gilberto freyre, intérprete do brasil


 

Sobre Gilberto Freyre só sabia o que ouvi por aí, que ele foi cientista político e autor de “Casa Grande & Senzala”, em que mesclou a linguagem das ciências sociais com um texto histórico-literário para contar as origens da sociedade brasileira. Logo, a minha expectativa era menor possível. Isso também por que visitei a sobre Clarice Lispector, que tivera a mesma curadoria, e foi uma exposição muito abaixo da crítica e muito longe do que a escritora representa.

 

Contudo, insisti. E que feliz surpresa.

 

Para um museu que tem como proposta a interação, o cenógrafo André Cortez teve umas sacadas geniais. Ele brincou muito bem com as frases e com os ambientes. Por exemplo, para retratar o livro “Assúcar”, André montou uma cozinha, na qual, com sua interação, os eletrodomésticos e móveis iluminavam frases sensacionais de Gilberto Freyre – “nós brasileiros nem sempre sabemos o que é exótico para o nosso paladar: se o europeu, se o tropical.”

 

Além dos livros, você descobre outras facetas do sociólogo. A primeira apresentada não é a das letras, e sim a das tintas. Na primeira parte da exposição, há desenhos e pinturas feitos por Gilberto, nada profissional, tudo muito amador, aliás; mas de uma ingenuidade tocante. E você vai conhecer as outras atravessando a Casa-Grande, encontrando uma senzala e chegando à “Ordem e Progresso”. A idéia do cenógrafo é que o espectador sinta-se mexendo e conhecendo a casa de alguém, o que era o objeto pesquisa de Freyre. E não há duvidas de que conseguiu.

 

Saí de lá direto a uma livraria para comprar “Tempo Morto e Outros Tempos”, de onde foram tiradas frases com as quais mais me identifiquei: “Uso as palavras intuitivas sem repelir as lógicas. As cotidianas sem repudiar as raras. As populares sem deformar as eruditas. As sensíveis sem repelir de todo as abstratas.” Mas devido à rotina apressada e atarefada (faculdade-trabalho-cursos-blog-blog-cursos-trabalho-faculdade) ainda não tive tempo de ler. Mas o ele está ali, na minha escrivaninha, apelando para mim: “Leia-me” – o que não vai demorar a acontecer. Aguarde.

 

É arte: Além das frases e pinturas de Gilberto Freyre, também há muitas fotos, documentos e cartas, que mostram o envolvimento do autor com outros intelectuais, e um pouco de sua intimidade. Até então aguardada em quatro paredes, mas hoje está ao alcance de um “abrir de porta”, ou de gaveta.

 

É fato: Muitas pessoas! Filas e espaços lotados são quase inevitáveis quando se pensa em Museu da Língua Portuguesa. Ah, sem contar as crianças. Sempre haverá uma que passará correndo por suas pernas enquanto você tenta ler um textinho. Afinal, a única coisa que elas querem ali é a interação.

 

:: Gilberto Freyre, Intérprete do Brasil. Até 4 de maio de 2008. Museu da Língua Portuguesa, terça a domingo, 10h às 18h. R$ 4,00. Grátis aos sábados.

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2 comentários sobre “gilberto freyre, intérprete do brasil

  1. Aiaiai, me deu até uma inveja!
    Poxa, também não conheço muito sobre o Freyre, apenas li “Casa Grande & Senzala”. Mas gostaria de conhece-lo mais, e nada como uma boa exposição, né? Confesso que só fui conferir a exposição que fizeram para a dona Clarice, e olha … fiquei maravilhada. Quem sabe se até maio eu consiga ir á sp, acho muito dificil…
    Esse livro que você disse que comprou “Tempo Morto e Outros Tempos”, é fácil de achar?

  2. Obrigada, vou tentar procurar o livro..
    Se você puder, me passe o nome da editora! sim, ajuda ..

    😉

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