Profissão…Repórter?


[Resenha para o site de jornalismo (06/10/2006)]
Por Karina Gomes, 1º ano

 
“Michelangelo Antonioni discute condição humana em “Profissão: Repórter”

 
O fugitivo. Talvez esse fosse o melhor nome para Profissão: Repórter, filme de Michelangelo Antonioni lançado em 1975 e agora relançado primeiro olhar, o título da obra em português parece pouco apropriado, já que, salvo alguns flashbacks que mostram entrevistas realizadas pelo personagem principal, o enredo se concentra em temas como a condição humana e a angústia decorrente da busca interior.

A estranheza provocada pelo título se estende ao filme, que nada tem a ver com narrativas óbvias e personagens caricatos de muitos filmes que fazem alusão ao jornalismo, como O Jornal, de Ron Howard. O suspense de Antonioni possui ritmo lento, inovadores recursos de câmera e poucos diálogos.

O roteiro, baseado em obra de Mark Peploe, narra a vida do jornalista David Locke (Jack Nicholson), que está entediado com a rotina de sua vida e profissão. Durante a produção de um documentário sobre movimentos guerrilheiros na África, Locke conhece David Robertson (Chuck MulveHill), que está hospedado em seu hotel. A história dá uma virada quando Locke encontra Robertson morto e, mesmo sem saber quem ele é, resolve assumir sua identidade. Uma caderneta deixada por seu xará e recente amigo lhe servirá de roteiro para uma nova vida, e de entrada para um labirinto sem volta.

Editor do site Cine Reporter, Rodrigo Carreiro, acredita que Profissão: Repórter é um filme “de perguntas e não de respostas”. Tal idéia torna o título do filme totalmente apropriado, fazendo uma analogia à classe de questionadores, que – ao menos em tese – buscam incessantemente a verdade. Com nova identidade, Locke busca sua própria verdade e um sentido para viver, fugindo sempre dos “fantasmas” do passado.

Além do jornalista central, o filme também conta com outros personagens da profissão, como Martin Knight (Ian Hendy), que na tentativa de produzir um programa em homenagem a Locke começa a procurar “Robertson”. A fim de conseguir mais detalhes sobre a suposta morte do repórter, Knight sai da condição de produtor para a de detetive, na busca por Robertson-Locke.

A identificação de características jornalísticas nos personagens é difícil, pois estão representadas de forma superficial. O foco principal está no plano psíquico, marca de Antonioni, que em seus filmes costumaretratar a essência dos personagens. Para mostrar-nos o interior de Locke, o diretor aposta em recursos sofisticados e inovadores para a época, como movimentação de câmeras (que funciona como uma testemunha ocular, apenas observando os acontecimentos) e flashbacks. Talvez por isso o próprio diretor considere Profissão: Repórter, indicado para a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 1975, seu filme estilisticamente mais maduro.

Profissão: Repórter
(Professione: Reporter – Itália/Espanha, 1975, 125 min)
Direção: Michelangelo Antonioni
Elenco: Jack Nicholson, Maria Schneider, Jenny Runacre.
DVD: R$ 33,90 – além do filme, a edição traz trailer de cinema, seleção de cenas e comentários em áudio do ator Jack Nicholson e do roteirista Mark Peploe.

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