a invenção de morel


O lugar onde você lê influencia muito, tenha certeza. Comecei a ler “A invenção de Morel” no trem, pois ele é o livro perfeito para se levar na bolsa, mas é imperfeito para ler em lugares tumultuados, como os coletivos. Então, sábado, deitei na rede, o levei junto e comecei a aventura tudo de novo. As cinqüenta primeiras páginas são mesmo de provação, mas nas quais há pérolas. A definição de conversar é uma delas:

As conversas se repetem; são injustificáveis. […] Estudei o tema antes do processo: as conversas são trocas de notícias (exemplo: meteorológicas), de indignações ou alegrias (exemplo: intelectuais) já sabida ou compartilhadas pelos interlocutores. O que move tudo é o gosto de falar, de expressar acordos e desacordos.

Depois das cinqüentas páginas, é pura aventura, e não dá mais vontade de largar. A personagem principal é um fugitivo da justiça (não se sabe o crime) que vai se esconder em uma ilha deserta, suspeita de estar infestada por uma doença. Esconderijo perfeito! Afinal, quem o procuraria num lugar contaminado? Depois de um certo tempo, ele encontra pessoas no local, mais do que meras pessoas: Faustine. A obsessão pela moça faz com que ele passe a observar melhor o cotidiano dos outros habitantes da ilha, especialmente de um tal de Morel. Despois que  ele descobre a invenção de Morel é quando o livro se torna mais profundo e paramos para refletir sobre alguns aspectos da vida, por exemplo:

Pode-se pensar que nossa vida é como uma semana […] que volta a se repetir em mundos contíguos.

Bem, esse foi o meu primeiro livro do Adolfo Bioy Casares – o primeiro de muitos outros que virão, devo deixar claro. É ótima a maneira reduzida, profunda e completa que ele conta uma história. Ele realmente consegue dizer muito em poucas palavras.

É arte: As notas de um editor X, que corrige e comenta algumas passagens do diário do fugitivo. Um intrometido muito engraçado.

É fato: No começo, você quer saber mais sobre o fugitivo, de onde ele veio, qual crime cometeu, se tem família, qual é o nome dele… Mas no fim, isso não faz falta nenhuma, apesar de eu ter dado um contexto para ele: para mim, ele se chama Thomas e foi condenado à prisão perpetua por estelionatos.

:: A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares. Cosac Naify, 136 págs., R$ 39,00.

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4 comentários sobre “a invenção de morel

  1. Adorei! Me deu vontade de ler agorinha..hehe
    Mas a lostmaníaca da minha mãe vai gostar ainda mais. =D

    Beijos.

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