glória, de vivaldi, pelo coro da osesp


 

No intercâmbio que fiz nas férias, conheci Emanuel, um simpático mineiro que se apresentava como cantor. Mas ao conversarmos, descobri que ele não era um qualquer cantor: Emanuel é tenor no coro da Osesp. De volta ao Brasil, a cada oi que trocávamos, eu pentelhava: “quando é mesmo que você vai me convidar para ver você cantar?”, e recebia a resposta: “qualquer dia, não muito distante”. E esse dia finalmente chegou, e eu fui, felicíssima, pretigiá-lo na Sala São Paulo. No programa estava a obra “Gloria”, de Vivaldi.

 

Essa não era a primeira vez que iria à Sala São Paulo para assistir a um concerto. Costumava, há alguns anos, ir, quase todos os domingos, aos Concertos Matinais (que voltaram a acontecer. Eba!) com uma companhia que muito me agradava na época. Íamos não porque éramos endinheirados, íamos porque gostávamos e o valor do ingresso era/é muito convidativo: R$ 2, e estudante tem direito a meia. E convenhamos, nada é melhor do que ouvir música clássica ao vivo. Mas bem, era a primeira vez que eu assistiria à apresentação de um coro, mais, de um coro daquela qualidade.

 

 É complexo definir como foi, pois não tenho repertório o suficiente, nem conheço música o bastante para tentar explicar com termos técnicos. Talvez, poderia definir assim: foi de melhor qualidade que o canto gregoriano do mosteiro de São Bento, e tão divino quanto. Acho que não ficou bom. Pense em um som divino, angelical… Hummm… Ok. “Gloria” é uma música sacra, o que talvez me ajudou a sentir essa aproximação com os céus. Bem, o fato é que eles poderiam estar cantando só “óóóóóóóóóóó…” e já seria agradabilíssimo. Materializando a qualidade, para se ter uma melhor noção do quão bom é o som, seria como deitar o ouvido em um travesseiro de pena de ganso com fronha de fios egípcios. Não convenci? É, acho que só ouvindo. 

 

Tenho que confessar, porém, que achei a primeira parte um pouco monótona. Pois a música meio que se repetia durante os quarentas minutos de apresentação. Mas a segunda… quanta diferença. O coro e a orquestra ganharam um colorido com as belas vozes das solistas: Cláudia Haberman, Anna Carolina Moura e Denise de Freitas. E quando eu disse colorido, foi colorido mesmo: as donas d’As Vozes, diferente dos cantores e músicos, que trajavam preto, vestiam belíssimos longos: roxo, vermelho e dourado.

 

No fim, ao curvar da regente Naomi Munakata anunciando que acabou não se ouvia assovios junto com as palmas. Mas sim: Bravo! Bravíssimo!!!

 

 

É arte: muito melhores do que os três toques de campainha, que são dados no teatro alertando o público que a peça começará, são as notas do trompete, que soam para o público, de maneira delicada e elegante, convidando-o: entre, entre.

 

É fato: Quando ia aos Concertos Matinais, cruzava com senhoras elegantééérrimas. Então, me lembrando delas, não fiz feio, em vesti como lady inglesa (isso não é comentário meu, nem da mamãe). Porém, a elegância da manhã não foi repetida no concerto do anoitecer (17h/19h). Ao meu lado se sentou uma menina, parecia ser pouco mais velha do que eu, que usava jeans, moletom e sandália rasteira.

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2 comentários sobre “glória, de vivaldi, pelo coro da osesp

  1. Deve ter sido maravilhoso!
    Queria que coisas assim acontecessem no Rio mais vezes e com mais divulgação.

    beijos

  2. Ká, que lindo… e não fique brava com a menina de raseirinha. cultura é para todos, ok?!
    bjs

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