a última gravação de krapp e um ato sem palavras 1
a última gravação de krapp
Alô, alô! Planeta Terra chamando, planeta Terra chamando! Essa é mais uma edição do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do mundo da lua…

Para quem tem mais ou menos a minha idade, a fala acima é muito próxima, chega a ser nostálgica. Especialmente para alguém que teve seu primeiro gravador gradiente, e hoje, como jornalista, o gravador é um dos objetos mais importantes (junto com uma caneta bic preta e bloquinho de anotações).
Talvez por toda essas circunstâncias, a história de Krapp tenha me tocado. Claro que as minhas memórias com o gravador nada têm a ver com a história da personagem de Beckett. Krap é um homem só. Completamente só. E agora, velho, só tem suas gravações para lhe fazer companhia. Seu único diálogo é consigo, com seu passado. Tal afastamento e reclusão ganham ainda mais força com o cenário de Fernando Melo da Costa. Uma tenda isola o artista do palco e o afasta ainda mais do público. Não restando dúvidas que Krapp está só. Reouvindo suas memórias.
um ato sem palavras 1
Uma luz ofusca a visão. Uma luz forte assim como eu imagino que seja a luz do deserto. Sérgio Brito vive no palco aquilo que foi meu pesadelo durante anos. A impossibilidade de pegar uma garrafa d’água que está muito perto. Esse ato sem palavras chega a ser muito mais expressivo do que o monólogo anterior. E me faltam palavras para explicar o quão forte é.
É arte: a vigoridade de Sérgio Britto. O ator tem 85 anos, mas você só lembra disso no fim do espetáculo quando ele se mostra visivelmente esgotado.
É fato: essa foi a primeira peça de Beckett que vi. Agora eu entendi porque eu nunca consegui ler suas peças, e nunca foi por falta de tentar.
:: A Última Gravação de Krapp e Ato sem Palavras 1, de Samuel Beckett. Drireção: Isabel Cavalcanti. Com Sérgio Britto. Sesc Santana: Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana – Norte. Tel. 2971-8700. R$ 5 a R$ 20 .

















:: na palavra de outros