hamlet


Não consigo acreditar que exista alguém que nunca tenha se perguntado pelo menos uma vez na vida: “Ser ou não ser: essa é a questão”. Eu já me perguntei muito isso, como também já cheguei muitas vezes a conclusão de que “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha sua [minha] filosofia.” Hoje outra frase desse personagem se faz presente: “Se não for agora, não será depois. Se não for depois, tem que ser agora. Se não for agora, será um momento qualquer. Estar pronto é tudo.” E para reviver essas frases fui ao Teatro Faap, com duas queridíssimas amigas, ver a montagem de Hamlet, de William Shakespeare, com Wagner Moura e direção de Aderbal Freire Filho.

 A duração do espetáculo me assustava: 170 minutos, mas a boa expectativa aliviava. Depois de todos acomodados, Wagner Moura aparece e dá um recadinho para platéia: “A peça tem 170 minutos de duração, e faremos um pequeno intervalo de 10 minutos. Bom espetáculo a todos!” A música sobe, a luz desce, Wagner se posiciona no palco e peça começa.

E quanta bobagem se preocupar com a duração. Os 170 minutos pareceram meia hora. Tá bom, menos, dona K. Mas eu nem os senti passar, verdade. A encenação de Wagner é tão… envolvente, que parece que o ator lhe convida a viver Hamlet junto com ele. E não deixa dúvidas sobre seu grande trabalho de preparação para viver o príncipe dinamarquês. Um exemplo: quando Hamlet se finge de louco para poder investigar a morte do pai, não só os trejeitos da personagem mudam, como também a voz, que se torna mais aguda e nasalada.

A influência do teatro de Bertolt Brecht nessa montagem também é notável. As coxias são trazidas para o palco e todos os atores ficam presentes o tempo todo. Os poucos elementos cênicos também ajudam a valorizar a interpretação dos atores – que também fazem o papel de contra-regra e cinegrafista. O uso de um telão e uma câmera – que faz o real papel de a câmera indiscreta, revelando os pensamentos mais obscuros de cada personagem –, me fez lembrar o que o meu professor de Técnica de Redação I, Welington Andrade, disse na aula de sobre a peça Ricardo II (é II mesmo, não é o III). “A própria personagem representa uma personagem o tempo todo.” Apesar dele ter dito isso sobre um outro texto de Shakespeare, acho que a idéia se encaixou muito bem em Hamlet. E ficou mais evidente com o recurso audiovisual – que foi muito bem utilizado.

Bem, não adianta eu ficar falando, falando, falando, acho melhor descrever como uma das minhas amigas, que não é tão ligada em teatro como eu, saiu da peça para vocês entenderem tudo o que eu senti. Elza sai com olhos arregalados e sem conseguir dizer uma palavra. Enquanto eu e Angelita, sua filha, tagarelávamos o tempo todo. Até que perguntei: Gostou? Ela responde: Nossa, eu tô sem palavras. Eu tô até agora sob o efeito de tudo o que vi. Elzinha estava inebriada por Hamlet, por Shakespeare.

É arte: o figurino, de Marcelo Pires, que parece ter sido comprado na loja Hering mais próxima, e dá uma literal roupagem moderna à peça.

É fato: achei que a primeira cena, em que vestem Wagner com a armadura do pai de Hamlet poderia confundir a platéia, pois depois, que se torna o Pai, são todos os atores e o Hamlet/Wagner, não a vestiu mais. Mas a Angelita entendeu esse começo como a demonstração do elo entre Hamlet e o Pai. Aceitável.

:: Hamlet, de William Shakespeare. Drama. Direção: Aderbal Freire Filho. 170 min. Teatro Faap (r. Alagoas, 903, São Paulo, tel. 3662-7233). 6ª/sáb às 20h, e dom às 18h. R$ 80. Até 28/09.

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7 comentários sobre “hamlet

  1. Não to me aguentando de vontade de ver, mas combinei em setembro com um amigo… você fica criando expectativas!

  2. que maravilha heim !!! Adoro o Wagner Moura. Vou tentar um dia para ir tbm !!! Quem sabe ainda neste mês.

  3. Adoraria poder assistir esta peça…
    Já sou uma admiradora de Shakespeare, também não sou ligada muito em teatro, mas adoro o Wagner Moura, com certeza se eu pudesse não iria perder essa peça!
    😉

  4. Também sou uma das que adoraria ver estya peça de uma história á tanto tempo contada, ainda faz tanto sentido em nossas vidas!!

  5. Assisti a peça a um mês atrás e foi uma das piores decepções que tive em se tratando de teatro. A peça é extremamente longa, cansativa, monotona. Os atores atuam “exageradamente”, gritam demais, cospem demais, se jogam no chão, desnecessariamente. Não querendo desanima-los, mas vale a pena conferir apenas para ter certeza que marketing hoje é tudo, se não fosse assim, acredito que nem patrocínio esta peça teria.

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