rota 66 _ a história da polícia que mata


1ª Página:


Para
Karina,

Muito obrigado pela leitura deste livro, pela entrevista e por dar importância ao meu trabalho.

Com Carinho

Caco Barcellos

Nem preciso dizer que esse livro está entre os especiais. Quando comecei a faculdade de jornalismo, minha meta era: serei um Caco Barcellos de saias. Hoje, já não sei se tenho toda essa ambição. Mas seus livros ainda estão entre os meus preferidos, no que diz respeito a new journalism. Não por causa da atenção recebida, mas por que de fato o livro é bom.

Em Rota 66 – A história da polícia que mata, Caco conta os bastidores da reportagem, dos problemas e riscos que enfrentou para investigar atuação irregular da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota), que agia em São Paulo como um verdadeiro aparelho estatal de extermínio. Uma das melhores passagens é a contratação de um estudante de jornalismo para auxiliá-lo no levantamento de dados no IML.


“Quando Daniel chegou, eu já o aguardava sentado no velho banco de um carro do IML, ao lado do armário que expõe órgãos humanos nos vidros de formol.

– Como você vê, não é dos mais agradáveis – comentei, já tentando observar a reação de Daniel, que respondeu sério, enrugando um pouco as sobrancelhas:

– Normal!

[…]

Não desisto de impressioná-lo mal. Meu objetivo é saber o mais rápido possível se ele é ou não a pessoa certa para uma missão aparentemente monótona, esquisita, desconfortante. Pego o álbum de fotografias de cadáveres em putrefação e pergunto se ele já viu uma pessoa morta.”

Foram, ao todo, cinco anos de pesquisa e investigação para a conclusão do livro, que lhe rendeu o prêmio Jabuti de 1993, na categoria melhor obra de não-ficção. Mas não foi só gloria e fama que jornalista ganhou. Caco também foi presenteado com muitos processos de policiais denunciados no livro, além de um “exílio” no exterior, pois estava ameaçado de morte aqui no Brasil. Rota 66 é obra obrigatória a todos aspirantes à jornalista. Afinal, essa profissão vai muito além da bancada do Jornal Nacional.

É arte: o primeiro capítulo: a narração de uma perseguição policial.

É fato: o capítulo 23, Radiografia, ganha tom de relatório e fica cansativo ler todos os dados. Mas não deixa de ser interessante pelo trabalho jornalístico.

:: Rota 66 – A História da Polícia que Mata, de Caco Barcellos. Record, 352 págs., R$ 43,00.

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8 comentários sobre “rota 66 _ a história da polícia que mata

  1. Kaaa
    vc tbm é VIp

    que bacana.
    preciso muito ler esse livro, e o abusados

    beijinhos adoro-te

  2. Ká, seu post fez eu lembrar tudo que vi nesses quatro anos de Cásper e três de estágios. Vi gente que sonhava em trabalhar na Caros Amigos ir pra Nova, gente que queria trabalhar na Contigo! cobrir futebol… Que saudade das descobertas do fim do segundo ano. Enjoy them! Beijos e muita sorte no novo blog. Quero passar sempre.

  3. Amei o novo design do seu blog. Tá muito chique, DE FATO, vc é uma arte na minha vida. Me dá colorida, luz e vida.

    Te amo.

    Beijos

    Tia One.

  4. Sr Caco Barcelos desejo relatar-lhe um fato grande importancia que deverá causar um grande impacto na sociedade paulista venho tentando denunciar, e não tenho conseguido. Apesar de ter provas robustas ninguem quer ouvir-me, algumas pessoas humildes estão sofrendo por não ter quem as ajude. solicito que na medida do possivel seja-me disponibilizado meio de relatar o fato e apresentar os documentos para que seja verificado a relevancia dos mesmos, pois acredito na sua capacidade e competencia

    desoculpe-me se fiz uso incorreto do espaço (sou mais um analfabeto digital)

  5. Olá, José! Não que você tenha feito uso incorreto desse espaço. Mas acho que se você quiser entrar em contato com o Caco, é melhor tentar enviar um e-mail para a TV Globo. 😉

    inté.

  6. Gostaria saber se é possível falar sobre a indgnação que estou com a policia Militar, pois meu marido é um policial e a corporação não esta preocupada em tratá-lo, ele tem problemas psiquiatricos esta afastado há dois anos e sete meses e agora o hospital militar resolveu fechar as portas do setor de psiquiatria e agora!!!!

  7. Sinta-se à vontade para expressar sua indgnação. Mas talvez seria melhor vc levar sua relamação até um orgão público. E, quem sabe, eles não poderão te ajudar de alguma forma? Aqui, é somente um comentário de um livro.

    inté.

  8. K. este foi um dos melhores que li. Eu tb acho o Caco Barcellos um cara que leva a sério o jornalismo. Este livro me fez pensar muito e faz até hoje. Eu vi muito de perto um pouco daquilo que ele dizia neste livro. O “ops, matei mais um”. Mas ao mesmo tempo tem o lado dos policiais que não são assistidos e preparados pra encarar o mundo cão da bandidagem do Brasil. Tem hora que penso que não tem jeito, sabia? Maldades e sangue-ruins a parte, a estrutura policial e a impunidade favorecem o círculo vicioso do crime da bandidagem e tb da polícia! Até hoje não tive coragem de ler Abusados porque sei que vou me revoltar demais da conta 😦
    E tb entendo o desespero destas pessoas querendo de alguma maneira falar aqui sobre coisas que ninguém tem ouvidos para ouvir. {D.}

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