
Como postei no blog experimental do meu grupo na faculdade, o plasticamente:
Conheci o trabalho de Paulo Bruscky na 26ª Bienal, em que o artista montou um pedaço do seu ateliê na mostra – uma verdadeira zona. Depois, me deparei novamente com seu trabalho numa exposição no Itaú Cultura, Futuro do Prensente. Nessa, Bruscky expôs a série: “O Meu Cérebro Desenha Assim”. A retomada de uma performance iniciada na década de 1970, quando utilizava o aparelho de eletro-encefalograma para produzir desenhos.
E ainda sobre o mundo acadêmico, entrei em contato com artista plástico a fim de entrevistá-lo para um trabalho cujo tema era o ano de 1968. E ele aceitou, mas pediu que eu enviasse as perguntas por e-mail. Porém a facilidade eletrônica nem sempre é a ágil: a resposta chegou dias depois da entrega da atividade.
Contudo, a entrevista não perdeu a validade. Pois quem quiser conhecer o trabalho de Bruscky após ler a entrevista, é só correr ao MAC da Cidade Universitária, no qual está exposta sua primeira exposição individual em um museu: “Ars Brevis”, até o dia 28 deste mês.
artefato.k: Como você entrou para o Grupo Fluxus?
Paulo Bruscky: Através da arte correio, desde o início dos anos 70, e quando ganhei a bolsa de artes visuais da Fundação Guggenheim, em 1982, fui morar em Nova Iorque e tive contatos pessoais com alguns dos seus integrantes, como Dick Higgins, Ken Friedman e John Cage, entre outros. Posteriormente, fui residir em Amsterdam e entrei em contato com Klaus Gröh, Robert Rehfeldt e mais alguns integrantes do grupo Fluxus, além de ter participado de vários eventos com seus membros, tendo inclusive realizado uma performance com Ken Friedman.
a.k: Na sua opinião, como o grupo e a arte postal influenciaram as artes plásticas?
PB: Depois da Pop Art, foi o único movimento a nível internacional surgido, e teve uma força maior porque o subterrâneo do mundo todo estourou simultaneamente.
a.k: E como influenciou a forma de fazer arte?
PB: Na verdade, na arte correio o importante é a informação e o contato: é a vida na arte.
a.k: Quais eram os artistas com quem se correspondia?
PB: Robert Rehfeldt, Klaus Gröh, Ken Friedman, Clemente Padin, Horacio Zaballa, Edgardo Vigo, Jorge Caraballo, Guillermo Deisler, Mike Crane, grupo Texto Poético, Fred Forest, Antoni Muntadas e muitos outros.
a.k: A data “Maio de 1968″ completa 40 anos neste ano, como foi este ano para você?
PB: Acho que o ano de 68, independentemente de Paris, foi um ano importante da resistência, não só no Brasil como em toda a América Latina, com relação aos regimes ditatoriais e a arte correio teve um papel fundamental nessa luta e em mudanças de conceitos.
a.k: Estava realizando algum trabalho nessa época? Qual?
PB: Sempre trabalhei bastante nas minhas idéias, e é difícil citar apenas um trabalho, mas no período trabalhei muito com poesia visual, intervenções urbanas, objetos e trabalhos conceituais.
a.k: Chegou a ter alguma obra censurada?
PB: Tive grande parte da minha produção censurada, inclusive a minha própria pessoa; cheguei a ser preso três vezes pela ditadura militar.
a.k: Como era ser artista, produzir obras e realizar performances durante a ditadura?
PB: Era enfrentar o risco com a própria vida, porque só assim é que se mudam as coisas.
a.k: E qual foi a melhor obra que produziu até agora?
PB: A que eu vou fazer.
a.k: Há alguma que você não gostaria de ter feito?
PB: Tudo que fiz.
:: Ars Brevis: até 28/04. MAC, Rua da Reitora, 160, Cidade universitária. tel: 3091-3039. Terça a sexta: 10h às 18h, sábado e domingo: 10h às 16h. Grátis.
:: na palavra de outros