johnny rivers


Soube há alguns dias que Johnny Rivers está no Brasil. O cantor que era um mito pra mim, vi hoje no programa do Faustão – eu não assisto ao Domingão do Faustão há muito tempo mas, anunciado no intervalo do jogo do Palmeiras que o cantor estaria lá, eu não pude deixar de ver.

Eu me lembro direitinho do dia em que Johnny Rivers entrou para meu repertório musical com suas quatro músicas mais famosas: “Do you wanna dance”, “Summer Rain”, “Baby, I need your lovin’” e “Secret agent man” – que nunca mais saíram dos meus fones. Foi indo para o apartamento do meu tio buscar sei lá o que. No carro, só eu e meu tio pela primeira vez, em 14 anos, saindo juntos – não preciso dizer que o silêncio imperava e perguntas banais me eram feitas, né? Até que ele perguntou o que eu gostava de ouvir, respondi: “Os vinis do pai.” E estendendo a mão, ele me passou um K7 branco dizendo: “Então, você vai gostar desse cara aqui.” E rapidamente, lendo apenas as letras pretas para saber de quem se tratava, coloquei no toca-fitas curiosa.

De fato, a melodia me agradava. Me dava uma nostalgia de uma época que não vivi. Meu tio cantarolava com o Johnny “Do you wanna dance” e dizia: “Bons tempos! Tempos em que eu namorava a sua tia escondido e saiamos para dançar.” Lembro-me de suspirar com uma certa inveja.

Johnny Rivers me acompanhou em muitas idas-e-vindas, muitas madrugadas no computador, muitas horas estudando na mesa no quintal ou lendo na rede; e acredite: sem nunca tê-lo visto. Nunca tive a curiosidade de saber a qual rosto aquela voz, já tão íntima, pertencia. Sua imagem, para mim, era de um salão enfeitado de bexigas, com casais juvenis dançado à meia luz ansiosos para dar o primeiro beijo.

Mas domingo sua face me foi revelada. Sentada ao lado dos meus pais no sofá da sala, fui apresentada ao Johnny. Achei-o inexpressivo, mas gostei de seu violão com o adesivo de uma havaiana. Ele parece ser daqueles que não gostam muito de estar em frente às câmeras. Mas pouco a aparência dele me importou, o interessante era ver seus dedos tocando aquelas melodias que muito me agradam. Meu pai olhava para mim com uma certa estranheza ao me ver cantando com ele. As músicas despertavam nele lembranças e, em mim, pura fantasia.

Agora o cantor está gravando um cd com músicos de jazz que provavelmente nem meu tio, nem meu pai vão querer ouvir. Mas eu confesso estar bem curiosa, pois o gênero muito me agrada – mesmo não me lembrando como comecei a gostar do estilo.

É arte: Apesar de adorar as músicas na voz de Johnny Rivers, confesso que adoro a música “Do you wanna dance” nas vozes dos Beach Boys e The mamas & the papas.

É fato: Johnny disse à imprensa que essa mesma música e “It’s too late” [vídeo] só foram sucessos aqui no Brasil, dá para acreditar?

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4 comentários sobre “johnny rivers

  1. Amei o texto. Percebi que vc presta atenção em sua família, mesmo às vezes não parecendo. rs. Continua escrevendo bem. Parabéns. Te amo. bjs

  2. Eu perdi um show dele de graça em 1998 porque não acordei. Esse ano EU VOU!!!!!
    E viva Mister Johnny!

  3. Ká, você me surpreende. Deixei minha mãe vendo TV sozinha no domingo e fui pro quarto separar revistas velhas… nem vi a carca dele…

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