yoko ono _ uma retrospectiva


Yoko Ono defende a pequena liberdade íntima e concreta do fazer. É a liberdade mais difícil, mais verdadeira e mais preciosa. Contardo Calligaris


Antes, algumas instruções:
:: Esqueça-se de que um dia ela se casou um tal John Lenonn, e que esse cara foi uns dos mais importantes integrantes de uma tal banda inglesa chamada The Beatles;
:: Lembre-se de que ela tem ascendência japonesa, mais do que isso, da família imperial japonesa;
:: Tire a carapaça de durão, ou a de eu-entendo-de-arte, e deixe a emoção te tocar;
:: Leia todas as legendas e instruções, que se bem não fará, mal não há de fazer.
Delicadeza, leveza, força. Foi isso que notei na exposição Yoko Ono – Uma Retrospectiva. Mais que a arte conceitual defendida por ela, nas obras está presente a mulher, a força e sofrimento da alma feminina.
Em “objetos de sangue” (3º andar), uma mesa de refeição está posta, com o jogo de jantar de bronze. Uma taça cai, e derrama sangue por toda mesa, tingindo a cor cinza-chumbo do bronze de vermelho, de sangue. O porta retrato também está manchado de sangue, assim como os óculos de armação redonda – isso te sugere algo?
E se você pensa que Pompéia, as torturas da ditadura e Auschwitz são coisas distantes, desça até o 1º andar e veja “Espécies em Extinção”. Claro, as referências citadas são minhas interpretações sobre a instalação, mas que você pode ir muito mais longe. Yoko fala de uma descoberta de uma família de meados dos anos 2000. E se hoje dividimos o tempo em a.C. e d.C, na époda dessa descoberta, o mundo está numa nova divisão: antes e depois da Paz. Paz, essa, que só será alcançada depois do extermínio da raça humana. A leveza está em duas borboletas, únicas peças coloridas, presas em quadros negros.
Yoko também pede nossa participação no 2º andar, mas você, como eu, pode dar com burros n’água e não poder mexer em nada. Não deixe de experimentar a sensação claustrofóbica de “Labirinto”, e reconhecer o nosso lugar mais íntimo, nosso território livre, onde literalmente colocamos para fora o que nos incomoda. E pare por um minuto, olhe para baixo e tente não pisar sobre tudo que passamos por cima todo dia e não percebemos em “Memória Horizontal” (ali, estava o ponto ônibus que eu espero o coletivo todo dia).
Termine a visita no subsolo. Lá estão vídeos de performances feitas pela artista antes e depois de Lenonn e uma obra que vai fazê-lo refletir sobre esse pensamento sustentável que está na moda hoje.
Nessa mostra eu entendi por que o beatle se apaixonou pela artista. A obra de Yoko é uma sugestão para fazermos um dia novo todo dia, para olharmos para tudo aquilo que já nos é comum por uma nova perspectiva e nos surpreendermos com o óbvio. Sua obra é um pedido de paz, sua obra é imagine.
É arte: a poesia das instruções presente em algumas obras.
É fato: o CCBB é um espaço ruim para qualquer exposição. Mas sua arquitetura é muito charmosa e combina com a delicadeza das obras expostas.
+ sobre Yoko Ono [leia matéria na revista Bravo!]
:: Yoko Ono – Uma retorspectiva
10 de novembro a 3 de fevereiro de 2008
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado 112. Centro. São Paulo.
de terça-feira a domingo, das 09h às 20h.
Infs: (11) 3113-3651/3652
$ Grátis
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