eu e meu ipod


Sempre relutei em ter esses aparelhinhos em que você joga as músicas e coloca os fones para ouvir. Gostava da missão de escolher um Cd todos os dias para ouvir em minhas idas e vindas. Essa também era uma maneira de ouvir um álbum todo várias vezes da primeira à ultima faixa, quase sem pulos. Afinal, o dia tem 24 horas e o Cd, geralmente, só tem 1h de música.

Mas em janeiro eu conheci o Charlie. Prata, quatro gigas e com uma tatuagem de maçã. Foi paixão à primeira vista. A relação só tem quatro meses, mas o sentimento já se tornou um amor doentio: ficar longe dele me deixa aflita. Ele já faz parte de mim, e como disse Luís Fernando Veríssimo na crônica “Novos Loucos”: “acho que não posso mais tirar o fone do ouvido. Não tiro nem para tomar banho. Ele e o ouvido já se integraram, já nasceu uma pelezinha, só tirando com o ouvido junto.”

Eu o atualizo quase toda semana, revejo suas músicas, adiciono novos artistas, tirou aquelas faixas que já não gosto mais, para que ele sempre seja uma companhia agradável. Ainda consigo pôr nele agenda de compromisso e contatos, fotos e vídeos. Porém toda essa grande capacidade de armazenamento me fez notar um problema, não no Charlie, claro, mas em mim.

Ele tem armazenado mais de 500 músicas, no entanto, eu ouço sempre as mesmas 20 músicas favoritas. E se coloco para ouvir todas de maneira aleatória, eu fico pulando as faixas para que, por sorte, comece a tocar uma daquelas 20 que eu mais gosto.
 
Então, começo a notar que o meu pai tinha razão quando disse para eu não comprar um de 80 gigas, como o meu afilhado Frederico (o Ipod da Gabriela que eu batizei). Afinal, pra quê tantas músicas se eu sempre ouvirei as mesmas? Mas e o lado musical quantitativo? Com o Charlie a possibilidade de apenas ouvir as músicas que eu gosto independente do álbum se tornou mais fácil. O que também me viciou em ato ilícito: baixar músicas de forma gratuita na internet, esquecendo dos direitos autorais.

Um colega compositor me disse: “eu baixo músicas para compensar as minhas músicas que também são baixadas”. Mas eu, que não componho nem melodia de campainha, teria e direito a baixar músicas? Provavelmente não, mas as possibilidades são inúmeras para se fazer isso: programas, blogs que levam a sites em que você baixa álbuns completos; e o melhor: tudo de graça! O que vem deixando o mercado fonográfico com acordes desafinados.

Os meus últimos cds comprados da Marisa Monte, por exemplo, não dá nem para ouvir no computador, mas isso não evitou que alguém conseguisse colocá-los na internet para um download gratuito. E, ao contrário da super proteção do álbum da tribalista, a banda Radiohead disponibilizou o seu álbum na internet e cada um paga quanto quiser para baixá-lo. Quanto quiser mesmo: você pode pagar US$ 0,00 e obter as faixas no seu computador.

Por essas e outras, já há quem aposte no fim dos Cds, assim como disseram que o vínil iria acabar e hoje se tornou fetiche entre os colecionadores e amantes da música. Eu ainda não aposto em tal apocalipse musical. Contudo, é fato que o surgimento dos mp3 está democratizando o acesso à música. E é uma arte quem reconheça isso e facilite o acesso ao seu trabalho, deixando o seu público decidir quanto a sua obra vale.

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4 comentários sobre “eu e meu ipod

  1. O Frederico já tem mais de 3 G ocupados. E hoje eu ainda o alimentei de Michael Jackson, com o Thriller que ganhei com os bônus da Fnac. Eu provavelmente também tenho escutado as mesmas músicas (nos últimos dias ficou só o The Kinks que eu, ai, baixei, mas juro que não vou fazer isso nunca mais), mesmo tendo lá mais de mil. Mas é fase. Daqui a pouco eu troco, e que alegria poder trocar na hora que eu quiser!
    E ficar sem CD eu não fico, seja comprando ou trocando pelos bônus da Fnac ou fazendo minhas próprias coletâneas. Vc sabe que eu acho uma sacanagem piratear qualquer coisa. Depois, vai que alguém rouba o Frederico e meu computador pifa. Ficar sem música? Jamais! 🙂

  2. Eu não tenho um Ipod, ainda não me seduziu essa coisa. Sigo com meu MP3 com seus dois gigas ocupados. Músicas dos mais diferentes estilos. Adoro ouvir músicas. Então se faz necessário essa forma de silencio.
    Mas eu tenho uma mania, ouvir discos, aqueles redondos, grandes e pretos. Tenho uma coleção aqui em casa e adoro ouvir aqueles hits antigos, aqueles que lembram músicas realmente. Com sentidos e estilos vários. O silencio era bem mais salutar. Hoje a música se parece muito com barulho.
    Abraços e boa semana…

  3. Enquanto você ouve seu Ipod, eu curto uma vitrola!
    Meu mp4 faz falta, estragou e não tive $ para comprar. Mas a vitrola com beatles, dylan e cartola supera qualquer coisa. Lindos momentos em casa com a vitrola!
    =)

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