aos meus amigos


E a saga “Queridos Amigos” chega ao fim.

Sexta-feira às 23h45, eu terminei de ler o livro “Aos meus amigos”, de Maria Adelaide Amaral. No começo, o livro parecia ser uma continuação da minissérie. Mas, na verdade, ele é o último capítulo aprofundado com alguns flashes back para os primeiros episódios, ou para mesmos os flashes back da versão televisiva. E as personagens são praticamente as mesmas, com exceção de dois que só aparecem no livro: Adonis e Caio (este último podemos dizer que está mesclado a figura de Beny).

Ainda não sei se gosto mais da minissérie ou mais do livro. Foi tão bom acompanhar “Queridos Amigos”, como foi bom ler “Aos meus amigos”. A habilidade de Maria Adelaide Amaral em contar várias histórias ao mesmo tempo é louvável. Você não se perde ao ler os diálogos e digressões das mais de 10 personagens que se unem e se separam em perfeita harmonia.

Isso sem contar a aula de literatura, música e cinema. As discussões e citações de livros, cinema e música, me fez lembrar o tempo que estudava teatro – toda reunião com o grupo era uma ode a arte. E não é só nos temas dos diálogos que verossimilhança acontece. Em frases, traços de personalidades, acerto de contas… também é fácil se reconhecer, ou identificar pessoas próximas. E apesar de ser dedicado aos amigos e se tratar de diálogos entre amigos, as personagens, na verdade, são grandes solitárias – outra grande semelhanca entre sociedade que vivemos.

“Aos meus amigos” é daqueles livros que ficam marcados, cheio de anotações nas laterais e de frases sublinhadas: “Ao escrever, eu ultrapasso as minhas limitações. […] Quando escrevo, eu transcendo as minhas pobres circunstâncias e me torno deus.”, por exemplo. E, da mesma maneira que a minissérie, o romance termina sem muitas explicações. Assim como a vida, acaba por que tem que acabar.

É arte: As referências de literatura, música e cinema. São muitas as obras citadas ali que eu quero ler, assistir ou ouvir. Já comecei a ler “Uma Estação no Inferno” do Rimbaud (obra de domínio público), e já não consigo parar de ouvir Debussy.

É fato: Faltou uma notinha de rodapé. Há muitas citações em inglês e francês que deveriam ter uma traduçãozinha ou no fim ou no pé da página. Mesmo as personagens explicando o contexto das frases, não custava nada colocar tradução.

:: Aos meus amigos: de Maria Adelaide Amaral. Editora Globo. 336 págs., R$ 23,00.

3 comentários sobre “aos meus amigos

  1. Ana Carolina Lima Braga disse:

    Você é uma ótima crítica da arte, hein?!
    Gosto dos críticos que não fazem apenas um resumo das obras, e sim colocam emoções em suas palavras, expressam as suas opiniões, etc …
    Deu até água na boca, e mais uma vez me arrependo de não ter acompanhado a minissérie! =(
    Vou procurar ler esse livro …

    Ah, sobre as traduções de algumas frases, eu discordo … acho que se traduzir na íntegra, perde a beleza e o sentido das mesmas…

  2. Lunna disse:

    Eu li esse livro antes de a minissérie ir ao ar e sou sincera em dizer que gostei muito mais do livro que da minissérie que mostrou com muito mais intensidade esse lado bucólico da década de oitenta. Abraços e parabéns pelos mil visitantes…

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