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Posts Etiquetados ‘áudio’

feriado = ficar em casa

 

 O crítico inglês Kenneth Tynan dizia que a cidade onde nasceu era um “cemitério sem muros”. E para mim, a cidade onde moro hoje (Barueri) é, com toda certeza do mundo, um “cemitério sem muros”. Então, nesses dias de feriado, que o povo todo viaja, eu decidi me esquecer em casa. Cinema ficou por conta dos filmes alugados do catálogo da locadora perto de casa: Perfume de Mulher, Paris Texas, Pulp Fiction, O Mesmo Amor, A Mesma Chuva, Obrigado por Fumar e Harry Potter & Ordem da Fênix (tá pensando o quê? Eu também curto um blockbuster).

 

 

 Entre uma sessão sofá e outra, rola uma disco. Reinvento todas as coreografias que John Travolta me ensinou nos Embalos de Sábado à Noite. E já que eu não tenho um Al Pacino para me conduzir [vídeo], enquanto limpo o quarto arrisco uns passos de tango com a vassoura, mas ao som de Gato Barbieri.

  

 

À noite antes de dormir, faço um bico como enfermeira do Chico Buarque, que chora sobre o Leite Derramado para mim.

 

 

 

 

Até que passar o feriadão sem sair de casa não é tão ruim, né?

rogério rochlitz – cores

Eu sei que todos já estão cansados de me ouvir falar na sigla tcc. Mas as descobertas são sempre tão boas que sinto vontade de compartilhar com todos. Por exemplo, o cd Cores, de Rogério Rochlitz, o qual ele me deu porque  a capa foi ilustrada por Regina Silveira. Rogério é músico e já fez a trilha de alguns trabalho da artista,  como Lunar e Mil e um dias, por isso o entrevistei. Além da entrevista ter sido produtiva, o cd foi um ótimo presente.

Nunca fui muito fã de música instrumental, mas desde que o Yann Tiersen apareceu na minha vida, gosto cada vez de ouvir só as vozes dos intrumentos e outras experimentações de som. Cores tem algo do Hermeto Pascoal, da valsa de Tom e das Bachianas de Villa-Lobos — especialmente em Filarmônica Chipônia. E não teve como não lembrar do chorinho Atraente e dos maxixes de Chiquinha Gonzaga quando ouvi Mashish.

Cores é daqueles cds de que você gosta da primeira a última faixa e coloca no repeat para ouvir tudo de novo várias vezes seguidas.

É arte: e eu não diria o contrário, a capa do cd ilustrada por Regina Silveira [abaixo]. Detalhe: a silhueta é a mão da própria artista.

rogeriorochlitz-cores

É fato: eu acho Cores um trabalho mais maduro do que Carro de Boy (disponível para download), lançado em 2004. Gostei muito de Mendocina Uno, que tem uma pegada mais romântica de filmes da década de 40, mas o que predomina no cd são composições de influência nordestina.

:: Cores, de Rogério Rochlitz. 2008. Instrumental. S/Preço

maysa – quando fala o coração

Eu nada conheço sobre a Maysa. Até uma das músicas mais famosas dela eu já recitei errado. Pior, uma pessoa ouviu e me colocou nas lista de frases (gafes) da redação. Ok, foi merecido. Quem mandou dizer “Meu muro caiu”, no lugar de mundo, e ainda repetir achando que estava certa?

Assim que vi o comercial da minissérie eu tinha certeza de que não queria ver. A história de uma cantora que não conheço, não gosto do tipo de música, de subtítulo brega (ah, convenhamos, “quando fala o coração” é muito brega) e ainda dirigida pelo melodramático Jayme Monjardim, eram motivos mais que suficientes para eu dormir mais cedo. Mas a notícia de que teria apenas nove capítulos me animou (tá, confesso: não resisto a uma minissérie também).

Domingo, passei a tarde ouvindo Maysa para ver se gostava de algo. NADA. Definitivamente eu não gosto do excesso da música dela. A voz grave demais, muito drama (e olha que eu adoro um drama), muita dor. Essa história de cantar “a minha dor” não me emociona, não me faz querer ouvir de novo e de novo. Gostei apenas de umas melodias mais próximas de sambas de algumas músicas de 1974, como Você abusou [abaixo], que eu já gostava em uma interpretação mais sambão mesmo.

Mas voltando à minissérie, o primeiro capítulo me agradou e estou impressionada com o trabalho de voz de Larissa Maciel. É completamente outra voz! Não tem nada do sotaque gaúcho, nem da voz mais aguda da atriz. E sobre a Maysa, mulher, eu vou deixar para falar quando terminar a minissérie. Mas já gosto e desgosto de alguns traços da personalidade dela. Quem sabe depois do nono capítulo a cantora passe a me agradar.

último tango em paris – trilha sonora

Num dia, em que eu não sabia o que ouvir, entrei num site x de música e cliquei no primeiro CD que apareceu. Era a trilha sonora de Último tango em Paris, que, desde então, escuto todos os dias. Eu ainda não vi o filme (agora eu já vi o filme) – no entanto, já me alertaram para eu tirar meus pais e as crianças da sala –, mas a trilha sonora é daquelas de ouvir de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, e de novo, e não cansar. Composta pelo músico argentino Gato Barbeire, a trilha ganhou o Grammy de melhor música instrumental de 1973.

Eu não entendo muito de música, mas eu acredito que som bom é aquele que entra pelos ouvidos e faz você fechar os olhos, balançar a cabeça no compasso, sentir arrepios e vontade de dançar mesmo sem saber. E foi mais ou mesmo isso que aconteceu quando eu ouvi (acima) a faixa homima do cd Last Tango in Paris.

É arte: a cena de Marlon Brando e Maria Schneider (que eu vi no youtube) “dançando” tango completamente bêbados.

É fato (ou boato): existe uma cópia que contém as quatro horas originais do filme, e que proavelmente foi vista por Gato Barbieri para decidir em quais partes do filme colacaria as músicas.

:: Último tango em Paris – Trilha Sonora, de Gato Barbieri. 1972. Varense Record. US$ 40.