memórias de bienais #2


o_vazio
 Num outro post, escrevi sobre minhas recordações de bienais passadas. Agora, muito se discute do que será da próxima Bienal. Já ouvi alguns fatalistas dizerem que não haverá mais Bienal, ou que a Bienal acabou. Por favor, acalmem-se!
A Bienal Internacional de Arte de São Paulo foi a segunda Bienal do mundo, são mais de cinqüenta anos de evento e mais de 25 edições. Já houve outros adiamentos e atrasos e outras crises, mas nada significou o fim. O que temos é um problema. Talvez fosse melhor, como indicou Márcio Doctors, esperar a poeira baixar, pagar a dívida da última edição e depois pensar numa próxima. Mas Ivo Mesquita se propôs a fazer a próxima como dá, como a Bienal está: em crise, esvaziada.
E arte contemporânea não é isso? Não é o conceito, a idéia, a reflexão, o choque… Uma Bienal vazia é o reflexo da instituição falida que ela é hoje. Precisa-se encher esse vazio, arrumar a casa. Mais que um vazio, eu entendo a proposta do Ivo como um momento de parar e pensar. Não vamos adiar o momento, vamos pensar agora. Vamos visitar o passado no terceiro andar, refletir o grande vazio que o evento está passando no presente no segundo andar e propor algo novo para o futuro no térreo.
A Folha de S. Paulo ressaltou ironicamente se os visitantes teriam que pagar para ver o nada. Acho que anda faltando compreensão de que ali não estará o nada, ali, haverá um protesto. Oras, será que ainda precisamos discutir o que há de arte num quadro preto, ou será que ainda estamos parecendo aqueles acadêmicos que renegaram a arte dos impressionistas pois não a compreenderam? Ou será que ainda haverá mais algum grande intelectual como Monteiro Lobato que irá publicar mais um “Paranóia ou Mistificação”, porque não entendeu que os tempos são outros?
Pensei que vivíamos numa sociedade que se discutisse mais abertamente sobre arte e seus problemas, mas parece que a mente de muitos ainda está antes da arte moderna.
Mais que uma Bienal vazia, temos que discutir as políticas atuais da Bienal, precisamos averiguar o que está acontecendo com a administração. E eu acho que se o Ivo não propusesse isso agora, ninguém iria discutir sobre, e seria apenas adiar a discussão para daqui dois anos. A arte no Brasil está como a política, só se discute as vésperas de eleição. Ou será que ninguém notou, assim que acabou a 27ª, que algo de errado estava acontecendo?
Continuamos a pensar sobre isso em futuros posts. Por enquanto são apenas impressões com base no que tem saído na mídia.
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