los hermanos



Não dá para falar de Los Hermanos e não lembrar de “Anna Júlia”. A banda estourou em 1997 com o rit que está no álbum “Los Hermanos”. Nessa época, as letras de amores frustrados eram cantadas num rock mais pesado (considero pesado devido à presença forte da bateria e dos gritos da guitarra). Dava para contar nos dedos as músicas que eu gostava – além de “Anna Júlia”, que marcou a minha saída da infância. Por alguns anos, fiquei sem contato com o trabalho da banda. Até a Maria Rita entrar no meu repertório musical. Nos álbuns da filha da Elis, havia músicas do Marcelo Camelo, integrante dos Los Hermanos, as quais eu gostava muito. Então, pensei: “Nossa! Será que essa é a mesma banda dos meus 10 anos?” Fui atrás.
Os Los Hermanos estavam numa nova fase. O rock já não era mais tão gritante nas melodias, mas as letras melancólicas e sobre as coisas da vida continuavam. A temática sempre me agradou (gosto de ouvir uma musiquinha deprê de vez em quando), mas o barulho roqueiro me afastava. Até que nessa época eu ouvi: “Todo Carnaval Tem Seu Fim”. A batida forte de uma banda de carnaval me conquistou, mais por causa da letra. A letra pede para você deixar de lado o que lhe perturba, porque há coisas que são e pronto. Então: “deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz”. Ou seja, deixa-me fingir que sou um palhaço e me divertir, já que a felicidade é algo distante. Essa música está no cd “Bloco do Eu Sozinho”, no qual também estão “Casa Pré-fabricada” e “Veja Bem Meu Bem”, cantadas lindamente pela Maria Rita. Mas a versão da banda não é ruim, só menos delicada e mais forte. Esse é um álbum de transição, então, em algumas faixas, você ainda nota o rockão, como na música “Tão Sozinho” (inaudível para mim).
E a mudança foi decretada em “Ventura”. Para alguns fãs, esse é o melhor álbum da banda. Nele está o melhor do samba e mpb do Los Hermanos. A base é o rock, sempre. Mas esse está camuflado em acordes chorosos da mpb e do sambinha de roda. Os rits que marcaram esse cd foram “O Vencedor” e “Cara Estranho”; mas, para mim, as faixas de ouvir muitas vezes são: “Samba a dois” e “Do Sétimo Andar”. “Do Sétimo andar” é daquelas para momentos de casa vazia, em que você aumenta o som para preencher os cômodos, abre a janela para o ar entrar e vai para cozinha preparar um soco de abacaxi gelado enquanto cantarola a letra: “E eu sei que parece o que não se diz…, o seu caso é o tempo passar.”
Mas o meu álbum favorito é o “4”, último da banda. Não pelo conjunto da obra, mas por algumas faixas específicas. “O Vento”, por exemplo, é um pedido de urgência, de mudança, é o vento dizendo “lento o que virá, e se chover demais, a gente vai saber, claro de um trovão, se alguém depois sorrir em paz. Só de encontrar… Ah!!!”. A batidinha de “Morena” lembra as cariocas bronzeadas com o seu andar sedutor, na calçada de Copacabana, fazendo caírem os queixos dos homens que estão nos quiosques da praia tomando cerveja. Há também faixas dramáticas como “Dois Barcos” e “Os Pássaros”, um mambo em “Paquetá”, e, para não esquecer as raízes, a batida roqueira los hermanas está em “Horizonte Distante” e “Condicional”.
Num fim de semana preguiçoso nada é melhor que ouvir Los Hermanos lendo um bom livro, ou de olhos fechados se esquecendo da vida.
É arte: A versão de “A Palo Seco“, de Belchior, presente no lual da mtv.
É fato: Em abril de 2007, a banda anunciou um recesso por tempo indeterminado nos trabalhos, alegando o acúmulo de muitos projetos pessoais ao longo de seus dez anos de carreira.
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