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Posts Etiquetados ‘blog’

tudo que você queria saber sobre esse blog, mas nunca teve coragem de perguntar

1.  Muitos querem saber quem eu sou, imagino. Pois a quantidade de pessoas que chegam até aqui porque digitaram meu nome no google, não é brincadeira (média de dois por dia. Eu acho um número bem considerável). Respondendo: sou uma jovem jornalista, ponto. Simples assim. E, por favor, se você chegou até aqui porque digitou meu nomezinho, deixe um comentário. Prometo que respondo! =)

2.  Esse blog contém comentários sobre o meu cotidiano cultural, alguns até muito pessoais (afinal, isso é um blog). É um ótimo espaço para discussão. Adoro trocar ideias. Mas ninguém é obrigado a gostar de tudo. Se eu gostasse de tudo que vejo, provavelmente, estaria com problemas.

3. Eu leio, ouço música, vejo  exposições, filmes e teatro muito mais do que posto aqui. Mas não tenho tempo de escrever sobre tuuudo. Mas eu tô me organizando para um dia conseguir.

4. Isso aqui não é banco de relatório de atividade complementar. Todo dia alguém entra aqui porque está procurando resumo de exposições, de livros ou filmes. Gente, passeios culturais fazem bem, viu?

5. Esse blog não é sobre o Zorro. Só escrevi sobre e herói uma única vez aqui. Porém, todos os dias, mais de três pessoas acessam essa página porque digitaram Zorro em sites de busca. Fica a dica: façam um site sobre o herói e com certeza terão audiência.

6. Eu não sou parente do jornalista Sérgio Gomes, nem do Sérgio K. Minha família inteira é composta por anônimos. E eu adoro também ser só mais uma na multidão.

Algo mais?

BEIJOSCOMTEM!

experimentações

saga_rs

Depois de alguns dias pensando, acho que chegou a hora de dar outros rumos para o artefato.k. Acalmem-se meus três leitores, ele não vai mudar de endereço, apenas o foco. Ou melhor, terá um foco. Nos próximos meses tentarei falar apenas a respeito do assunto que mais leio, pesquiso, estudo, me interesso: artes plásticas. Não que eu não vá mais falar sobre cinema, teatro, literatura ou música. Longe disso! Mas tentarei identificar elementos visuais nas outras áreas da arte. Será que eu conseguirei sem tornar o assunto chato ou parecer arrogante? Tá lançado o desafio. Lembrando que isso é só uma experimentação, se eu achar que não dou para coisa a gente volta aos comentários sobre tudo ligado ao meu cotidiano cultural. (Se bem que sobre artes plásticas também serão apenas comentários. Afinal, não tenho conhecimento profundo sobre a área, apenas curiosidade e afinidade.)

Sugestões, dúvidas, reclamações e comentário continuam bem-vindos.

PS — Vamos reformular isso. Esse blog falará a partir de agora mais (bem mais) de artes plásticas, mas não deixará de comentações das outras manifestações artísticas, ok? Não adianta minha gente, por mais que artes plásticas more dentrinho do core, meus pés e ouvidos precisam de música, e meus olhos e imaginação precisam de teatro, cinema e literatura.

máquina de pinball

Nunca joguei pinball numa máquina de verdade, só no computador. Mas eu sei que, se tentar trapacear inclinando a máquina, aparece o aviso de tilt e você perde o jogo – daí vem a expressão “deu tilt!”, parou de funcionar, travou, deu pau. O livro de Clarah Averbuck, Máquinha de Pinball, é exatamente isso: um tilt. A história do livro é praticamente a mesma do filme Nome Próprio (que é muito melhor que o livro), de direção de Murilo Salles. Camila é o tipo de mina que se acha a última bolacha do pacote mas não tem onde cair morta. E vai vivendo aos tropeços, bebendo, fumando, tomando anfetaminas, transando com conhecidos e desconhecidos.

O livro todo parece um grande post de um blog. Clarah escreve de maneira totalmente informal e, arriscando um pouquinho, ousaria dizer que a autora segue os princípios de André Breton – seguindo o seu fluxo de pensamento. Mas, claro, se tratando de Clarah Averbuck, ela nunca aceitaria isso, assim como não assume que Camilia é seu alter ego. Um detalhe que muito me irritou, mas é o muitos chamam de estilo, é a forma como ela encadeia as idéias. Não usa vírgulas, e sim uma série de “e”. Por exemplo:

Estranho é o cara sair de maleta às 6h47 da manhã todos os dias, pegar o ônibus até o metrô e do metrô até a pequena companhia de seguros e trabalhar até às 6 em ponto e voltar para casa e comer bife com arroz na frente da TV sem falar com a mulher (que fez o bife com arroz) e nem olhar direito para os filhos (que mal sabem quem é aquele sujeito de barba que eles chamam de pai) e dormir (de pijama azul) logo depois do jornal noturno porque está cansado, muito cansado, e amanhã vai ter que fazer tudo de novo e depois também e depois vai se aposentar e olhar pra trás e achar que a vida foi digna e honesta e justa e que viveu uma rotina estúpida em que não conseguia diferenciar um dia dos outros.

No começo do livro ela quase não usa esse artifício, mas depois parece que aprende e utiliza a série de “e” para encadear qualquer coisa, empobrecendo o “recurso estilístico”.

Quando terminei o livro, pensei: que m…, que arrogância. Mas depois pensei de novo: ela não quer agradar ninguém, quer irritar, quer apenas escrever por escrever. E me deu dó: que ser humano vazio.

É arte: nenhuma. Ah, talvez podemos considerar o bom gosto dela em usar, como epígrafe, trechos de músicas, Tomorrow is my turn , de Nina Simone, e And you still want me, de The Kinks, por exemplo.

É fato: depois de ver como Camila/Clarah é deprimente com seu vocabulário cheio de palavrões, decidi que vou parar de utilizar essas palavras de baixíssimo calão. Além de ser feio, mostra uma pobreza de vocabulário incrível. Ah, e não indico o livro para ninguém. Só li porque, como diz a Gabriela, é melhor criticar com conhecimento de causa.

:: Máquina de Pinbal, de Clara Averbuck. 2001. Conrad Editora. 80 págs. R$ 17,60.

Ars Dolem Ars (Arte, dolorosa Arte)

Não sei se todo mundo faz isso. Mas toda vez que eu entro num blog, sempre vasculho a lista links do blogueiro. E foi assim que eu conheci Mistral Gagnant, e virei leitora das reflexões de Anna (que até inspirou uma troca de textos, com alguns amigos, sobre um possível passeio por nossas cabeças). Na quinta-feira, um post do Mistral Gagnant pautou novamente uma conversa com uma amiga, a Tainá, que comentou sobre um texto publicado nesse blog sobre arte. E, assim como a Tainá compartilhou o texto comigo, eu quero compartilhá-lo com vocês:
  
Ars Dolem Ars (Arte, dolorosa Arte)
 
Pergunta que ouvi no café hoje: “Mas é preciso sempre sofrer pela arte?”

Sinceramente?

Sim. Senão não é arte, é hobby.

Veja você: bailarinos criam joanetes e calos que sangram.

Tenistas tem tendinites horríveis nos ombros. Para não falarmos dos fundistas, dos jogadores de vôlei ou dos goleiros, cujas articulações sempre ficam por um fio (ou meio).

Escritores não dormem se não acham a palavra perfeita. E também sofrem horrores com tendinite e vista cansada, ainda por cima.

Para produzir algo que vai além de si mesmo, além do ir-e-vir cotidiano, dói. Ou dói no osso ou dói na alma. Se for fácil demais, tem alguma coisa errada na figura.

Por isso que muita gente se diz artista, mas pouca gente é mesmo artista. Porque ninguém deseja se auto-infligir dor. Mas só quem sabe – aqueles que amam o produto final apesar de tudo – aceita o preço. E se deixa machucar.

Mistral Gagnant, escrito por Anna lá por volta de 09:28 de 5 . 9. 2008
 
E aí, o que é arte? O que é fazer arte? O que é ser artista?

nome próprio

 

Folga! Ai, como é bom sair da faculdade e, em vez de ir ao trabalho, pegar um cineminha. Combinei com uma amiga e fomos assistir Nome Próprio – filme baseado nos livros e no blog de Clarah Averbuck. Me interessei pelo filme quando li o post da Clarah na Bravo!. Como podia uma mulher ter uma relação com blogs tão parecida com a minha? Imediatamente fui ler o blog dela, Adios Louge. E notei que, realmente, só nossas neuras com a ferramenta se parecem, pois nossos assuntos são totalmente diferentes. UFA!

vivo porque escrevo

Apesar de Clarah negar, com fervor, que Camila não tem nada a ver com ela, é quase impossível não se lembrar dela ao ver as atitudes da personagem principal, interpretada por Leandra Leal. No mau-humor, na forma de falar, na personalidade. Bem, eu não conheço a Clarah pessoalmente, mas pelos seus textos no blog e por entrevistas que já a vi, nota-se que ela não é muito diferente da Camila.

É um filme forte, um batimento cardíaco, com pontos constantes, que se alternam com muitos altíssimos e outros baixíssimos. Camila se jogou na vida. A vive intensamente, ama intensamente, bebe intensamente. Esse desprendimento me encanta. Mas o preço que ela paga por ele me parece alto demais. Está sempre no limite entre loucura e a razão.

ninguém vive uma paixão impunemente

E toda perturbação de Camila, Murilo Salles soube como transmiti-la nos movimentos de câmera. É um vaivém bêbedo, que mistura o olhar do expectador e com o da personagem. Às vezes, tinha a impressão que tudo foi gravado por um amador com uma câmera chinfrim na mão. Impressão logo esquecida ao ver a sensibilidade do diretor em registrar detalhes, como a cena que Camila aparece refletida, toda encolhida, dentro da tela do computador. Gostei muito também das frases soltas, que dão mais poesia ao filme. Afinal, esse é um filme de palavra. Por mais que a personagem central seja extremamente forte, boa parte o encanto está nas frases que Camila escreve na tela – quando ela reflete quem ela é: um ser só.

livros acabam. coloque também um ponto final nessa história.

A palavra é um refúgio, não só da Camila, mas de todos que são dependentes da escrita. Essa dependência é o que torna difícil entender que, às vezes, é preciso colocar um ponto final, não só na ficção, como na realidade.

 

É arte: a interpretação da Leandra Leal é mesmo de tirar o fôlego. Kikito de melhor atriz merecido.

É fato: a Leandra Leal é a melhor atriz do filme, mesmo. Os codjuvantes são muito fracos. O ator que interpreta Felipe beira o péssimo.

 

:: Nome próprio: Brasil, 2008. 130 min. Drama. Direção: Murilo Salles. Roteiro: Melanie Dimantas, Elena Soarez, Murilo Salles, Clarah Averbuck (romances)