trilha sonora


Não vá levar tudo tão a sério
Sentindo que dá, deixa correr
Se souber confiar no seu critério
Nada a temer

[a carta – Djavan e Gabriel, o pensador]

 

Tento me isolar o máximo dentro da minha bolha para não prestar atenção na conversa alheia. E para esse efeito isolante funcionar bem, o Charlie precisa sempre estar equipado de boas músicas, ou melhor, de músicas que me agradem. Mas hoje aconteceu algo… mais que simplesmente uma barreira.

 

Geralmente, eu mal presto atenção no que está tocando, é simplesmente um som para impedir a minha fácil dispersão pelo ambiente. Mas depois da parte instrumental da música “A Carta”, a primeira estrofe da canção [acima] me pegou pela mão e me propôs um diálogo reconfortante – digamos, uma conversa aconselhadora.

 

Eu não sei se isso acontece com vocês, mas é incrível com algumas músicas, ouvidas em alguns momentos, parecem terem sido escritas para mim. Isso também acontece com livros, poemas, crônicas de jornal. Mas com música é mais freqüente. Aos poucos eu noto que tenho uma trilha sonora igual de novela – tem desde as mais tocadas do momento aos clássicos universais da mpb e do jazz, passando pelos pagodes e sertanejos que representam cenas da família, as melodramáticas de desilusões amorosas, as tensas para momentos de decisão, até chegar nas instrumentais para dizer que o tempo passou.

 

Eu sei, por exemplo, que, para minha mãe e familiares próximos, a música que ilustra os meus três anos de vida é “Hey Jude” – na versão do Kiko Zambianchi, claro. A música que marcou a minha saída minha vida pré-escolar foi “Vamos construir”, de Sandy & Júnior. E é ouvir “Brincar de ser feliz”, do Chtiãozinho e Xororó, para eu me lembrar, na hora, dos finais de semana passados na chácara da minha tia Vera.

 

Ok. Não são as melhores músicas do mundo.  Mas pasmem: aos 11 eu me regenerei quando comprei o meu primeiro cd. Advinha qual? “Barulhinho bom” da Marisa Monte. Não me pergunte como eu comecei a gostar de MPB e de músicas… hmmm… melhores. Isso é um mistério até para mim. Mas o fato é que, cada vez mais, a trilha sonora da minha vida ganha novos tons e, às vezes, necessita voltar ao passado não vivido para ouvir um choro da Chiquinha Gonzaga, por exemplo.

 

No momento, entre as quinze mais tocadas no Charlie estão: várias da Feist; algumas da trilha sonora de “Adeus, Lênin”, de Yann Tiersen; “sudoeste” e “por que você faz cinema?”, de Adriana Calcanhotto; “enquanto isso”, da Marisa Monte; “call me”, do Frank Sinatra, e claro, “a carta”, que inspirou esse post.

 

É esse o vírus que eu sugiro que você contraia
Na procura pela cura da loucura,
Quem tiver cabeça dura vai morrer na praia.

[a carta – Djavan e Gabriel, o pensador]

 

É arte: a nova música de trabalho de Djavan: “Pedra”, que está em seu novo álbum, Matizes que será lançado em setembro. 

 

É fato: o último álbum do cantor, “Na pista”, lançado em 2004, com versões remix de seus maiores sucessos, não colou em pista nenhuma. Para mim, é intocável. 

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2 comentários sobre “trilha sonora

  1. Ah, eu também quando era novinha comprei o CD do Zeca Baleiro. Talvez por influência de uma tia minha que ouvia um pouco de MPB. Aí com uns 12 anos eu comprei aquele “Memórias, crônicas e declarações de amor”, da Marisa Monte.
    Ah, e eu acho a Feist muito luxo!
    haha

  2. Quando eu era pequena não comprei CD nenhum… risos.

    Passei a gostar de MPB mesmo faz pouco tempo. Na verdade eu já gostava, mesmo porque escutei músicas de Caetano , Chico, Gil , dentre outros ao longo da minha infância inteira, mas não tinha descoberto meu gosto ainda. Eu achava que era chato, mas não sabia que o que chamava de chato eu escutava sempre. Vai me entender…

    =D

    beijos

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