a serpente


 

Eu e o Nelson. Nelson e eu. Quando eu estou na fase do “mau-humor”, nada me dá mais consolo ou alivia mais o estado de irritanção do meu espírito do que Nelson Rodrigues. Passei esse segundo bimestre indo para a faculdade em companhia de “A vida como ela é”, em vez de os tediosos textos de política, cultura brasileira e afins. Relapsa? Diria que não. Tentando, apenas, não enlouquecer com tantas provas e trabalhos.

 

E para brindar as férias, recorri novamente ao Nelson, chamando para o brinde a minha companheira de reclamações Maria Izabel. A comemoração “viva as férias” foi no teatro TUCA com a peça “A Serpente”, último texto que anjo pornográfico escreveu. E nenhum texto era mais propício que esse. Essa é a peça mais curta (sessenta minutos) que Nelson escreveu, o que combinou muito meu atual, e já clichê entre muitos, lema de que “menos é mais”.

 

Duas mulheres se apaixonam pelo mesmo homem. Duas mulheres que são irmãs, que se casaram no mesmo dia e dividem o mesmo apartamento. Duas irmãs que se dizem capazes de morrer uma pela outra. Duas irmãs que são protagonizada por outras duas irmãs: Débora e Cynthia Falabella. Guida (Débora) tem um casamento feliz, Lígia (Cynthia) mantém a sua alcova imaculada – não por vontade própria e sim por uma… impotência do marido. E ao saber do desespero da Lígia, que sofre por ter um casamento infeliz e ouvir os gemidos da felicidade conjugal da irmã, Guia oferece uma noite à Lígia com seu marido, para ela possa sentir a felicidade que seu marido a proporciona.

 

Depois desse, como diria Rosângela Petta, turning point, as relações entre as personagens ficam cada da vez mais tensas. Na platéia, quem não enlouquece com os atores no palco, ri de nervoso em momentos que são extremamente dramáticos. Essas reações são resultados da perfeita sintonia entre os atores, que dão a intensidade necessária não só a seus personagens, mas para todo o texto colérico de Nelson. Mérito também da direção de Yara Novaes, que teve sacadas geniais. Por exemplo, dar voz (em microfones) aos pensamentos das personagens como se elas estivessem falando para um auditório – mas que eu interpretei como aquelas reuniões das Mulheres que Amam Demais.

 

Sessenta minutos passados, eu, extasiada, aplaudo. Izabel vira para mim, e define muito bem a peça em uma palavra: “Forte!”.

 

É arte: o cenário e o figurino de André Cortez. Nada de vermelho, preto ou nudez, como muitos preferem nas peças de Nelson Rodrigues. André optou por um figurino romântico e elegante, e em variações de rosa, azul e verde. O cenário versátil brinca com a visão/sensação de horizontal e vertical do público.

 

É fato: quase trinta anos depois da peça ter sido escrita (1980) as pessoas ainda se chocam, e muito. Risos e exclamações vindos da platéia não condiziam com a dramaticidade do texto e a loucura vivida pelas personagens. Parece que ainda não estamos preparados para ver os extintos e pensamentos mais obscuros do ser humano no palco.

 

:: A Serpente, de Nelson Rodrigues. Drama. Direção de Yara Novaes. 60 min. TUCA (Rua Monte Alegre, 1.024, Perdizes , tel. 3188-4156). 6ª e sáb. às 21h e dom. às 19h. Até 20/07. R$ 20.

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3 comentários sobre “a serpente

  1. Olá Yara. Não sei s elembras d emim, mas fui sua aluna na UFPE em interpretação 3.

    Hoje, 25 de agosto é seu aniversário se nãoe stou enganada… E o meu também (mas esse eu tenho certeza rsrsrsrs)

    Saudades suas e de nossas conversas, junto a Rita, no café do Shopping Guararapes, lembras?

    Bjos enormes…

    E parabéns!

    flaviarenny@gmail.com

  2. Olá, Flávia!

    Mas acho que houve um engano. Esse blog não tem qualquer relação com a Yara. E esse é apenas um post comentando a peça A Serpente.

    Abs.

  3. olá yara , aqui é um ex colega de escola, não sei se lembra de mim. Sou o Rogério garcia um lourinho, fui né rsrsrsrsr , agora mais para grisalho. Eu morava no jardim alvorada. estou com 43 anos estudamos juntos aos 13 ou 14 anos , tempo bom. tTinha o Paulo sávio e outros. Espero que você leia esta menssagem e me responda . Ficarei muito feliz. Abraço eu.

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