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Archive for the ‘portfólio’ Category

mônica nador – perfil

reportagem para o programa Edição Extra da TV Gazeta

IMAGINE MORAR DENTRO DE UMA PINTURA? PODE PARECER FICÇÃO, MAS MÔNICA NADOR, ARTISTA PLÁSTICA FORMADA PELA FAAP, VIVE DENTRO DE SUA PRÓPRIA OBRA.  INSATISFEITA COM O CIRCUITO COMERCIAL, MONICA DECIDIU LEVAR ARTE ÀQUELES QUE NÃO COSTUMAM FREQUENTAR MUSEUS E GALERIAS.

O negócio da arte

[Reportagem para revista Esquinas #45. Veja também o PDF]

Um quadro na parede pode custar altas cifras que podem até ser disputadas em leilões

Exposição do acervo do MAC Foto: Karina Sérgio Gomes

Exposição do acervo do MAC Foto: Karina Sérgio Gomes

Reportagem: André Marchezano (2º ano de Jornalismo), Julia Alquerés e Karina Sérgio Gomes (4º ano de jornalismo)

US$ 1,4 milhão. Esse foi o valor alcançado pelo quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral, a maior quantia já paga pela obra de um artista brasileiro. Se muitos acreditam que o valor de uma obra de arte é inestimável, o mercado mostra que há quem esteja disposto a pagar milhões por ela. O fenômeno nacional mais recente é a artista plástica Beatriz Milhazes, cujo quadro O Mágico alcançou a quantia de US$ 1,049 milhão, adquirido pelo mesmo colecionador que comprou Abaporu, o argentino Eduardo Constantini.

De acordo com o segurador Guilherme Tadeu Olivetti, depois desse leilão as obras de Milhazes valorizaram muito. “Tem cliente meu que comprou uma peça dela há três anos por 70 mil e hoje está valendo meio milhão”, exemplifica. O valor das obras também varia de acordo com a fase de produção do artista. No caso de Vik Muniz, segundo o leiloeiro James Lisboa, “as fases ligadas a diamantes, chocolates, são as mais procuradas porque são as mais criativas”. No leilão de arte feito no dia 24 de março deste ano pelo Escritório de Arte, a foto Team, do artista, teve o lance mínimo de R$ 180 mil reais.

No prelo - As formas de avaliar o trabalho de um artista variam. Na Galeria Vermelho, por exemplo, em caso de artistas novos, o custo de produção é multiplicado por três. “O primeiro paga a obra que foi feita; o segundo é por causa da carreira, ele precisa ter dinheiro pra fazer novas obras. E o terceiro preço é porque ele precisa sobreviver”, explica Akio Aoki, representante de vendas internacionais da Vermelho. No caso de artistas mais reconhecidos, avalia-se o currículo da obra e do artista. Os leilões avaliam as obras também desta maneira, com uma peculiaridade: o preço das obras é abaixo do valor do mercado. “Isso acontece pra poder criar a liquidez, ou seja, para que haja uma disputa, um confronto de valores para chegar no preço real de fato”, esclarece Lisboa.

Ele comenta ainda a vantagem que os leilões têm frente às galerias. “Na galeria você espera acontecer. No leilão as vendas acontecem numa noite, é mais dinâmico, não pode durar mais que uma sessão de cinema, que é quanto uma pessoa agüenta”, explica o leiloeiro. Segundo ele, 70% do que é posto em pregão é vendido. Afirma, no entanto, que as maiores negociações são feitas entre os próprios colecionadores.

As pinturas a óleo são as mais valorizadas e os artistas do modernismo brasileiro são os mais procurados. “Os mais caros são os que a gente chama pintura dos nossos avôs, Tarsila e Portinari principalmente”, diz Lisboa. Estes são também os artistas preferidos pelos ladrões. No último dia 10 de maio deste ano, foram roubadas da casa de Ilde Maksoud as telas O Cangaceiro e Retrato de Maria, ambas de Cândido Portinari, e Figura em Azul, de Tarsila do Amaral – avaliadas em cerca de R$ 3,5 milhões. No ano passado, foi a vez da Estação Pinacoteca. Os ladrões, em plena luz do dia, levaram um quadro de Lasar Segall, outro de Di Cavalcanti e duas gravuras de Picasso, que juntos valiam cerca de R$ 1 milhão. Outro caso famoso foi o roubo das obras O Lavrador de Café, de Portinari, e Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso, do Masp (Museu de Arte de São Paulo) em 2007. O museu não contava com seguro nem sistema de segurança equipado com alarmes e sensores.

A sete chaves - O seguro de obra de arte é como qualquer outro. A diferença é que às vezes o valor da coleção fica tão alto que o próprio segurado desiste do negócio. A coleção mais valiosa que a empresa de seguros Chub cobriu foi avaliada em R$ 300 milhões. O segurador Guilherme Olivetti explica que o valor foi aumentando tanto, por conta de novas aquisições, que o segurado desistiu do negócio. No caso da artista plástica Tomie Ohtake, que solicitou o seguro de suas obras, foi a Chub que não quis segurar. “Imagina a gente falar: Tomie Ohtake, o seu quadro não vale isso. Na época a gente sugeriu o seguinte, eu faço o seguro, quanto você vai gastar pra repor a tela, a tinta, a moldura. Esse custo eu reponho, se pegar fogo. Mas o valor da peça era muito complicado”,  conta Olivetti.

“O seguro varia entre 0,3% a 1,5% do valor total da coleção”, diz o segurador. Para avaliar as peças, a empresa envia um profissional que fotografa e especifica os detalhes, como tamanho e técnica, das obras. Depois o colecionador é encarregado de levar essa documentação a um especialista que determinará o valor das peças. A partir desse orçamento, a quantia do seguro é calculada. Atualmente a Chub só faz seguro de coleções particulares, já que o número de museus que procuram as seguradoras é muito baixo e o risco, muito alto.

No MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo), no entanto, as obras são seguradas. “Se a obra sofrer algum risco, como um roubo ou um vandalismo, por exemplo, a seguradora indeniza”, diz Paulo Roberto Amaral Barbosa, diretor do acervo do museu. “Mas pra nós não é interessante nem pensar nisso. Se você risca ou estraga uma obra, ela não é nem mais aquela obra”, observa.

Há todo um cuidado com o acervo. O empréstimo de peças, por exemplo, para outras instituições, seja fora ou dentro do país, segue um procedimento rigoroso. “As nossas obras quando saem daqui passam por um processo de aclimatação de 48 horas numa caixa de transporte, que é especializada pra isso”, explica Paulo Roberto. O preço dessas caixas varia de R$ 15 mil a R$ 18 mil. Segundo o diretor, é preciso analisar a temperatura do local onde a obra será exposta, pois variações climáticas podem causar danos nas peças. “Toda obra que sai do museu precisa ficar embalada num ambiente estabilizado em vinte e dois graus”, informa.

Quando é solicitado o empréstimo de uma peça, quem arca com todos os custos é o interessado. Inclusive o serviço do courrier – pessoa do museu encarregada de acompanhar a obra até ser exposta e depois o seu retorno. “Uma vez na parede, em caso de quadros, a obra é de responsabilidade do pessoal da casa e o courrier volta pra cá. Quando a exposição é encerrada, ele volta pra buscar a obra”, explica Paulo Roberto.

NA PONTA DO LÁPIS - Cada mostra, organizada pelo MAC, não sai por menos de R$ 120 mil. “Nossa verba mensal é da ordem de R$ 400 mil pra pagar tudo o que se possa imaginar”, afirma. “Uma vantagem que temos sobre os outros museus é que pelo menos a mão de obra, que somos nós, é paga pelo Estado. Museus ou instituições particulares vivem na corda bamba porque sempre tem custos a pagar”, observa. Para o curador do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo), Felipe Chaimovich, o maior auxílio, por parte do Estado, vem da Lei Rouanet. “A gente vai atrás de patrocinadores para adquirir as obras. Os patrocinadores usam o recurso de abatimento de imposto garantido pela Lei Rouanet”, explica.

A ajuda do Governo também foi importante para que o artista Marcius Galan conseguisse expor uma obra no exterior. “Talvez, sem incentivo do governo, do Ministério da Cultura, eu não conseguiria ter ido pra Houston fazer meu trabalho lá”, conta Galan. O auxílio governamental consistia no pagamento da passagem para Houston, mediante a apresentação de um projeto, em que o artista expunha a importância de sua obra, da mostra que iria participar e do museu onde aconteceria a exposição.

Galan ainda não vive só de arte. “Eu trabalho como designer. Faço um monte de coisa. Porque pra mim é muito mais cômodo não depender só do mercado de arte”, conta o artista. “É algo que seria ótimo, mas eu não tento lutar pra que isso aconteça. Seria depender de algo que é instável. Eu fico mais seguro tendo os outros projetos”. No começo da carreira, a permuta era a forma de vender suas obras. “Eu trocava trabalho meu por molduras”, exemplifica.

Hoje o trabalho de Galan ultrapassa o limite das molduras. “Arte vai mudando e o mercado acaba absorvendo as coisas”, aponta. Algumas de suas obras são instalações  que se relacionam com a arquitetura. Um exemplo é Seção diagonal, que está em negociação com Museum of Fine Arts, de Houston.  Nesses casos de site specific, quem compra não leva o trabalho para casa, como um quadro, e sim o projeto. “Qualquer pessoa pode fazer aquele trabalho em qualquer lugar. São os trabalhos pouco convencionais que fazem a coleção ter uma força”, afirma.

Quem representa Marcius Galan, em São Paulo, é a galeria Luisa Strina. “A galeria tem o papel fundamental de inserção do artista no mercado”, diz. Akio Aoki, representante de vendas internacionais da Vermelho, concorda: “uma instituição que procura um jovem artista precisa de um filtro e o primeiro filtro é a galeria”. Quando a obra é comprada, normalmente, o valor da venda é dividido igualmente entre os dois. O preço, no caso de Galan, é determinado por um consenso entre ele e a galerista. “Faço uma lista com os preços que eu acho justos baseados nos trabalhos antigos e a Luísa fala se tá caro, se tá barato”, conta o artista.

Os valores negociados no mundo da arte podem causar espanto, mas como reza o velho ditado: “olhar não custa nada”. A entrada em galerias e em alguns museus, como o MAC, é franca. Outros, como o Masp e o MAM, tem pelo menos um dia na semana em que não é cobrado o ingresso.

esquinas # 45 (dinheiro) – online

#45 Esquinas Dinheiro Capa Foto: Karina Sérgio Gomes

Foto: Karina Sérgio Gomes

ele está
em TODA parte
HEITOR FERRAZ MELLO
Deus ou Diabo, não importa, o fato é que o dinheiro está intimamente ligado ao nosso cotidiano. Ninguém sai de casa sem gastar alguma coisa – desde a compra de uma passagem de ônibus até a de uma roupinha. E como a ocasião faz o comprador, saca-se o dinheiro da carteira (ou seu irmão virtual, o cartão). Não há dúvida de que o dinheiro permeia todas as relações sociais. Basta ficar quietinho, na hora do almoço, num dos tantos restaurantes a quilo da cidade, para ouvir a conversa da mesa ao lado. Fatalmente ele será o assunto, direta ou indiretamente. Nunca se usou tanto o verbo “comprar” ou “pagar”.
No final do ano passado, a estrutura econômica mundial ficou abalada com uma nova crise financeira. Desta vez, a bolha estourou nos Estados Unidos. Uma pedra neste lago de especulações cria ondas intensas para todos os lados. E todo o mercado internacional estremece. É o que está acontecendo. Diante desta nova crise, o capital mais uma vez procura saídas para garantir sua sobrevivência. Esta não é a primeira, nem será a última. O capitalismo
já incorporou entre suas perdas e ganhos estes momentos de crise. Para nós, da Esquinas, este é um momento oportuno para se tratar do assunto “dinheiro”. Os estudantes responsáveis pela revista me apresentaram, no começo do ano, duas propostas de temas. Uma era o “corpo”, a outra, o “dinheiro”. Não foi preciso pensar muito. Ele está na ordem do dia. Teríamos de enfrentar o discurso oficial e real do dinheiro, com todos seus jargões. No entanto, precisaríamos – dentro deste tema tão vasto – fazer algumas opções. As linhas possíveis de abordagem surgiram durante as reuniões internas de pauta, contando com a participação de vários alunos do curso de jornalismo.
Para mim, este número significou um grande desafio. Primeiro, sabia que não se-ria fácil substituir a professora Rosângela Petta, que tocou admiravelmente a revista durante três anos, colocando toda sua experiência profissional na confecção de cada um dos números que foram produzidos neste período. O segundo desafio era o assunto, ainda mais para alguém que não tem grande familiaridade com a área econômica – a não ser a intuitiva, que todos nós, frutos de um mundo capitalista, temos. No entanto, contei com a participação animada e intensa dos alunos. Aproveito, então, este editorial para parabenizar a equipe do Esquinas – Julia Alquéres, Karina Sérgio Gomes e Renata Miwa –, que tocou este número profissionalmente. Minha presença foi apenas a de um palpiteiro.

ele está em TODA parte

HEITOR FERRAZ MELLO

Deus ou Diabo, não importa, o fato é que o dinheiro está intimamente ligado ao nosso cotidiano. Ninguém sai de casa sem gastar alguma coisa – desde a compra de uma passagem de ônibus até a de uma roupinha. E como a ocasião faz o comprador, saca-se o dinheiro da carteira (ou seu irmão virtual, o cartão). Não há dúvida de que o dinheiro permeia todas as relações sociais. Basta ficar quietinho, na hora do almoço, num dos tantos restaurantes a quilo da cidade, para ouvir a conversa da mesa ao lado. Fatalmente ele será o assunto, direta ou indiretamente. Nunca se usou tanto o verbo “comprar” ou “pagar”.

No final do ano passado, a estrutura econômica mundial ficou abalada com uma nova crise financeira. Desta vez, a bolha estourou nos Estados Unidos. Uma pedra neste lago de especulações cria ondas intensas para todos os lados. E todo o mercado internacional estremece. É o que está acontecendo. Diante desta nova crise, o capital mais uma vez procura saídas para garantir sua sobrevivência. Esta não é a primeira, nem será a última. O capitalismo já incorporou entre suas perdas e ganhos estes momentos de crise. Para nós, da Esquinas, este é um momento oportuno para se tratar do assunto “dinheiro”. Os estudantes responsáveis pela revista me apresentaram, no começo do ano, duas propostas de temas. Uma era o “corpo”, a outra, o “dinheiro”. Não foi preciso pensar muito. Ele está na ordem do dia. Teríamos de enfrentar o discurso oficial e real do dinheiro, com todos seus jargões. No entanto, precisaríamos – dentro deste tema tão vasto – fazer algumas opções. As linhas possíveis de abordagem surgiram durante as reuniões internas de pauta, contando com a participação de vários alunos do curso de jornalismo.

Para mim, este número significou um grande desafio. Primeiro, sabia que não se-ria fácil substituir a professora Rosângela Petta, que tocou admiravelmente a revista durante três anos, colocando toda sua experiência profissional na confecção de cada um dos números que foram produzidos neste período. O segundo desafio era o assunto, ainda mais para alguém que não tem grande familiaridade com a área econômica – a não ser a intuitiva, que todos nós, frutos de um mundo capitalista, temos. No entanto, contei com a participação animada e intensa dos alunos. Aproveito, então, este editorial para parabenizar a equipe do Esquinas – Julia Alquéres, Karina Sérgio Gomes e Renata Miwa –, que tocou este número profissionalmente. Minha presença foi apenas a de um palpiteiro.

Veja a versão online

no meio do rio

No meio do caminho, entre a favela Real Parque e o Hotel Hilton, tem um monumento: a ponte Octávio Frias de Oliveira, ícone do atual centro financeiro de São Paulo

REPORTAGEM Julia Alquéres e Karina Sérgio Gomes (4o  ano de Jornalismo) IMAGEM Rafael de Queiroz (3o  ano de Jornalismo), Karina Sérgio Gomes e Tom Costa (4º ano de Jornalismo)

tomcosta_ponte

FOTOGRAFAR o novo símbolo de poder da cidade, a ponte Octávio Frias, mais conhecida como Ponte Estaiada, não foi tarefa fácil. Rafael de Queiroz visitou a favela Real Parque para saber por qual ângulo aquelas pessoas, que vivem com uma renda mensal que varia de um a três salários mínimos, veem o novo monumento paulistano de quase 138 metros de altura e que custou R$ 260 milhões.

Tom Costa subiu no mais alto dos prédios do condomínio onde também fica um dos hotéis mais luxuosos de São Paulo, o Hilton, cuja diária da Suíte Residencial, para uma pessoa, com vista para a ponte e seus 144 estais (cabos de sustentação), custa R$ 979.

Karina Sérgio Gomes visitou o local mais de uma vez para conseguir captar o exato tom de dourado que reflete nos prédios das Avenidas Nações Unidas e Engenheiro Luís Carlos Berrini, o novo centro financeiro da cidade, que desde os anos 1990 abriga as sedes de empresas multinacionais do setor terciário.

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O complexo viário liga a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Marginal Pinheiros no Brooklin, zona sul de São Paulo. Para os cerca de 6 mil moradores da favela do Real Parque,  que não possuem carro, a Ponte não tem serventia alguma. Já para os motoristas, se tornou uma nova opção de caminho. Em horários de pico, cerca de 1000 veículos atravessam a ponte por hora.

ponte_tomcosta

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esquinas – ilustrações

SAMBAIlust_KarinaSergioGomes

TRABALHO_Ilust_KarinaSergioGomes

fotojornalismo: informação e arte

[edição extra de 06 de julho de 2009]

O fotógrafo Cristiano Mascaro, o editor de fotografia d’O Estado de S. Paulo, Eduardo Nicolau, e o pessoal da Cia de Foto falam sobre fotografia, jornalismo, arte e o uso do photoshop. 

[ps: ainda estou de licença tcc.]

Para arte é preciso tempo

[Cobertura do I Congresso de Jornalismo Cultural, mesa sobre Artes Plásticas, para o Site de Jornalismo]

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Artistas mostram que entendem melhor o papel da crítica do que o jornalista

A mesa, presidida pelo editor executivo da Editora Martins Fontes, Alexandre Martins Fontes, era composta pelos artistas plásticos Ana Maria Tavares e Paulo Pasta, pelo jornalista da Folha de S. Paulo Fábio Cypriano e pelo designer gráfico Rico Lins, que comentaram sobre o papel da crítica de arte no I Congresso de Jornalismo Cultural.

Quem abriu o debate foi Fábio Cypriano, comentando sobre a “complacência que existe no jornalismo cultural”. Para ele, o rigor que existe no jornalismo político também deveria existir no cultural. No entanto, segundo o jornalista, a área é vista como entretenimento. “Alguns veículos não querem que a crítica se aprofunde, só querem que se fale bem. O leitor é tratado como ingênuo”, comentou.

A segunda a falar foi a artista plástica Ana Maria Tavares, que preferiu ler um texto de sua autoria, no qual lembrava o surgimento da crítica de arte e a presença do gênero nos séculos passados. Discursou também sobre a batalha dos artistas brasileiros das décadas de 1960 e 70, os quais aprenderam, eles mesmos, a escrever sobre seus trabalhos, pois não havia uma crítica que fizesse. De acordo com Tavares, o papel do crítico não apenas de “criticar, mas de refletir arte”.

Depois do discurso da artista, Paulo Pasta comentou humildemente que só tinha alguns apontamentos sobre o assunto. E foi o que melhor definiu a questão do jornalismo, o artista e a crítica. Pasta observou a “fragilidade do jornalismo”, que, por conta do imediatismo, acaba não se aprofundando em nada. Por isso, segundo ele, o jornalista, que teria o papel de crítico, não consegue refletir sobre arte para escrever.

Pasta também ressaltou que arte nem sempre é ruptura, também é uma continuidade, e que o jornalista não entende muito bem isso: “O jornal acha que tudo está acabando”, disse criticando aqueles que sempre esperam algo totalmente inédito quando vai a uma exposição. E ainda definiu o que seria a figura do critico de arte: “o critico não é aquele que se coloca entre o artista e a obra, é aquele que se põe ao lado do artista. Que acompanha o trabalho dele.”

Para encerrar as apresentações antes de ir para as perguntas, foi dada a palavra ao designer Lins Rico, que comentou: “eu estou me vendo como um estanho aqui.” Rico falou sobre seu trabalho de designer e sua nova exposição que abrirá no Instituto Tomie Ohtake.

Faltando 15 minutos para encerrar o encontro, o mediador Alexandre Martins Fontes fez uma pergunta da platéia para Cypriano: se ele se considerava um jornalista cultural ou um crítico? O jornalista respondeu que os dois, pois havia espaço para ser as duas coisas no jornal. “Eu faço reportagem cultural e assino no jornal como ‘da reportagem local’, mas também ponho lá as estrelinhas como crítico”, respondeu. E foi questionado pela platéia: “Para você, crítica de arte é pôr estrelinhas?” O jornalista disse que não, mas essa era uma das formas de avaliar da Folha.

Em seguida, Martins Fontes perguntou aos presentes na mesa se eles achavam que a imprensa influenciava o valor monetário das obras de arte. Cypriano e Ana Maria Tavares concordaram que não. Paulo Pasta observou que depende: “no Brasil, não. Mas a crítica feita em alguns países da Europa, por exemplo, pode influenciar, sim.”

sérgio romagnolo – o corpo denso da imagem

[Reportagem para o programa Edição Extra]

os melhores museus de são paulo

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Pinacoteca: octógono. Foto: K. Sérgio Gomes

A última edição da revista Época São Paulo foi um especial o melhor de São Paulo. Mas para poder ter esse título falou uma coisa muito importante: os museus. Utilizando as palavras de uma colega minha, eu sou rata de museu. A-d-o-r-o. Passo a maioria das tardes dos meus fins de semana neles. Grande foi minha felicidade quando a editora, então, de atrações do Guia Quatro Rodas, Gabriela, me incumbiu a tarefa de fazer a pesquisa dos centros culturais, parques, igrejas, construções históricas e, claro, museus (!!!!) para o Guia Brasil 2009 (já nas bancas, não deixe de comprar o seu!). Durante um mês, visitei cerca de cinco atrações por tarde. Uma maratona cultural muito prazerosa. Graças a esse trabalho sinto-me à vontade para dar esse serviço que faltou nessa edição da revista aos leitores desse humilde blog.

Os melhores museus de São Paulo (segundo K.)

1. Empate técnico: Masp e Pinacoteca do Estado

Se você não tem tempo ($$$) para ir à Europa ver de perto um Rafael, um Picasso, um Matisse, um Van Gogh, um Miró, um Renoir, um Degas… e por aí vai. O Masp engana bem! O acervo foi recentemente todo reorganizado por temas, e os textos explicativos de parede são ótimos,  o que dispensa a cia dos meus queridos educadores. Indico ir às terças-feiras, quando a entrada é franca. Porque o Museu ostenta, junto ao merecido aposto de melhor acervo da América Latina, a qualidade de entrada mais cara: R$ 15! [Av. Paulista, 1578 (Cerqueira César), tel: (11) 3251-5644. 3ª/4ª 11h/17h, 5ª 11h/19h e 6ª/dom]

Mas se você não liga muito para arte européia, quer mesmo ver arte brasileira em um prédio elegantéééérimo, e excelentes exposições temporárias. A Pinacoteca do Estado é a pedida! E o precinho é camarada, R$ 4, e dá direito a entrada na Estação Pinacoteca, que abriga a ótima coleção Nemirovsky. [Pça. da Luz, 2 (Luz), tel: (11) 3324-1000. 3ª/dom 10h/17h30]

2. Museu da Língua Portuguesa

Vá aos domingos e com uma bolsa cheia de paciência. No local, reina a criançada enlouquecida para interagir com tudo que o museu dá direito. [Praça da Luz, s/nº, tel: (11) 3326-0775. 3ª/dom 10h/17h. R$ 4]

3. Fundação Cultural Ema Gordon Klabin

Aquilo é que era mulher! A casa da D. Ema, no Jardim Europa, foi construída especialmente para receber a sua coleção de arte. E que coleção!!! Quadros de Chagall dividem espaço com uma escultura de Brecheret, pinturas de Di Cavalcanti e Portinari, um vaso grego de 6 séculos a.C., e muito mais. Agende já a sua visita! [Rua Portugal, tel: (11) 3062-5245, 3ª/5ª/6ª 14h, 15h ou 16 e sáb 10h, 11h30 e 14h. R$ 10]

4. Museu de Arte Contemporânea

O acervo era do casal Ciccillo e Yolanda Matarazzo, então, além de arte contemporânea, excelentes obras de arte moderna fazem parte. O prédio na cidade universitária fica responsável por abrigar mostras mais ligadas a arte moderna e o imperdível Gabinete de Papel – gavetas com desenhos de vários artistas como Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. No anexo do Prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, sempre há boas exposições de arte contemporânea – aquelas que fazem você refletir: o que é arte mesmo? [R. da Reitoria, 160 (Cid. Universitária), tel: (11) 3091-3039. 3ª/6ª 10h/18h, sáb/dom 10h/16h. Grátis]

5. Museu de Arte Moderna

Ele não aparece nessa ordem no Guia, no entanto, devido à exposição que está em cartaz até 21/12, ele merece aparecer entre os cincos, nessa relação. O prédio, na marquise do Ibirapuera, é pequeno e com o pé direito bem baixo, mas é muito charmoso e aconchegante. Não deixe de ver a retrospectiva MAM 60 anos, que ocupa também a Oca. [Av. Pedro Álvares Cabral (entrada pelo portão 3 do Prq. do Ibirapuera), tel: (11) 5085-1300. 3ª/dom 10h]

007 à manger

[Entrevista com o crítico de gastrônomia Ricardo Castanho para 44ª edição da revista  Esquinas SP (PDF -- errata: o restaurante é Buchada do Gago, não do Gato como saiu na publicação. Abaixo está corrigido)]

Ricardo Castanho, crítico e editor de gastronomia do Guia Quatro Rodas, conta como fez 1900 refeições sem ser notado

Às 13h30, Ricardo Castanho chega, sem despertaratenção, para avaliar mais um restaurante. Como um agente secreto, que não pode ser identificado durante a operação, ele escolhe uma mesa tranqüila,pede o cardápio e analisa a especialidade do local. Antes de dar as primeiras garfadas, o crítico analisa a apresentação do prato. Depois, checa se a temperatura da comida está adequada. Os ingredientes devem estar quentes e colocados sobre recipiente aquecido.Por fim, experimenta. Castanho pega os talheres e cutuca, corta, olha, reolha e põe na boca. Mastiga, mastiga, pensa, mastiga, reflete. Come os ingredientes separados, depois todos juntos, para avaliar a harmonia do conjunto. Com essa investigação minuciosa, ele consegue perceber quais são os erros e os acertos.
Ricardo Castanho trabalha há dez anos no Guia Quatro Rodas e há quatro é editor de gastronomia. Apesar de já ter feito cerca de 1900 refeições profissionalmente, diz que não cansou da atividade: “Não canso nem de avaliar nem de fazer isso socialmente”. Com exceção dos olhos azuis, o crítico não revela seu rosto aos leitores. O anonimato garante que ele seja atendido como qualquer outra pessoa. “É importante comer a mesma comida que qualquercliente comum comeria, para saber a qualidade”, ressalta. Castanho falou à ESQUINAS sobre quais os critérios de avaliação de um crítico de restaurantes.

Esquinas O que é ser um crítico de restaurantes?
Ricar do Castanho É ir comer antes e indicar para as pessoas o que comer depois. Um crítico honesto faz isso sempre de maneira anônima. Chega sem avisar no restaurante, faz a refeição como qualquer cliente comum para conseguir captar uma idéia da qualidade da comida. Mas você só consegue ter essa idéia visitando e revisitando o lugar. Você tem momentos diferentes no mesmo restaurante, às vezes, muito bons, às vezes ruins e para chegar a uma média do lugar só indo várias e várias vezes. ESQUINAS Qual foi sua preparação para se tornar crítico de gastronomia? CASTANHO Eu já era há quatro anos repórter do Guia Quatro Rodas quando assumi a editoria. E sempre gostei muito mais de avaliar restaurantes do que hotéis e atrações. Talvez muito mais do que eu tenha aprendido em livros, leituras especializadas, a melhor escola foi esse trabalho no Guia. Primeiro, por ter referências de uma mesma coisa exaustivamente, o que é muito bacana para você estipular o que é o padrão de excelência de cada produto. Segundo, ter a chance de comer receitas no local de origem, de onde vinham os ingredientes, de onde as pessoas tinham o domínio de fazer a receita há gerações. E o maior aprendizado veio do contato diário com chefs e donos de restaurantes, pois com as visitas à cozinha, que como repórter eu tinha que fazer, acabei aprendendo muito com a experiência prática desses profissionais.

ESQUINAS Antes de ser crítico, tinha muita coisa quevocê não gostava de comer?
CASTANHO Quando entrei no Guia tinha. Não gostava de nada com jiló, que eu passei a gostar comendo boas receitas com o ingrediente no Nordeste. Quiabo eu também não curtia muito, mas comi boas receitas em Minas Gerais, por exemplo. Aprendi que não existe
comida ruim, existe comida mal feita.

ESQUINAS Ainda há algo que você não goste?
CASTANHO Tem coisas que eu não comeria com muita freqüência. Mas que eu diga que não gosto, nenhuma.

ESQUINAS E o que você não comeria com frequência?
CASTANHO Buchada de bode, por exemplo. Porque é um prato pesado e não é muito bem-feito geralmente. E acho que continuaria não comendo muito jiló e quiabo. Mas eu já comi muito essas coisas e minhas preferências não influenciam a minha avaliação. Pelo contrário, se este ingrediente estiver presente e for bem utilizado, acho que até melhora minha opinião
em relação ao cozinheiro.

ESQUINAS Onde você aprendeu a comer esses alimentos que não faziam parte do seu dia-a-dia?
CASTANHO O jiló eu não consigo me lembrar. Quiabo, eu comi um ótimo num restaurante chamado Xapuri, em Belo Horizonte. Buchada de bode era uma coisa que eu não esperava comer na vida. Mas comi uma, na Buchada do Gago, na periferia de Garanhuns, que eu fiquei emocionado. Porque uma das coisas mais felizes da vida de um crítico é comer uma receita difícil, de alguém que você não espera que vá sair algo muito bom, e se surpreender com isso. É uma emoção acima de comer até num restaurante três estrelas [classificação máxima para um restaurante].

ESQUINAS O que é essa emoção? O que você sente?
CASTANHO É quando você se surpreende comendo uma receita. O que não está ligado a comer algo diferente, muito complexo. Às vezes, pode ser uma coisa prosaica, super simples, mas que tem um elemento que foge do comum, que provoca uma sensação que você não está acostumado a sentir. Uma das últimas vezes que eu me emocionei foi no Kinoshita [restaurante japonês, em São Paulo]. Comi um camarão inteiro, grelhado, só temperado com sal. O chef colocou o camarão na minha frente e disse que tinha sido pescado naquela manhã. É comum dizerem isso, mas, na boca, eu ia saber se era verdade. Quando eu o coloquei na boca, estava com um frescor, assim, estúpido. É um tanto prosaico, mas para quem está acostumado a encontrar camarão congelado, com gosto de geladeira, comer só o camarão, com o sabor real, sabor de camarão, sem nenhum tempero, ou molho para enganar o cliente. Isso é uma coisa emocionante.

ESQUINAS Qual foi a melhor refeição que você já fez?
CASTANHO É difícil dizer a melhor refeição que eu fiz. Fiz várias ótimas. Eu brinco que há refeições que me levaram às lagrimas. Sabe quando você come quase chorando? Comi muito bem nos restaurantes três estrelas, indicados no Guia Quatro Rodas. É difícil dizer qual é a mais tocante. Mas não está ligado a comer em lugares caros ou chiques. A buchada de bode, da Buchada do Gago mesmo, foi uma das refeições mais emocionantes que já fiz, e é um lugar simples e que paguei super barato pela refeição, acho que uns R$ 5 pela buchada e uma garrafa de água.

ESQUINAS Qual foi a que mais lhe decepcionou?
CASTANHO Várias me decepcionam. Mas o que mais me decepciona, hoje, é comer em restaurantes em que a comida é muito ruim e você paga muito caro.Acho que a grande decepção, não só para mim, como crítico, mas para todas as pessoas é pagar muito caro por uma comida medíocre. Eu acho que isso acontece muito, especialmente aqui, em São Paulo, o principal pólo gastronômico do Brasil. Eu já comi muito mal em várias regiões do Brasil, mas aqui também.

ESQUINAS Você que está acostumado com a alta gastronomia, também vai a restaurantes fast-food?
CASTANHO De vez em quando [risos]. Até por força da necessidade. A gente vive no mundo em que cada vez as pessoas têm menos tempo para se alimentar. O pior é que as pessoas comem, cada vez mais, de forma automática, apenas para saciar a necessidade primária de se alimentar, ter energia para viver. E acabam fazendo isso sem muita reflexão sobre o que estão comendo. Acho que esse é o grande inimigo do restaurante e das pessoas, que ficam menos rigorosas com o que comem, dando espaço para quem cozinha mal e que tem produto ruim.

ESQUINAS Você consegue desligar o seu lado de crítico quando não está avaliando?
CASTANHO É uma coisa que acaba tomando conta de você. Você põe o garfo na boca e as referências vêm, por mais que seja a comida da minha mãe. O que não significa que eu não vou gostar da comida dela. Afinal, é a comida da minha mãe, com a cara dela, com o sabor dos temperos que ela costuma usar. Eu não deixo de gostar, mas eu consigo separar. Apesar de, às vezes, pensar: “Poxa, mas o camarão podia ser de melhor qualidade, né, mãe?” [risos].

ESQUINAS Afinal, depois de tantas refeições, o que é comer para você?
CASTANHO Muito prazer. Mesmo a trabalho. Não canso nem de avaliar nem de comer socialmente.

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