miss saigon


A história é quase aquela de todo romance clichê. Abril de 1975, Guerra do Vietnã, uma pobre menina tem os pais mortos na guerra e acaba indo trabalhar num bordel para ganhar a vida. Lá, ela, que ainda é virgem, encontra um soldado americano bonzinho. A primeiro momento, ele se recusa a se deitar com mocinha, afinal, ele é o soldado americano bonzinho. Mas bem, já que estão ali e ela faz questão… E na primeira noite eles se apaixonam, e ele promete levá-la para América, onde construirão o “American Dream”. Tudo lindo, ele tiraria ela da vida-fácil, iriam para um país sem guerras e viveriam felizes para sempre. OPS! Isso é uma peça, precisa de um clímax, mais que isso: é teatro, é uma história de amor; então, é drama. A mocinha ainda tem que sofrer para ficar com o mocinho. E, como sempre, por cilada do destino, eles vão se separar. Agora sozinha, a mocinha descobrirá que está grávida do mocinho. Oh, Meu Deus! Quem poderá ajudá-la? O Chapolin Colorado? Não, o Engenheiro!

Ok. Dei um tom jocoso para a sinopse da peça, mas “Miss Saigon” é um daqueles romances a la Camilo Castello Branco, em que todas as personagens sofrem, sofrem de amor e nada acaba bem.

A história é bonita, a produção não é tão grandiosa quanto à de “O Fantasma da Ópera”, musicalmente e coreograficamente não é melhor que “Chicago”, e não tem a graça de “My fair lady” (apesar de ser o menor musical dentre os citados). Não sei, mas não saí com a mesma empolgação dos anteriores em Miss Saigon – não sabia cantarolar nenhuma das músicas. Mas acho que foi o musical que mais me tocou. Emocionou, mas não encantou. Encanto devido à atriz, que estreava no palco: Cristina Cândido. Ela é a “Miss Saigon”! A voz, a delicadeza dos traços e gestos, a emoção… Cristina alterna com Lissah Martins, a Miss Saigon oficial; ela tem 22 anos e o musical é sua primeira peça, talvez isso explique a verdade de sua atuação, a entrega à personagem. Outro ator, que merece destaque, é Marcos Tumura, o cafetão chamado de Engenheiro. O Engenheiro é a personagem que quebra a dramaticidade da peça com a comicidade dada na medida certa por Marcos. É dele um dos melhores números do musical: “The American Drean” (vídeo).

“Miss Saigon” é um bom programa para um fim de domingo. Mas ainda estou na dúvida se vale o valor do ingresso. Talvez seja bom assistir para ter referências, repertório de musicais e produção. Porém, como espectador comum, não dá vontade de ir outras vezes.

É arte: A coreografia de “O Dia do Dragão”. Fogos, um dragão oriental e dança com fitas e bandeiras fazem, sem sombra de dúvidas, o melhor número de dança.

É fato: O helicóptero faz muita falta! Tentaram substituir a cena em que um helicóptero aterrissaria no palco por um jogo de luz e som. Que desastre! Quem está no camarote ou no balcão (ambas partes superior da platéia) não sentem a emoção da aterrissagem do veículo. Pelo contrário, não passam de luzes rodando e iluminando a platéia inferior e um barulhão de hélices.

:: Miss Saigon
Teatro Abril (av. Brig. Luís Antônio, 411, Bela Vista, região central, tel. 6846-6000). 1.533 lugares. Qua. a sex.: 21h. Sáb.: 17h e 21h. Dom.: 16h e 20h. Estréia 12/7. Em cartaz por tempo indeterminado. 140 min. 12 anos. Ingr.: R$ 65 a R$ 200.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s