retrato de portinari


Acordar e TCC. Almoço e TCC. Dormir e TCC. Sonhar com o TCC. Eu estou no terceiro ano da faculdade e o fantasma do TCC já me assombra. Já tive 5467 idéias e desisti de todas. Agora eu acho que já me decidi, até eu não me encantar com outra. E devido à idéia concebida, meu querido professor (e isso não é puxa-saquismo) Welington Andrade me emprestou o livro: Retrato de Portinari, de Antônio Callado.

O livro é um perfil do pintor que o jornalista escreveu em duas partes. A primeira foi a pedido do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1956. E durante essas conversas com Portinari para esse primeiro perfil, nasceu uma amizade, que é descrita na segunda parte do livro.

Não sei qual era a proposta do Museu, mas o fato é que na primeira parte é bem chata. Callado se comporta como um crítico de arte e fica analisando e comparando a obra de Portinari com de outro pintores, talvez para tentar mostrar a importância do pintor. E quando deixa o artista dizer algo é estranho, como se fosse um favor abrir um travessão para dar voz a Portinari. Que não faz feio. As falas do pintor enriquecem muito o livro. Na segunda parte, quando Callado e Portinari já eram amigos, o jornalista ora o chama de mestre, ora o chama de Candinho. Na primeira vez que li “Candinho”, pensei que estava lendo sobre o filho. Mas não. Era sobre Portinari mesmo. A amizade e a afeição pelo artista se sobressaem ao texto.

Mas tirando esse excesso de aparições do autor, o perfil é bom. É bom para conhecer quem foi esse pintor que produziu tanto. Portinari é de uma doçura (fantasia) e um amargor (realismo) fantástico. É doce quando diz que pinta tanto menino gangorra “para botá-los no ar, feito anjos”. E amargo quando argumenta sobre os humanos: “a gente tem uns andares na cabeça e à medida que vai subindo por eles vai vendo mais longe. Quando a gente chega aí não evita as indagações sobre o que será tudo isso, este mundo que aí está, e com o tempo a gente vai vendo que a Terra é uma porcaria.”

Marc Chagall exercia o mesmo fascínio, que causa em mim, sobre Portinari. “A poesia sempre me venceu e Chagall é um pintor poético. Quando vejo um tema poético realizado em pintura fico com inveja.” E a poesia completava Portinari. Soube por esse livro que ele escrevia poemas e que chegaram a ser publicados, postumamente, no livro simplesmente intitulado de Poemas.

Quando fechei a contra-capa do livro cheguei a conclusão que tudo poderia ser resumido em uma frase de Callado:

“[…] no caso de artistas com a criação, como Portinari, a obra que deixam é a vida que viveram.”

É arte: os desenhos feitos especialmente para o livro e as fotos de Portinari.

É fato: depois de visitar os principais museus de São Paulo, percebi que todos tinham pelo menos um quadro do artista, e isso me fez suspeitar de qual era a importância de ter um Portinari em uma coleção. Mas o fato é que o cara produziu muito. A vida dele era produzir. Foram mais ou menos 4 ou 5 mil obras. Para ele, “pintor tinha que pintar”. Ok. Voltou a subir no meu conceito.

:: Retrato de Portinari, de Antonio Callado. Jorge ZAHAR Editor. 200 págs. R$ 44,50.

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