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Posts Etiquetados ‘cd’

rogério rochlitz – cores

Eu sei que todos já estão cansados de me ouvir falar na sigla tcc. Mas as descobertas são sempre tão boas que sinto vontade de compartilhar com todos. Por exemplo, o cd Cores, de Rogério Rochlitz, o qual ele me deu porque  a capa foi ilustrada por Regina Silveira. Rogério é músico e já fez a trilha de alguns trabalho da artista,  como Lunar e Mil e um dias, por isso o entrevistei. Além da entrevista ter sido produtiva, o cd foi um ótimo presente.

Nunca fui muito fã de música instrumental, mas desde que o Yann Tiersen apareceu na minha vida, gosto cada vez de ouvir só as vozes dos intrumentos e outras experimentações de som. Cores tem algo do Hermeto Pascoal, da valsa de Tom e das Bachianas de Villa-Lobos — especialmente em Filarmônica Chipônia. E não teve como não lembrar do chorinho Atraente e dos maxixes de Chiquinha Gonzaga quando ouvi Mashish.

Cores é daqueles cds de que você gosta da primeira a última faixa e coloca no repeat para ouvir tudo de novo várias vezes seguidas.

É arte: e eu não diria o contrário, a capa do cd ilustrada por Regina Silveira [abaixo]. Detalhe: a silhueta é a mão da própria artista.

rogeriorochlitz-cores

É fato: eu acho Cores um trabalho mais maduro do que Carro de Boy (disponível para download), lançado em 2004. Gostei muito de Mendocina Uno, que tem uma pegada mais romântica de filmes da década de 40, mas o que predomina no cd são composições de influência nordestina.

:: Cores, de Rogério Rochlitz. 2008. Instrumental. S/Preço

frank sinatra

Dia 14 de maio completaram 10 anos sem Frank Sinatra. E, em comemoração a data, a Warner está lançando ”Nothing but the Best”, uma coletânea com 22 músicas do “Old blue eyes”. Nessa coletânea estão algumas das canções que me aproximaram de Sinatra, “Come fly to me”, por exemplo. Mas não tem a minha música favorita: “I’ve you got under my skin”.

Pode parecer bizarro ou vergonhoso, mas só fui mesmo gostar de Frank Sinatra e me interessar pelo seu trabalho depois de assistir ao “Do que as mulheres gostam” – comédia romântica com Mel Gibson e Helen Hunt.

Nesse filme, Gibson é um publicitário machão que sofre um acidente em uma situação pitoresca e passa a ouvir o pensamento das mulheres. Momentos antes de sofrer o acidente, ele protagoniza uma das melhores cenas do filme: coloca um vinil de Sinatra para tocar e pede ao mestre inspiração. Então, ele canta e dança pelo apartamento “I won’t dance” – que também não tem neste cd.

A coletânea traz clássicos como “My way”, “Strangers in the Night” e “New york, New york”. A data ainda promete vários relançamentos como um DVD de um show no Royal Festival Hall, em Londres, em 1971.  E para suprir a falta de algumas músicas citadas (ou mesmo ouvir algumas citadas), clique no K7 e se delicie. 

k7 frank sinatra clique para ouvir

É arte – as versões das músicas eternizadas na voz de Sinatra por Diana Krall no cd “Live in Paris”

É fato – Frank Sinatra, ao contrário de mim, não gostava da letra de “My Way”, mas gostava da melodia  por isso gravou a música.

samba meu

 

samba meu

Confesso que assim que ouvi a nova música de trabalho da Maria Rita, “Tá perdoado”, exclamei: “Xi! Já era uma cantora!”

Maria Rita é a cantora que acompanhei desde o início. Lembro da sua primeira entrevista, tenho o primeiro cd autografado, chorei na primeira vez que a vi no palco cantando graciosamente “Cupido”… ok! Eu era fã. Eu sou fã.

Mas assim que a vi no prêmio Multishow, de cabelo alisado e louro, mais tatuada, barriga sarada… questionei: “Cadê a menina?”

É, a imagem da menina se foi, mas a vozinha está toda no seu último cd “Samba Meu”. Mas agora gingada com pandeiro e tamborim.

Não é o samba autentico da Marisa Monte em “Universo ao Meu Redor”, mas é o sambinha modesto e do morro, dela.

Maria Rita pode até estar com esse visual fanqueiro, mas no cd ela mostra que sua voz ainda continua a da menina. E em “samba meu” ela confessa:

“meu samba não despreza o esquisito
meu samba vai tocar no infinito
meu samba é de bossa e não de grito”

E o cd é isso. Apesar de “tá perdoado” ser ruinzinha, as outras faixas, como “novo amor”, de Edu Krieger, são de ouvir muitas vezes.

É arte: O primeiro cd da cantora. “Maria Rita”, que revelou Maria Rita para o mundo, tem o melhor da mpb. Há composições de Milton Nascimento, Los Hermanos, Rita Lee, Lenine entre outros. A interpretação da cantora na canção Santa Chuva, com certeza, era um dos pontos mais alto de seu show. Veja o Video 

 É fato: Maria Rita encerra sua primeira temporada deste ano, em São Paulo, neste domingo. Há shows quinta (13/03), às 21h30;  sexta (14/03) e sábado (15/03), às 22h e domingo (16/03) às 20h. No Citibank Hall, Av. dos Jamaris, 213, Moema, tel. (11) 6846-6040. Ingressos: de R$ 60 a R$ 150.

 :: Samba Meu – Maria Rita (Warner Bros Music), samba. 2007. R$ 30, (média)

onde brilhem os olhos seus

Sempre ouvi Pato Fu e Nara Leão separadamente. Mas o novo cd da Fernanda Takai: “Onde brilhem os olhos seus”, propõe essa mistura. E que bela mistura!
A seleção de Fernanda não é a mesma seleção que eu faria das músicas de Nara. Prefiro as mais fortes, densas e de protesto dos primeiros CDs, como “Nara” e “Opinião”. Mas Fernanda preferiu as mais doces, que combinam mais com sua delicada voz. E aproveitou também para traçar um perfil da obra da cantora, coletando canções de suas várias fases.
Se, no repertório, você lembrará de Nara (parte sugerido pelo diretor artístico Nelson Motta, que foi amigo da cantora), nos arranjos, você reconhecerá o Pato fu. Afinal, John Ulhoa e Lulu Camargo, integrantes da banda, são quem os assinam. E talvez por isso, você nem consiga ouvir o CD como um trabalho solo de Fernanda Takai, mas sim, Fernanda Takai interpretando Nara Leão ao som de Pato Fu. Em “Luz Negra”, por exemplo, da para identificar alguns acordes semelhantes ao do theremin imitado na música “Eu”, de “Ruído Rosa”, e até a temática das letras se confundem, note.
E o álbum, recém chegado ao mercado fonográfico, já recebeu o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de Melhor Álbum de Música Popular de 2007. E também já conta com uma edição japonesa, lançada no dia 22 de dezembro pelo selo Taiyo, que tem uma faixa extra: “Kobune”, versão em japonês de “O Barquinho” – a qual a cantara promete, em seu blog, que dará um jeito dessa faixa ser ouvida por todos aqui no Brasil em breve.
É arte: A interpretação de “Insensatez”. Ao meu ver, é a melhor interpretação da música de Tom Jobim, em português – já que, em inglês, ninguém supera a de Sting, do The Police. Mas para ouvir muitas vezes, a melhor faixa é mesmo “Estada do Sol”.
É fato: a primeira tiragem já está esgotada, mas a gravadora Tratore está providenciando uma nova remessa para primeira semana de janeiro.
:: Onde brilhem os olhos seus – Fernanda Takai (Tratore), MPB. 2007. R$ 25,00.

los hermanos


Não dá para falar de Los Hermanos e não lembrar de “Anna Júlia”. A banda estourou em 1997 com o rit que está no álbum “Los Hermanos”. Nessa época, as letras de amores frustrados eram cantadas num rock mais pesado (considero pesado devido à presença forte da bateria e dos gritos da guitarra). Dava para contar nos dedos as músicas que eu gostava – além de “Anna Júlia”, que marcou a minha saída da infância. Por alguns anos, fiquei sem contato com o trabalho da banda. Até a Maria Rita entrar no meu repertório musical. Nos álbuns da filha da Elis, havia músicas do Marcelo Camelo, integrante dos Los Hermanos, as quais eu gostava muito. Então, pensei: “Nossa! Será que essa é a mesma banda dos meus 10 anos?” Fui atrás.
Os Los Hermanos estavam numa nova fase. O rock já não era mais tão gritante nas melodias, mas as letras melancólicas e sobre as coisas da vida continuavam. A temática sempre me agradou (gosto de ouvir uma musiquinha deprê de vez em quando), mas o barulho roqueiro me afastava. Até que nessa época eu ouvi: “Todo Carnaval Tem Seu Fim”. A batida forte de uma banda de carnaval me conquistou, mais por causa da letra. A letra pede para você deixar de lado o que lhe perturba, porque há coisas que são e pronto. Então: “deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz”. Ou seja, deixa-me fingir que sou um palhaço e me divertir, já que a felicidade é algo distante. Essa música está no cd “Bloco do Eu Sozinho”, no qual também estão “Casa Pré-fabricada” e “Veja Bem Meu Bem”, cantadas lindamente pela Maria Rita. Mas a versão da banda não é ruim, só menos delicada e mais forte. Esse é um álbum de transição, então, em algumas faixas, você ainda nota o rockão, como na música “Tão Sozinho” (inaudível para mim).
E a mudança foi decretada em “Ventura”. Para alguns fãs, esse é o melhor álbum da banda. Nele está o melhor do samba e mpb do Los Hermanos. A base é o rock, sempre. Mas esse está camuflado em acordes chorosos da mpb e do sambinha de roda. Os rits que marcaram esse cd foram “O Vencedor” e “Cara Estranho”; mas, para mim, as faixas de ouvir muitas vezes são: “Samba a dois” e “Do Sétimo Andar”. “Do Sétimo andar” é daquelas para momentos de casa vazia, em que você aumenta o som para preencher os cômodos, abre a janela para o ar entrar e vai para cozinha preparar um soco de abacaxi gelado enquanto cantarola a letra: “E eu sei que parece o que não se diz…, o seu caso é o tempo passar.”
Mas o meu álbum favorito é o “4″, último da banda. Não pelo conjunto da obra, mas por algumas faixas específicas. “O Vento”, por exemplo, é um pedido de urgência, de mudança, é o vento dizendo “lento o que virá, e se chover demais, a gente vai saber, claro de um trovão, se alguém depois sorrir em paz. Só de encontrar… Ah!!!”. A batidinha de “Morena” lembra as cariocas bronzeadas com o seu andar sedutor, na calçada de Copacabana, fazendo caírem os queixos dos homens que estão nos quiosques da praia tomando cerveja. Há também faixas dramáticas como “Dois Barcos” e “Os Pássaros”, um mambo em “Paquetá”, e, para não esquecer as raízes, a batida roqueira los hermanas está em “Horizonte Distante” e “Condicional”.
Num fim de semana preguiçoso nada é melhor que ouvir Los Hermanos lendo um bom livro, ou de olhos fechados se esquecendo da vida.
É arte: A versão de “A Palo Seco“, de Belchior, presente no lual da mtv.
É fato: Em abril de 2007, a banda anunciou um recesso por tempo indeterminado nos trabalhos, alegando o acúmulo de muitos projetos pessoais ao longo de seus dez anos de carreira.
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amy winehouse

Quando ouvi Amy Winehouse pela primeira vez, eu pensei: essa mulher deve ser uma daquelas negonas de Nova Orleans da época do Ray Charles. Mas que engano. Amy Winehouse tem 24 anos, é branca, inglesa e exibe tatuagens e piercings no corpo. E o seu visual é tão contrastante quanto suas músicas.
Piercing e tatuagens se misturam a maquiagem e roupas da década de 1950. E essa mistura se reflete no seu trabalho. A voz potente (igual à de Ella Fitzgerald) canta abertamente sobre seus relacionamentos que não deram certo, como nenhuma boa menina há 50 ousaria falar. Eu até já classifiquei para algumas pessoas como música de traídos modernos. Se as letras não são nenhum primor, o arranjo te conquista. A melodia é resultado de uma mistura entre o soul, jazz e batidinha eletrônica leve. As faixas Rehab, Back to black e Tears dry on their own são de ouvir muitas vezes. Para ouvir a Amy Winehouse, uma dica: esqueça o conteúdo e curta o som.
É arte: o backing vocal de algumas músicas como de Me and Mr Jones.
É fato: Amy já teve vários problemas com bebida e drogas.