Zuzu Angel: quem é essa mulher?


[Resenha para o Site de Cultura Geral]

 

Uma abertura novelesca. Rio de Janeiro, década de 70, regime militar. Uma mulher desquitada luta para vencer na vida e criar três filhos. Entre eles, um menino, o primogênito, participante do movimento estudantil. Luta contra a ditadura vigente no país, acaba preso torturado e morto. Este é o roteiro do filme dirigido por Sérgio Rezende, e Essa Mulher é a brasileira, estilista ou – como ela preferia – costureira, mãe: Zuzu Angel.

O filme é protagonizado por Patrícia Pillar, que interpreta de maneira brilhante, limpa e forte, assim se assemelhando a sua personagem: Zuleika Angel Jones – mineira, nascida em Curvelo, casou-se com um estadunidense, com o qual teve seus três filhos: Stuart (Daniel Oliveira), Hidelgard (Regiane Alves) e Ana (Fernanda Tavares) -. Em seus últimos dias de vida, Zuzu se isola em Minas Gerais para organizar um dossiê sobre a morte de seu filho,  começa gravar uma fita e através de sucessivos flashbacks a trama vai se desvendando.

Para Zuleika, a militância política de Stuart – ou Tuti para mãe – era coisa de jovens de classe média desocupados, sem medo do perigo e que não sabiam o que estavam fazendo. E mesmo preocupada, seguia sua vida a costurar, lança coleções no EUA e faz sucesso com sua moda legitimamente brasileira, com a qual exaltava o colorido, a natureza, o regionalismo e a falsa alegria do país na época.

Eis que o telefone toca, do outro lado, uma voz aflita: “Paulo Caiu, tá na P. E.!”. Era a senha para a realidade se revelar a Zuzu. Essa mulher vai em todos os órgãos de segurança governamentais e a todos que possam dar uma pista para saber onde está seu Tuti. Ele havia sido preso e foi torturado até a morte por não revelar o endereço de Carlos Lamarca, um dos líderes da militância política. Essas cenas se mesclam com as da estilista lendo desesperadamente a carta detalhada sobre a morte do filho. Imagens desfocadas provocam uma sensação angustiante.

Saber que o filho morreu sob tortura é o gás para a mãe, que passa a viver com o objetivo de fazer justiça pela morte de seu filho – ao menos para conseguir o corpo e dar um enterro digno. A revolta inspira Zuzu em novas coleções, agora com temas militares, anjos pretos, passarinhos enjaulados entre outros temas de “abaixo a ditadura”. Seus protestos e ações incomodam o governo, e a estilista passa a ser perseguida. Até que é morta em um acidente criminoso.

Cores contrastadas valorizam o cenário e o figurino, especialmente o de Pillar.  Há o abuso dos closes e cenas fechadas, oferecendo detalhes sugestivos aos espectadores. Além da emocionante história de Zuzu Angel, o filme é visualmente bonito. Atores globais, Rio de Janeiro como cenário principal, cena de sexo, violência, uma personalidade forte e a incomparável música brasileira. Tudo que um filme brasileiro pode ter. E nós temos.

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