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Posts Etiquetados ‘bienal’

são paulo: 455 anos

Eu, que nasci em seu pulmão (Ibirapuera) e estudo na sua carteira ( Av. Paulista), apresento para vocês a minha São Paulo:

 

silhueta

reflexos da beleza

a ponte [japonesa]

estação da luz

catedral da sé

copan

banespão

Podem dizer que ela é feia, mal-cuidada, o caos. Mas nenhuma outra cidade me explica ou me entende melhor. São Paulo é linda! Basta saber olhar…

28ª bienal: considerações

Como comentei sobre a 28º Bienal Internacional desde quando apareceu na mídia a idéia, lançada por Ivo Mesquita, da Bienal do vazio, me sinto na obrigação de finalizar o assunto para os três queridos leitores fiéis desse blog e para os outros, também queridos, visitantes que passam por aqui.

Fui à Bienal 3 vezes: a primeira antes da abertura, quando tudo ainda estava sendo montado; a segunda, no dia da abertura; e a terceira junto com a minha queridíssima amiga Mariana, num sábado comum. Li boa parte das notícias do evento e quase toda semana consegui pegar um 28b para conferir o que rolou e o que rolaria. Passado as setes semanas da exposição, tiro as seguintes considerações (preparem-se: será longo, porém, divididos em tópicos):

Tucanaram o vazio

Planta Livre, também chamada de vazio

Eu gostava muito da idéia do vazio representar a crise financeira da Fundação. Mas com a proximidade da inauguração do evento, o vazio virou a possibilidade de mostrar a arquitetura moderna de Oscar Niemeyer. HELLOOO!!! Não sou contra o vazio, concordo com ele estar ali para representar a falta de verba, a corrupção etc. Pensei que ele estivesse ali para uma reflexão sobre o evento, sobre o excesso de tudo (consumo, informação, violência…) que vivemos hoje, e não para uma mera contemplação arquitetônica. Ok, contemple, mas também reflita.  Para encerrar o assunto, é melhor reproduzir a opinião de alguém entendido (e que também virou meu único assunto nos últimos meses e será por todo 2009), que respondeu muito bem a pergunta feita pelo jornal Folha de S. Paulo, O que colocar no vazio?

Não colocaria coisa alguma, o espaço vazio proposto deve mostrar ainda a que veio: se de um lado ele é conceitual, precisa manter-se mesmo vazio e funcionar como metáfora espacial de um ponto zero de atitudes e decisões, sem o que não ha espaço para renovação. De outro lado ele é um vazio físico, concretamente o espaço desocupado dos mil metros quadrados de um dos andares, dando presença apenas ao edifício ou a seus fantasmas. Este vazio arquitetônico é a própria corporificarão da circunstancia difícil de organizar um mega evento com prazos e recursos excessivamente curtos.
Entendi que Ivo Mesquita aceitou a curadoria desta Bienal para não deixar soçobrar uma instituição cuja importância e história ele respeita. Confio que a partir do que esta versão se propõe, como critica e reflexão com o olho no futuro, o vazio seja um lugar para a projeção de idéias conseqüentes das quais se possa extrair um modelo mais ativo, social e culturalmente.

Regina Silveira, artista
[Folha de S. Paulo, quarta-feira, 22 de outubro de 2008: [o que colocar no vazio?]]

Pichações: vandalismo ou arte?

ATAQUE AO VAZIO 3/15

ATAQUE AO VAZIO 3/15

 A ação de pichadores causou na Bienal. Depois do ato, a segurança foi reforçada e a tal idéia de interação foi reduzida. Ai que saco ter de enfrentar a fila para deixar a mochila no guarda volumes, passar pelo detector de metais, ser revistada pelas guardetes… Mas como diz meu pai: você tem de saber usar a liberdade que lhe é dada, senão ela é cortada. E a máxima: “por causa de uns, todos pagam o pato”, também pode ser usada nesse caso. Enfim, os pichadores, mandados por Rafael Guedes, foram lá tentar preencher o vazio de maneira insultuosa: quebraram vidros e picharam as paredes clamando por liberdade de expressão, arte para todos, contra o vazio etc. E o que os visitantes ganharam com isso: segurança redobrada e das pichações, que no mesmo dia foram removidas, só sobraram as notícias. Então, eu me pergunto e pergunto a vocês: será que isso é mesmo uma manifestação artística? Até que ponto isso é vandalismo ou é arte? E se esse tal Rafael se orgulha mesmo  de suas ações, por que ele mesmo não vai lá fazer suas pichações (ou sua arte) em vez de mandar jovens da periferia? Ainda reflito. Eu já tive o muro da minha casa pichado e não gostei nadinha. Sou sim, sem dúvidas, a favor da liberdade de expressão, mas sem perder o respeito.

Tamanho: P

obra da dupla mineira O Grivo

obra da dupla mineira O Grivo

 O tamanho da mostra, pra mim, foi ideal. Deu para aproveitar boa parte das obras dos 48 artistas. Eu não sei se estou ficando velha, mas exposições grandes demais me cansam e eu não consigo aproveitá-las direito. Então, quanto menor, melhor. Mas eu concordo que, quem planejava VER, deve ter ficado um pouco frustrado. A 28ª edição era mais para LER. Boa parte das obras tinha alguma ligação com o universo das letras, seja pelo tipo ou pela obra literária, como Double game, da Sophie Calle – a artista se apropriou do livro Leviatã, de Paul Auster. Acho bacana quando há essa ponte, seja com literatura, cinema, música, ou até mesmo com outras obras. E várias obras dessa Bienal propuseram a  interdisciplinaridade.

 

Pra que serve uma Bienal?

Esse era um dos motes defendidos pelos curadores a respeito do evento. Oras, é a mesma coisa que perguntar para que serve uma Mostra de cinema, uma Bienal do livro? A desculpa de que hoje há uma facilidade para se conseguir informação e por isso a função da Bienal está em xeque, chega a ser risível. Uma Bienal Internacional de Artes é um evento para as pessoas que gostam de artes visuais, assim como a Mostra de cinema é para quem gosta de filme, e a Bienal do livro ou a Flip, para quem curte literatura. Mas claro, se continuar sendo tratada dessa forma, será, sim, apenas mais uma mostra de arte, como os próprios curadores argumentaram. Apenas, não. É uma mostra de arte! E precisa ser bem-feita, pois a função já está no próprio nome: MOSTRA = MOSTRAR. É um evento que tem a finalidade de, a cada dois anos, MOSTRAR/REUNIR nomes das artes visuais, sejam eles já consagrados ou não. Acho essa discussão “para que serve uma Bienal” é muito mais vazia do que a “Planta Livre” (o vazio do segundo andar).

E o que é arte?

a roda de bicicleta, marcel duchamp
a roda de bicicleta, marcel duchamp

Essa discussão já deu pano pra manga. Mas em uma exposição em que um andar vazio é arte, um homem andar pelado é arte, um tobogã é arte e um ato de vandalismo, para alguns, foi considerado arte; não tem como não perguntar: o que é arte? Antônio Houais diz, dentre muitas rubricas, o seguinte:

1    filosofia: segundo tradição que remonta ao platonismo, habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional
15    estética: produção consciente de obras, formas ou objetos voltada para a concretização de um ideal de beleza e harmonia ou para a expressão da subjetividade humana

Mas achar uma resposta para essa pergunta é inútil. Porque, como definiu Oscar Wilde: “Toda arte é completamente inútil”. E Wassily Kandinsky, em Do Espiritual na Arte, já me ensinou:

Numa palavra: não existe mal maior do que a compreensão da arte.

Para Kandinsky, a arte tem de ser vivida, não explicada. Pois “uma palavra sem vida (uma etiqueta) toma o lugar de uma obra viva”. E depois ele diz: “A obra de arte é o espírito que, através da forma, fala, se manifesta, exerce uma influência, fecunda.”

E, para mim, isso também é a Bienal. Não tem de ter uma função, tem de existir e ser bem-feita. Porque nela os artistas se manifestam, o evento em si exerce uma influência, fecunda, em algumas pessoas, o interesse por arte — como em mim.

jornal na arte, arte no jornal

[Matéria para o Site de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero (30/10/2008)]

K. Sérgio Gomes

as duas primeiras edições do 28b. atrás: museumuseum, de mabe bethônico. clique na imagem para abrir a galeria de fotos

 Por Karina Sérgio Gomes, 3° ano de Jornalismo

  28b é distribuído gratuitamente às sextas-feiras junto ao jornal Metro 
 

Para que serve uma Bienal? Essa é a pergunta que a 28ª Bienal de São Paulo – “Em vivo Contato” tenta responder. E para refletir sobre a função de uma grande exposição como essa hoje em dia, a mostra traz, além do polêmico espaço vazio no segundo andar, ciclos de palestras e um jornal, o 28b.

A publicação, segundo Ivo Mesquita, curador dessa edição da Bienal, tem a função de expandir o público de visitantes: “Com o 28b pretendemos ampliar o serviço da Bienal. Ir além dos leitores de O Estado de S. Paulo e Folha.” O jornal está sendo distribuído gratuitamente junto com o jornal Metro, toda sexta-feira. A primeira edição saiu no dia 24 de outubro, e ao todo serão nove, que, se colecionadas, formarão também o catálogo da exposição.

O jornal não é apenas um relato da programação e eventos da mostra ou a reunião de ensaios e artigos sobre arte. A participação de alguns artistas na Bienal acontece, exatamente, em intervenções artísticas na publicação. Por exemplo, a história em quadrinhos Despachos da cidade sem retorno, da artista indiana Sarnath Banerjee; e os desenhos do argentino Nicolás Robbio, que estão sendo publicados nas edições.

Jornalismo e arte


E o jornalismo – seja devido ao formato de jornal ou a notícia – também está presente em outros trabalhos. A obra do chileno Carlos Navarrete, Archivo pessoal, é uma instalação em que o artista reúne cartas, desenho, mapas e recortes de jornal – de reportagens sobre bienais anteriores –, que trazem reflexões de Navarrete sobre a cidade de São Paulo a partir da sua experiência, tanto como artista quanto como visitante da Bienal de São Paulo. Outro exemplo é Museumuseu, da mineira Mabe Bethônico, que, em formato de jornal, pretende também discutir sobre a exposição e fazer um resgate do acervo da instituição.

Mas como o nome da 28ª edição da mostra já anuncia, “Em vivo contato”, muitos trabalhos pedem total interação do visitante e também se relacionam de maneira lúdica com o público, como os tobogãs do belga Carsten Höller, e o playground, da argentina Carla Zaccagnini, instalado no jardim próximo ao Pavilhão Ciccillio Matarazzo. Divertir, informar, interagir e refletir são as propostas dessa edição Bienal para preencher o vazio, seja o do 2º andar ou da mente humana.

Serviço
28ª Bienal de São Paulo – “Em vivo contato”
26 de outubro a 6 de dezembro de 2008
Terça a domingo das 10h às 22h
Parque do Ibirapuera, Portão 3
Tel. (11) 5576-7600

28ª bienal – vernissage e bastidores

[os recursos ainda são precários, mas eu estou aprendendo...]

O horário de abertura para imprensa era às 14h, mas só nos deixaram entrar às 15h. E descobrir qual era a entrada foi um sacrifício. Todo segurança dizia para tentar a próxima, então, você dava a volta no prédio todo e não consegui encontrar a porta certa. Enquanto isso, conversei com um povinho com quem eu adoro trocar uma idéia: os educadores de exposição. Eles me contaram que todo o processo para a seleção da ação educativa foi muito rápido, mais ou menos assim: mandaram o currículo num dia, no seguinte, foram chamados para entrevista, e, no outro, já tiveram que comparecer à Fundação para as palestra com os artistas. Situação que ilustra a maneira como foi organizada essa Bienal: às pressas.

Durante a espera, descobri: já começaram a vandalizar a Bienal. Alguém, não se sabe como, não se sabe quem, colou adesivos em várias colunas do andar: Planta Livre, tentado preencher o vazio. Por conta disso, a segurança foi reforçada e aos educadores foi recomendado que prestassem o dobro de atenção em qualquer movimentação suspeita. Mas quando liberaram para a imprensa poder circular pelo prédio, por volta das 15h30, já estava tudo limpo – o que talvez justifique o atraso. Porque atraso do curador não foi, cruzei com o Ivo Mesquita chegando, por volta de 12h30, com seu já tradicional tênis laranja e uma sacola – dessas de feira – na mão, andando apressado em direção ao prédio.

Após a cerimônia de abertura, que contou com a presença de autoridades como o Secretário da Cultura, José Sayad, e o subprefeito Andrea Matarazzo, os convidados e a imprensa puderam visitar a Bienal. Eu ainda não consegui ver tudo direitinho, pois não pude ficar muito tempo devido às minhas obrigações acadêmicas, que me esperavam. Mas vc poderá  conferir parte das minhas peripécias no vídeo que postarei. Aguarde! acima. 

 PS – Tentei mandar mensagens pelo twitter sobre o que estava acontecendo, mas o único computador, que havia na sala de impressa, não tinha conexão.

28ª bienal – vivo contato: coletiva de imprensa

resumo da bienal

resumo da bienal

Ivo Mesquita foi conduzido de cadeira de rodas, até o auditório da Bienal, pela curadora Ana Paula Cohen. Visto que nenhum jornalista, ali dentro, deu atenção ao fato,  Ivo olhou a platéia por um tempo, se levantou da cadeira e saiu mancando.  Essa poderia ser a maior notícia da coletiva, pois quase nada de diferente do que saiu na mídia recentemente foi dito: que essa bienal, ao contrário do que dizem, não é uma bienal do vazio; todos assumem que há uma crise institucional e financeira, mas Ivo Mesquita, Ana Paula Coen, Jacopo Crivelli Visconti e Manoel Francisco Pires da Costa evitaram falar sobre o assunto, voltando sempre no argumento de que a Bienal é um modelo a ser repensado; blablablá…
A única novidade, pelo menos para mim, foi a resposta de Ana Paula Cohen a uma jornalista da Folha Online, que perguntou se eles temem algum tipo de vandalismo, como o que aconteceu na galeria Choque Cultural. Ana Paula disse que não só temem, como já sabem, que o mesmo “artista” que organizou o ataque à galeria e à Faculdade Belas Artes, também está tramando uma de suas manifestações na Bienal. Segundo as informações da curadora, ele planeja pichar todo prédio e também todas as obras dentro. Mas os curadores afirmam que já tomaram as precauções necessárias.
Depois da coletiva, fomos visitar o prédio. Eu pensava que já veria a Bienal praticamente montada. Mas não foi isso o que eu vi. Pronto, mesmo, só estava o vazio do segundo andar, o tobogã do Höller, os quadros de Allan Mc Collum e outras poucas obras. Eram as caixas, como a da foto, que predominavam no espaço. Vamos ver como estará amanhã.

 

 

lista de artistas da 28ª bienal

Em outros dois post, que já foram para gaveteiro [memória de bienais e #2], comentei sobre a minhas visitas a bienais e minha opinião sobre a que está por vir. Hoje, o site da Fundação Bienal divulgou a lista dos quarenta artistas convidados:

1- Alexander Pilis (Rio de Janeiro, Brasil, 1954. Vive em Barcelona)
2- Allan McCollum (Los Angeles, EUA, 1944. Vive em Nova York)
3- Ângela Ferreira (Maputo, Moçambique, 1958. Vive em Lisboa)
4- Armin Linke (Milão, Itália, 1966. Vive em Milão)
5- assume vivid astro focus (Formado em 2000. Baseado em Nova York e Paris)
6- Carla Zaccagnini (Buenos Aires, Argentina, 1973. Vive em São Paulo)
7- Carlos Navarrete (Santiago, Chile, 1968. Vive em Santiago)
8- Carsten Höller (Bruxelas, Bélgica, 1961. Vive em Estocolmo)
9- Cristina Lucas (Jaén, Espanha, 1973. Vive em Madri)
10-  Dora Longo Bahia (São Paulo, Brasil, 1961. Vive em São Paulo)
11-  Eija-Liisa Ahtila (Hämeenlinna, Finlândia, 1959. Vive em Helsinque)
12-  Erick Beltrán (Cidade do México, México, 1974. Vive em Barcelona)
13-  Fernando Bryce (Lima, Peru, 1965. Vive em Berlim)
14-  Fischerspooner (Formado em Nova York, EUA, 1998. Vivem em Nova York)
15-  Gabriel Sierra (San Juan de Nepomuceno, Colômbia, 1975. Vive em Bogotá)
16-  Goldin+Senneby (Formado em Estocolmo, Suécia, 2004. Vivem em Estocolmo)
17-  Iran do Espírito Santo (Mococa, Brasil, 1963. Vive em São Paulo)
18-  Israel Galván (Sevilha, Espanha, 1973. Vive em Sevilha)
19-  Javier Peñafiel (Zaragoza, Espanha, 1964. Vive em Barcelona)
20-  João Modé (Resende, Brasil, 1961. Vive no Rio de Janeiro)
21-  Joan Jonas (Nova Iorque, EUA, 1936. Vive em Nova York)
22-  Joe Sheehan (Nelson, Nova Zelândia, 1976. Vive em Wellington)
23-  Leya Mira Brander (São Paulo, Brasil, 1976. Vive em São Paulo)
24-  Los Super Elegantes (Formado em San Francisco, EUA, 1995. Vivem em Los Angeles)
25-  Mabe Bethônico (Belo Horizonte, Brasil, 1966. Vive em Belo Horizonte)
26-  Marina Abramović (Belgrado, ex-Iugoslávia, 1946. Vive em Nova York)
27-  Matt Mullican (Santa Mônica, EUA, 1951. Vive em Nova York)
28-  Maurício Ianês (Santos, Brasil, 1973. Vive em São Paulo)
29-  Mircea Cantor (Oradea, Romênia, 1977. Vive em Paris)
30-  Nicolás Robbio (Mar Del Plata, Argentina, 1975. Vive em São Paulo)
31-  O Grivo (Formado em Belo Horizonte, Brasil, 1990. Vivem em Belo Horizonte)
32-  Paul Ramirez Jonas (Pomona, EUA, 1965. Vive em Nova York)
33-  Peter Friedl (Oberneukirchen, Áustria, 1960. Vive em Oberneukirchen)
34-  Rivane Neuenschwander (Belo Horizonte, Brasil, 1967. Vive em Belo Horizonte)
35-  Rodrigo Bueno (São Paulo, Brasil, 1967. Vive em São Paulo)
36-  Rubens Mano (São Paulo, Brasil, 1960. Vive em São Paulo)
37-  Sarnath Banerjee (Calcutá, Índia, 1972. Vive em Nova Délhi)
38-  Sophie Calle (Paris, França, 1953. Vive em Paris)
39-  Valeska Soares (Belo Horizonte, Brasil, 1957. Vive em Nova York)
40-  Vasco Araújo (Lisboa, Portugal, 1975. Vive em Lisboa)

Mais informações nos próximos posts.

O tímido polêmico

[Perfil para a matéria de Jornalismo Cultural da Faculdade Cásper Líbero]

 

Entre as 12 montanhas, obra de Guilherme Teixeira, o artista plástico Héctor Zamora nos convidou a se sentar no chão para começarmos a entrevista.

 

Por Camila Taira e Karina Sérgio Gomes

 

O nome da galeria: Vermelho. A fachada: vermelha. Sobre a porta a palavra: Vermello – nome da mostra da artista argentina Ivana Vollaro sobre o portunhol [leia o box abaixo]. A estranha grafia da cor era só uma pista de que, ali, o português seria apenas uma das línguas faladas. Somos atendidas em português. Passamos por um grupo que conversava em inglês. E ao encontrarmos com o entrevistado, ouvimos um melódico: Holla, como vás? O cumprimento veio do artista plástico Héctor Zamora, 34 anos, nascido na Cidade do México e estabelecido no Brasil desde 2006.

 

De inconfundível estilo latino – moreno, cabelo escuro e encaracolado, barba por fazer –, Zamora contraria o estereótipo no seu jeito de ser: tímido e voz comedida, quase um sussurro. Mas mostra a força de suas raízes mexicanas em suas obras, como na espaçosa e inusitada Paracaidista, Av. Revolución 1608, uma habitação provisória construída sobre a fachada do Museu Público Carrillo Gil, na Cidade do México.

 

Zamora é, por formação, designer-gráfico, mas desde os tempos de universitário na Faculdade de Arquitetura do México gosta de experimentar arte. Entretanto, não estava muito satisfeito com seu país. “Yo nasci lá [Cidade do México], yo morei lá trinta e dos años. Yo quiero muito a minha cidade, acho uma cidade bem legal. Mas también como artista, por um tipo de trabalho que yo estoy faziendo, achava muito importante desligar-me da cidade e conhecer um nuevo ambiente.” – explica em seu perfeito portunhol.

 

Paracaidista possibilitou isso. Ela foi a obra impulsionadora da carreira do mexicano, que passou a receber convites para expor em bienais e salões da Europa, da Ásia e da América. Em 2006, Zamora foi tão requisitado que expôs em Cuba, na Coréia e no Brasil ao mesmo tempo. Nesse mesmo ano, veio para São Paulo apresentar duas intervenções: “Geometria daninha” e “Uma boa ordem”, essa última com a colaboração da artista gaúcha Lúcia Koch. Os trabalhos exigiam-lhe muito tempo de dedicação, por isso Zamora decidiu unir a demanda da Bienal de São Paulo com a vontade de morar fora do México. Vários fatores contribuíram para que o artista permanecesse em São Paulo: o público receptivo; a abertura do circuito das artes; o desenvolvimento de um projeto da Galeria Vermelho, que consiste na reforma de uma casa vizinha para criação de ateliês; e o casamento com a artista plástica mineira Marília Dardot. “Cuándo ela apareceu na minha vida e se iniciou a relación, a coisa fica muito más clara e decisivo de venir a morar aqui”, comenta com uma voz quase inexpressiva, mas com toda a expressividade no olhar  apaixonado.

 

            Se para falar de relacionamentos íntimos Zamora é reservado, para fazer intervenções artísticas engajadas politicamente ele é desinibido. A primeira ousadia do artista aqui no Brasil foi com o projeto “Geometria daninha”, aprovado pela Bienal, mas vetado pela prefeitura da cidade de São Paulo. A obra consistia em instalar, no Lago do Ibirapuera, 51 octógonos de 8 metros cada lado, preenchidos por aguapés – planta natural da região amazônica, que apesar de ser considerada uma erva daninha, é um dos melhores filtradores de águas poluídas. Depois de estudar o vegetal, a idéia de Zamora era limpar o lago do parque com uma planta tão ambígua quanto o ser humano. “Tocava coisas muito sensíveis dientro da comunidade, do gobierno, das instituicíones, do meio ambiente”, explica o artista. Entretanto, as autoridades governamentais não entenderam sua proposta e acharam que ia causar uma infestação, o que prejudicaria o bioma do lago. “Más isso era impossível mesmo porque no tiempo que durava a exposicíon, era impossible. Você precisa três ou quatro años para acontecer uma situacíon caotíca”, justifica.  Mas a censura não desanimou o artista, levando-o a realizar um outro projeto na praia Recanto das Crianças, em São Vicente. A obra, de nome homônimo à praia, disponibilizava pneus pretos para banhistas, em sua maioria, crianças.

 

Essas polêmicas causadas por suas obras são consideradas importantes. Pois, para ele, a arte deve incitar a sociedade a discutir seus problemas – mesmo não sendo esse um dever das manifestações artísticas. Porque, segundo Zamora, essa é uma obrigação dos políticos e dos sociólogos. “Yo acho que o importante no arte que ele genere reacións. Afinal, arte és comunicación. Você utiliza um meio para dicir alguma coisa”, interpreta, e acrescenta: “Cuándo você está trabalhando com arte, você precisa conseguir essa parte, no tién que ser uma pluralidade, que você terá que falar para todo mundo, mas se você consegue mexer com alguma persona, talvez aí és um bom motivo para continuar.”

 

Quanto a projetos futuros, Héctor Zamora prepara uma individual para o final de 2009, na mesma Galeria que abriga, atualmente, uma exposição sobre o portunhol, a interlíngua pela qual o artista se expressa. Por isso, perguntamos sua opinião sobre a obra de Ivana Vollaro. “Yo gostei. Más acho que o nome deveria sier Vermejo, porque en español és rojo, e no rollo.”

 

 

BOX:

 

Com a língua nas tintas

  

Qual língua você hablas? É isso que a mostra da artista plástica argentina Ivana Vollaro, intitulada, Vermello, tenta descobrir. A brincadeira já começa no nome da exposição que ocupa também a fachada da Galeria Vermelho. A grande parede da entrada foi pintada de vermelho e, sobre a porta, há a palavra “VERMELLO”, brincando com o nome do espaço. Ivana explica que esse diálogo entre o nome da cor e o nome da galeria é um exemplo de “portunholização”. Pois a palavra vermelho não existe em espanhol, a tradução é rojo. Mas o “ll” da língua espanhola equivale ao som de “lh” do português.

 

Ivana começou seu estudo sobre o portunhol em 2000. E, em 2003, ganhou uma bolsa de estudos e veio morar em São Paulo, onde começou a colher depoimentos de brasileiros e argentinos a cerca desse lúdico (quase) idioma. O material serviu de base para a criação de um vídeo-documentário, exposto na mostra, que aborda uma espécie de tratado sobre essa mistura entre português e espanhol. Despretensiosa, a nova linguagem, aparece como uma saída criativa de comunicação. Um exemplo dessa brincadeira de falares é a pergunta divertida (e curiosa) de um dos entrevistados: “Em que momento o ‘r’ de ‘pregunta’ foi pular pra frente do ‘e’ para virar ‘pergunta’?”

 

Segundo Ivana, o portunhol é a interlíngua das regiões fronteiriças. Mas para ficar clara a diferença e a semelhança dos dois idiomas, há mais um vídeo em que é declamado o alfabeto em português e em espanhol. Ouvindo, simultaneamente, as duas línguas, nota-se que quase não há diferença fonética, mas há uma notável diferença melódica. O português parece uma língua fria e sisuda perto da língua hermana, em que cada letra parece sair como nota musical da boca que soletra.

 

VERMELLO
Galeria Vermelho, Rua Minas Gerais, 350, Higienópolis, 3257-2033. Terça a sexta, 10h às 19h; sábado, 11h às 17h. Até 5 de julho.

memórias de bienais #2

o_vazio
 Num outro post, escrevi sobre minhas recordações de bienais passadas. Agora, muito se discute do que será da próxima Bienal. Já ouvi alguns fatalistas dizerem que não haverá mais Bienal, ou que a Bienal acabou. Por favor, acalmem-se!
A Bienal Internacional de Arte de São Paulo foi a segunda Bienal do mundo, são mais de cinqüenta anos de evento e mais de 25 edições. Já houve outros adiamentos e atrasos e outras crises, mas nada significou o fim. O que temos é um problema. Talvez fosse melhor, como indicou Márcio Doctors, esperar a poeira baixar, pagar a dívida da última edição e depois pensar numa próxima. Mas Ivo Mesquita se propôs a fazer a próxima como dá, como a Bienal está: em crise, esvaziada.
E arte contemporânea não é isso? Não é o conceito, a idéia, a reflexão, o choque… Uma Bienal vazia é o reflexo da instituição falida que ela é hoje. Precisa-se encher esse vazio, arrumar a casa. Mais que um vazio, eu entendo a proposta do Ivo como um momento de parar e pensar. Não vamos adiar o momento, vamos pensar agora. Vamos visitar o passado no terceiro andar, refletir o grande vazio que o evento está passando no presente no segundo andar e propor algo novo para o futuro no térreo.
A Folha de S. Paulo ressaltou ironicamente se os visitantes teriam que pagar para ver o nada. Acho que anda faltando compreensão de que ali não estará o nada, ali, haverá um protesto. Oras, será que ainda precisamos discutir o que há de arte num quadro preto, ou será que ainda estamos parecendo aqueles acadêmicos que renegaram a arte dos impressionistas pois não a compreenderam? Ou será que ainda haverá mais algum grande intelectual como Monteiro Lobato que irá publicar mais um “Paranóia ou Mistificação”, porque não entendeu que os tempos são outros?
Pensei que vivíamos numa sociedade que se discutisse mais abertamente sobre arte e seus problemas, mas parece que a mente de muitos ainda está antes da arte moderna.
Mais que uma Bienal vazia, temos que discutir as políticas atuais da Bienal, precisamos averiguar o que está acontecendo com a administração. E eu acho que se o Ivo não propusesse isso agora, ninguém iria discutir sobre, e seria apenas adiar a discussão para daqui dois anos. A arte no Brasil está como a política, só se discute as vésperas de eleição. Ou será que ninguém notou, assim que acabou a 27ª, que algo de errado estava acontecendo?
Continuamos a pensar sobre isso em futuros posts. Por enquanto são apenas impressões com base no que tem saído na mídia.

memórias de bienais

Arte, arte contemporânea, o nada, o tudo. Definitivamente, não é muito fácil compreender o que há de arte num espaço em branco, ou numa tela preta, ou num urinol. Arte contemporânea está muito mais no plano das idéias do que plano sensível, diria Platão. Com essa discussão sobre o que será da 28º Bienal, tenho algumas opiniões sobre. É válido ressaltar que minha experiência com bienal é pequena, mas meu interesse pelo assunto é grande. Por isso discutirei sobre bienais neste e num próximo post.
Minha primeira bienal foi a 25ª, tinha 15 anos e estava ansiosa para visitar algo extremamente novo, quer dizer, ver arte nova; pois, no que diz respeito a museus, já estava iniciada. Seria minha primeira visita ao futuro. Sim. Quando você visita museus, você visita o passado; quando você visita uma Bienal que propõe mostrar as novas tendências de arte, você está visitando o futuro, não?!
Lembro que paguei R$ 12, quer dizer, R$ 6, porque era estudante, e lá passei o dia. Cheguei às 11h e sai mais de 19h. E mesmo assim, não vi tudo. Mas aprendi muito. Como adolescente de 15 anos, minha intenção era descobrir por que tudo ali era considerado arte, o que tinha de arte numa obra intitulada: “Gaiola das Loucas”, que não passava de uma gaiola com um espelho no chão? Bem, lá entendi que a “provocação” era exatamente o que alguns artistas queriam com suas obras. Eles queriam me provocar, me irritar, me fazer refletir. E eu me rendi. Aprendi ali que arte contemporânea exigia de mim um pouquinho mais de esforço, e um pouquinho menos de pura contemplação. Passei a gostar muito de arte contemporânea, especialmente do Jose Rufino, de quem foi a única obra que eu realmente entendi, plasmátio. Conheci também uma artista estadunidense chamada Kara Walker.
Mas mal eu sabia que aquela minha primeira bienal teve tantos problemas quanto essa que está por vir. O mesmo Ivo Mesquita, que será curador da 28ª, fora demitido, depois readmitido e decidiu desligar-se para definitivamente para ser substituído pelo alemão Alfons Hug, o primeiro estrangeiro a fazer a coordenação artística do evento. Mas antes disso, a 25ª tinha sido adiada – ela deveria ter acontecido em 2000.
Crises, problemas financeiros ladearam a 25ª, cujo titulo era “Iconografias Metropolitanas”. E também enfrentou muitas críticas por não ter o núcleo histórico, com presença de pintores já conhecidos por todos, como Picasso, Munch ou Goya. Mesmo com ingresso sendo pago, vários problemas de com curadoria, aquela Bienal bateu recorde de público: 668.428 pessoas visitaram o pavilhão Ciccillo Matarazzo. Até Ivo Mesquita reconheceu: “É assim que tudo acontece no Brasil, as crises ajudam a quebrar tabus e nesse caso liberou os curadores de se ocuparem do núcleo histórico; a função da Bienal é ser contemporânea.”
Visitei as outras duas que seguiram a 26ª, “Território Livre”, de mesmo curador e com a inovação de ingresso grátis. Lembro de ter ficado impressionada com a obra de Paulo Bruscky que levou o seu ateliê para a mostra (que na época me lembrou muito o meu quarto), e ter ficado encantada com a obra de Beatriz Milhazes – tanto que hoje o meu mouse pad é reprodução de uma obra dela. Lembro também na época ter discutido a questão da gratuidade do ingresso, mas ser grátis tinha tudo a ver com o tema da mostra. Como uma bienal chamada território livre poderia ser paga?
Agora, na última, não sei meu repertório aumentou ou se realmente estava ruim. Eu não gostei, não consegui gostar. “Como viver junto” era exatamente uma mostra de como não dá para viver junto. Talvez eu tenha ido num dia tumultuado, lembro que chovia. A entrada também era franca, na 27º, o que atraiu a muitos curiosos que faziam cooper no Parque do Ibirapuera entrar para ver. Afinal, estava chovendo. Pessoas nenhum pouco interessadas tocavam nas obras que não podiam ser tocadas, posam ao lado de outras e disparavam flashes. A mostra parecia uma grande feira livre, fui atropelada por várias crianças que corriam pelo local. Ok, democratizem a arte, mas dêem educação para as pessoas freqüentarem o espaço. Aprendi algumas coisas, como sempre. Você sabia que Acre significa fronteira? Passei a amar o nome do estado brasileiro. Gostei das obras que envolviam os temas acreanos e os seringueiros. Gostei também da instalação do artista Marcos Reis Peixoto, que lembrava uma chuva de guarda-chuva; e da cidade de açúcar de Meschac Gaba. Apesar de ter gostado de algumas coisas, o resultado final não foi nada positivo. Saí de lá achando tudo uma baita bagunça e com a sensação de ter visto muito pouco sobre arte e o que estaria por vir…
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