a vida dos outros


No meu dia (sabe aquele que as pessoas te ligam e te dão presentes?), decidi viver a vida dos outros (que também é de outros) indo ao cinema. Resolvi pegar a sessão que ia começar naquele instante. Sem saber do que o filme se tratava, entrei na sala escura e sentada na poltrona já havia esquecido o nome do drama. Foram 137 minutos, ou duas horas e 17 minutos, que não senti passar.

A luz apaga. Estou em Berlim, de novembro de 1984. O governo oriental busca assegurar seu poder por meio de um sistema rigoroso de controle e vigilância sobre os cidadãos. E para isso, conta com pessoas como o capitão Anton Grubitz (Ulrich Tukur), que busca ser promovido, com o apoio dos mais influentes círculos políticos da época. O capitão, por sua vez, utiliza um fiel agente do sistema: Gerd Wiesler (Ulrich Tukur), para vigiar secretamente e coletar evidências contra o bem-sucedido dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch) e sua namorada, a atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck). E, pelos olhos de Wiesler, passei a viver “A Vida dos Outros”.

O filme é denso/leve, gostoso de ser visto. Você é convidado a entrar nas cenas, passa a ser o espião junto com o Wiesler e, quando menos esperar, estará vivendo o cotidiano do casal de artistas. E, aos poucos, o cinza do uniforme de Wiesler, vai dando espaço ao azul de seus olhos; ou melhor, sua vida vazia começa a ser preenchida pela intensidade da vida do dramaturgo, pelas relações dele com a música, a literatura, o amor e a amizade. Assim como a nossa. Afinal, quantas vezes, nosso dia-a-dia sem graça e frio, como o do solitário agente, é abrandado por visitas de amigos, novos romances, livros, música e arte, que, muitas vezes (para não dizer sempre), são capazes de modificar até mesmo o que somos.

É fato: Durante o regime da RDA, cerca de quatro mil espiões vigiaram supostos subversivos, produzindo aproximadamente 120 mil relatórios, organizados segundo o codinome de cada agente.

É arte: Os poemas de Bertolt Brecht e “A Sonata para um homem bom”, de Gabriel Yared, composta especialmente para o filme.

:: A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen)
Alemanha, 2006. 137 minutos. Drama. Direção e Roteiro: Florian Henckel von Donnersmarck.

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