Reportagem: André Marchezano (2º ano de Jornalismo), Julia Alquerés e Karina Sérgio Gomes (4º ano de jornalismo)
US$ 1,4 milhão. Esse foi o valor alcançado pelo quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral, a maior quantia já paga pela obra de um artista brasileiro. Se muitos acreditam que o valor de uma obra de arte é inestimável, o mercado mostra que há quem esteja disposto a pagar milhões por ela. O fenômeno nacional mais recente é a artista plástica Beatriz Milhazes, cujo quadro O Mágico alcançou a quantia de US$ 1,049 milhão, adquirido pelo mesmo colecionador que comprou Abaporu, o argentino Eduardo Constantini.
De acordo com o segurador Guilherme Tadeu Olivetti, depois desse leilão as obras de Milhazes valorizaram muito. “Tem cliente meu que comprou uma peça dela há três anos por 70 mil e hoje está valendo meio milhão”, exemplifica. O valor das obras também varia de acordo com a fase de produção do artista. No caso de Vik Muniz, segundo o leiloeiro James Lisboa, “as fases ligadas a diamantes, chocolates, são as mais procuradas porque são as mais criativas”. No leilão de arte feito no dia 24 de março deste ano pelo Escritório de Arte, a foto Team, do artista, teve o lance mínimo de R$ 180 mil reais.
No prelo - As formas de avaliar o trabalho de um artista variam. Na Galeria Vermelho, por exemplo, em caso de artistas novos, o custo de produção é multiplicado por três. “O primeiro paga a obra que foi feita; o segundo é por causa da carreira, ele precisa ter dinheiro pra fazer novas obras. E o terceiro preço é porque ele precisa sobreviver”, explica Akio Aoki, representante de vendas internacionais da Vermelho. No caso de artistas mais reconhecidos, avalia-se o currículo da obra e do artista. Os leilões avaliam as obras também desta maneira, com uma peculiaridade: o preço das obras é abaixo do valor do mercado. “Isso acontece pra poder criar a liquidez, ou seja, para que haja uma disputa, um confronto de valores para chegar no preço real de fato”, esclarece Lisboa.
Ele comenta ainda a vantagem que os leilões têm frente às galerias. “Na galeria você espera acontecer. No leilão as vendas acontecem numa noite, é mais dinâmico, não pode durar mais que uma sessão de cinema, que é quanto uma pessoa agüenta”, explica o leiloeiro. Segundo ele, 70% do que é posto em pregão é vendido. Afirma, no entanto, que as maiores negociações são feitas entre os próprios colecionadores.
As pinturas a óleo são as mais valorizadas e os artistas do modernismo brasileiro são os mais procurados. “Os mais caros são os que a gente chama pintura dos nossos avôs, Tarsila e Portinari principalmente”, diz Lisboa. Estes são também os artistas preferidos pelos ladrões. No último dia 10 de maio deste ano, foram roubadas da casa de Ilde Maksoud as telas O Cangaceiro e Retrato de Maria, ambas de Cândido Portinari, e Figura em Azul, de Tarsila do Amaral – avaliadas em cerca de R$ 3,5 milhões. No ano passado, foi a vez da Estação Pinacoteca. Os ladrões, em plena luz do dia, levaram um quadro de Lasar Segall, outro de Di Cavalcanti e duas gravuras de Picasso, que juntos valiam cerca de R$ 1 milhão. Outro caso famoso foi o roubo das obras O Lavrador de Café, de Portinari, e Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso, do Masp (Museu de Arte de São Paulo) em 2007. O museu não contava com seguro nem sistema de segurança equipado com alarmes e sensores.
A sete chaves - O seguro de obra de arte é como qualquer outro. A diferença é que às vezes o valor da coleção fica tão alto que o próprio segurado desiste do negócio. A coleção mais valiosa que a empresa de seguros Chub cobriu foi avaliada em R$ 300 milhões. O segurador Guilherme Olivetti explica que o valor foi aumentando tanto, por conta de novas aquisições, que o segurado desistiu do negócio. No caso da artista plástica Tomie Ohtake, que solicitou o seguro de suas obras, foi a Chub que não quis segurar. “Imagina a gente falar: Tomie Ohtake, o seu quadro não vale isso. Na época a gente sugeriu o seguinte, eu faço o seguro, quanto você vai gastar pra repor a tela, a tinta, a moldura. Esse custo eu reponho, se pegar fogo. Mas o valor da peça era muito complicado”, conta Olivetti.
“O seguro varia entre 0,3% a 1,5% do valor total da coleção”, diz o segurador. Para avaliar as peças, a empresa envia um profissional que fotografa e especifica os detalhes, como tamanho e técnica, das obras. Depois o colecionador é encarregado de levar essa documentação a um especialista que determinará o valor das peças. A partir desse orçamento, a quantia do seguro é calculada. Atualmente a Chub só faz seguro de coleções particulares, já que o número de museus que procuram as seguradoras é muito baixo e o risco, muito alto.
No MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo), no entanto, as obras são seguradas. “Se a obra sofrer algum risco, como um roubo ou um vandalismo, por exemplo, a seguradora indeniza”, diz Paulo Roberto Amaral Barbosa, diretor do acervo do museu. “Mas pra nós não é interessante nem pensar nisso. Se você risca ou estraga uma obra, ela não é nem mais aquela obra”, observa.
Há todo um cuidado com o acervo. O empréstimo de peças, por exemplo, para outras instituições, seja fora ou dentro do país, segue um procedimento rigoroso. “As nossas obras quando saem daqui passam por um processo de aclimatação de 48 horas numa caixa de transporte, que é especializada pra isso”, explica Paulo Roberto. O preço dessas caixas varia de R$ 15 mil a R$ 18 mil. Segundo o diretor, é preciso analisar a temperatura do local onde a obra será exposta, pois variações climáticas podem causar danos nas peças. “Toda obra que sai do museu precisa ficar embalada num ambiente estabilizado em vinte e dois graus”, informa.
Quando é solicitado o empréstimo de uma peça, quem arca com todos os custos é o interessado. Inclusive o serviço do courrier – pessoa do museu encarregada de acompanhar a obra até ser exposta e depois o seu retorno. “Uma vez na parede, em caso de quadros, a obra é de responsabilidade do pessoal da casa e o courrier volta pra cá. Quando a exposição é encerrada, ele volta pra buscar a obra”, explica Paulo Roberto.
NA PONTA DO LÁPIS - Cada mostra, organizada pelo MAC, não sai por menos de R$ 120 mil. “Nossa verba mensal é da ordem de R$ 400 mil pra pagar tudo o que se possa imaginar”, afirma. “Uma vantagem que temos sobre os outros museus é que pelo menos a mão de obra, que somos nós, é paga pelo Estado. Museus ou instituições particulares vivem na corda bamba porque sempre tem custos a pagar”, observa. Para o curador do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo), Felipe Chaimovich, o maior auxílio, por parte do Estado, vem da Lei Rouanet. “A gente vai atrás de patrocinadores para adquirir as obras. Os patrocinadores usam o recurso de abatimento de imposto garantido pela Lei Rouanet”, explica.
A ajuda do Governo também foi importante para que o artista Marcius Galan conseguisse expor uma obra no exterior. “Talvez, sem incentivo do governo, do Ministério da Cultura, eu não conseguiria ter ido pra Houston fazer meu trabalho lá”, conta Galan. O auxílio governamental consistia no pagamento da passagem para Houston, mediante a apresentação de um projeto, em que o artista expunha a importância de sua obra, da mostra que iria participar e do museu onde aconteceria a exposição.
Galan ainda não vive só de arte. “Eu trabalho como designer. Faço um monte de coisa. Porque pra mim é muito mais cômodo não depender só do mercado de arte”, conta o artista. “É algo que seria ótimo, mas eu não tento lutar pra que isso aconteça. Seria depender de algo que é instável. Eu fico mais seguro tendo os outros projetos”. No começo da carreira, a permuta era a forma de vender suas obras. “Eu trocava trabalho meu por molduras”, exemplifica.
Hoje o trabalho de Galan ultrapassa o limite das molduras. “Arte vai mudando e o mercado acaba absorvendo as coisas”, aponta. Algumas de suas obras são instalações que se relacionam com a arquitetura. Um exemplo é Seção diagonal, que está em negociação com Museum of Fine Arts, de Houston. Nesses casos de site specific, quem compra não leva o trabalho para casa, como um quadro, e sim o projeto. “Qualquer pessoa pode fazer aquele trabalho em qualquer lugar. São os trabalhos pouco convencionais que fazem a coleção ter uma força”, afirma.
Quem representa Marcius Galan, em São Paulo, é a galeria Luisa Strina. “A galeria tem o papel fundamental de inserção do artista no mercado”, diz. Akio Aoki, representante de vendas internacionais da Vermelho, concorda: “uma instituição que procura um jovem artista precisa de um filtro e o primeiro filtro é a galeria”. Quando a obra é comprada, normalmente, o valor da venda é dividido igualmente entre os dois. O preço, no caso de Galan, é determinado por um consenso entre ele e a galerista. “Faço uma lista com os preços que eu acho justos baseados nos trabalhos antigos e a Luísa fala se tá caro, se tá barato”, conta o artista.
Os valores negociados no mundo da arte podem causar espanto, mas como reza o velho ditado: “olhar não custa nada”. A entrada em galerias e em alguns museus, como o MAC, é franca. Outros, como o Masp e o MAM, tem pelo menos um dia na semana em que não é cobrado o ingresso.
cascavel
Quando a gente está começando, é comum seguirmos modelos e elegermos mestres. Eu tive (ainda tenho, vai?) uma incrível. A Gabriela, de quem fui assistente por dois anos, me ensinou muuuito de edição, texto, pauta. Acredito que até mais do que aprendi na faculdade. Na época até ouvi zunzunzuns na redação de que eu era uma Gabrielinha (o que me orgulhava muito). Se isso acontece no jornalismo, acredito que em artes é mais comum ainda.
Flora Assumpção e Renato Pera são assistentes de duas grandes artistas plásticas, respectivamente, Ana Maria Tavares e Regina Silveira (essa, meus queridos três leitores, imagino que já conheçam bem). A dupla está com uma instalação no Ateliê Oço, um espaço (não sei se posso chamar de alternativo) onde jovens artistas se encontram para fazer e discutir arte.
Assim como a obra de suas “mestras” (não sei se eles as consideram assim), o trabalho desses jovens artistas é coerente e de grande apreensão estética. Renato certa vez me disse que seu trabalho, tal como o de Regina, tem um quê de publicitário. Causa um primeiro impacto, depois um deslumbre, aí, aos poucos, você entende a mensagem. Outro elemento em comum é a relação com a arquitetura: modificam a poética do lugar. (Artista adora essa palavra, poética. Eu prefiro dizer que a presença da obra no ambiente traz um outro significado para o local.) Essas são duas características que aparecem em Cascavel, de Flora e Renato. A instalação dá ao Ateliê Oço um clima um tanto assustador. Ali, não é mais apenas o espaço onde artistas se reúnem, agora é o covil de uma cobra, que se arrasta pela escada, se enrola na parede e vai se aninhar… bem, você vai ter de ir até lá para conferir.
É arte: conhecer e acompanhar o trabalho desses jovens e bons artistas. E existir esses espaços em que eles possam expor o que estão fazendo.
É fato: eu sou uma péssima cinegrafista. Não recomendo, para quem tem labirintite e todos os outros ites, ver o vídeo acima. Mas olha, sou uma editora de vídeo bem mais ou menos. Essa foi a primeira vez que mexi no imove. Me aguardem nos próximos.
:: Cascavel: Ateliê Oço, Praça Carlos Gomes, 117, bem próximo do Metrô Liberdade.
sérgio romagnolo – o corpo denso da imagem
[Reportagem para o programa Edição Extra]
sem crise ou os 4 opositores
O que te moves?
A curiosidade
O que te opõe aos outros?
A vontade

As repostas acima são minhas. As perguntas foram feitas a jovens artistas, cujos trabalhos compõem a mostra. As respostas de cada um foram colocadas ao lado das respectivas obras, o que preenchia os trabalhos plásticos com mais poesia. Sim, considero as repostas desses jovens verdadeiras poesias ao lado de suas obras.
A convite do meu professor-chefe, fui à abertura da exposição . Que delícia! É tão bom conversar com artistas jovens que ainda não criaram cascas ou tem discursos já pré-concebidos. Segundo o curador da mostra, Washington Delacqua, “resumidamente eles tratam dos reagrupamentos de imagens, de trabalhar com o vazio, do espiritual na arte e da construção da memória”.
Bruno Mendonça
O que te moves? Sinapse. O que te opõe aos outros? Proxêmica.
Reagrupamentos de imagens. Bruno Mendonça se apropria de imagens da mídia e aproxima as que, segundo seus critérios, possuem um diálogo. Um trabalho teoricamente simples, mas que revelam um olhar atento do artista para fazer as aproximações e criar diálogos entre imagens que, a princípios, pareciam incomunicáveis.
Camila Nassif
O que te moves? O espaço e o tempo. O que te opõe aos outros? As diferenças.
Trabalhar com o vazio. A primeira palavra/imagem (e essa comparação é um tanto cliché) que me veio a cabeça quando vi o trabalho da artista foi aranha. Com a habilidade de deusa Aracne, Camila tece redes unindo o teto e paredes com fios de linhas de crochê. E assim como as teias de aranhas, o trabalho da artista é delicado, sensível, quase invisível, como uma boa teia, que se mistura no ambiente, mas captura olhares atentos e alguns distraídos.
Felippe Moraes
O que te moves? O que nos ultrapassa. O que te opõe aos outros? O caminho.
Espiritual na arte. Sabe a ideia de arte como religião? Felipe leva isso a sério. O trabalho da artista é repleto de espiritualidade. Um balanço, que ao mesmo remete a infância, alerta que para conseguirmos resultados (um sino tocar) é preciso de ação, impulsão, movimento. A obra “Monolito”, muito me lembrou as instalações de Kurt Schwitters.
Henrique de França
O que te moves? O que não pode ser esquecido. O que te opõe aos outros? O presente.
Construção da memória. Henrique eterniza o presente e o passado em seus desenhos. Partindo de imagens fotográficas, às vezes da própria da família (pelo o que me lembro do que ele me disse), o artista faz um registro autoral do que “não pode ser esquecido”.
rumos – trilha dos desejos

Minha cabeça está cheia de referências. Está quase impossível ver uma obra e não me lembrar de algo que vi – conceitos, estéticas, performances, sons… tudo me lembra algo. Mas é preciso manter a humildade e ouvir. Não achar que só por que estou com a frequente sensação de déjà-vu quer dizer que já vi tudo, ou muito. Ainda tenho muito o que ver.
Tenho de me conscientizar que não posso comparar esses novos artistas com os que já marcaram história. Há um poema de Paulo Leminsky sobre o amor que diz: “sentir é lento”. E assim como o sentimento, fazer uma carreira, ter um trabalho de consistência, forte, também é um processo lento. Mesmo, hoje, quando o tempo passa depressa demais e somos cobrados por resultado cada vez mais cedo.
Alguns diálogos desses novos artistas com os que já habitam a minha mente:
:: As sombras materializadas de Felipe Cohen com as sombras de Regina Silveira;
:: As mesas de Luciano Zanette com o mobiliário de José Rufino;
:: As formas orgânicas de fórmicas de um colorido vivo como fortes cores e sinuosas formas de Leda Catunda;
:: As fotos de Sofia Borges com as fotografias da Cia de Foto;
:: As pedras em seu estado bruto do Grupo Empreza com os jardins e interesse pelos minerios de Amélia Toledo;
:: A temática dos apartamentos/público e privado de Ilma Guideroli, com a instalação Apartamento e Pronto pra morar de Regina Silveira.
É arte: As legendas do Itaú. O nome, ano de nascimento, local e ano da obra. Tudo ali para ajudar a localização do público no tempo e no espaço. E se você precisa de mais uma mãozinha para entender o trabalho do artista, há uma “bulinha”: um texto do curador a respeito da obra.
É fato: “Você estuda artes onde?”, pergunto a uma menina ao sair da palestra de Christine Mello, uma das curadoras da exposição.
“Na Belas Artes. E você?”, pergunta ela.
“Não, faço jornalismo. Na Cásper Líbero”, respondo.
“Ué, o que você está fazendo aqui?”, questiona indignada.
São nessas horas que eu vejo que sou mesmo uma estudante de jornalismo intrometida no mundo das artes.
Itaú Cultural — Av. Paulista, 149 – Bela Vista – Centro. Telefone: 2168-1777. 3ª/6ª 10h/21h e sáb/dom 10h/19h.





















:: na palavra de outros