batman – o cavaleiro das trevas


 

 Enquanto todas as meninas sonhavam com um príncipe encantado, eu sempre sonhei com um morcegão que entrava pela minha janela, me levava para dar uma voltinha no seu batmóvel e depois vivíamos felizes para sempre em sua mansão gótica, sendo servidos pelo mordomo Alfred. Bem, já dá para saber de qual homem ideal estou falando, né?

 

Li os gibis, assisti à série de 1960, a todos os filmes e desenhos sobre o cavaleiro das trevas. E como boa batmaníaca fui assistir ao “Batman – Cavaleiro das Trevas”. Mas a frustração esperada se concretizou. Não por que o filme não seja bom, mas porque… digamos, não faz o meu estilo.

 

Acho até que o diretor Christopher Nolan merece palmas por ter cumprido muito bem a função de trazer o Batman para realidade. Mas até que ponto um herói tem que estar inserido na nossa realidade? Será que a verossimilhança é mesmo necessária? Gotham foi novayorquizada. Os policias ganham a ajuda da Swat para combater o crime. Modernizaram a batcaverna sem deixar qualquer resquício das estalagmites e estalactites, que ali existiam e a transportaram para um galpão [como observou a Flávia]. A musiquinha tradicional, quando o herói aparece, não toca. Seus arquiinimigos, que sempre têm um ar mais cômico de vilão canastrão, hoje me arrepiam e me fazem fechar os olhos de medo. E o ar sombrio do Batman, nem está tão sombrio assim. O herói está mesmo é com uma baita crise de identidade. Só faltou citar Hamlet: “ser ou não ser super-herói, eis a questão”. Sim, eu sei que esse é um traço da personalidade do  Batman, e da maioria dos super-heróis, mas nesse filme essa característica está beeem acentuada.

 

O longa (desculpem o trocadilho) é longo mesmo! São 152 minutos de duração. E apesar de toda a ação e efeitos especiais que te prendem muita atenção, chega uma hora que cansa. Quando você acha que o filme acabou, há ainda mais 45 minutos. Se tirassem o segundo vilão e dessem um foco maior ao duelo entre o Batman e o Coringa resolveriam o problema. Não havia a necessidade de colocar o vilão Duas-caras agora. A personagem ficou muito mal trabalhada, e outra: o Coringa é o maior inimigo do Batman. Ele merece ser o único vilão numa história. Não precisa de um vilão coadjuvante. Se bem que, nesse filme, o Coringa, de Heath Ledger, faz até o Batman, de Christian Bale, parecer coadjuvante.

 

É arte: os quatro volumes de “Batman – Branco e Preto”, que traz herói com diferentes traços, saídos das penas dos maiores quadrinistas da DC Comincs. Depois de uma conversa com meu erudito amigo Bruno, cheguei a conclusão de que o roteiro, dos irmãos Nolan, realmente, é muito inteligente. Pena que se perde no meio de tantas cenas de ação e efeitos especiais. Bem, eu vou ter que assistir ao filme mais uma vez para prestar mais atenção nas referências subliminares contindas. Por exemplo, alguém notou a relação da Teoria dos Jogos, de John Nash, na cena dos reféns nos barcos?

 

É fato: a atuação de Heath Ledger é mesmo brilhante. Mas a possibilidade de um Oscar póstumo, como estão dizendo por aí, é um exagero. Como Paulo Autran já dizia: homenagem tem que ser prestada enquanto a pessoa ainda está viva.

 

:: Batman – O cavaleiro das trevas: EUA, 2008. 152 minutos. Ação. Direção: Christopher Nolan. Roteiro: Christopher e Jonathan Nolan.

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8 comentários sobre “batman – o cavaleiro das trevas

  1. Ser servido pelo Alfred deve ser Maravilhoso mesmo. rsrs!!
    Pois é, senti muito a falta da tradicional Batcaverna e pra ser sincera nem percebi a inexistência da musiquinha, só reparei agora e fiquei meio que frustada por isso. Como um filme de super herói não toca a musiquinha ??
    E a parte dos duas caras não me agradou muito. A história dele ficou meio incompleta.
    Mas fora isso, gostei muito do filme e acho que vale a pena assistir.

  2. A parte do duas caras foi de fato a pior coisa que eles fizeram no filme. Foi um enxerto esquisito, que prolongou demais o filme e destruiu a história do duas caras. Tudo isso para provar que o Coringa venceu?? Desnecessário.

    Agora, o roteiro é mesmo muito inteligente. Falei com pessoas que não gostaram do filme, pq acharam ele muito difícil de entender. Isso é algo bem atípico de um blockbuster como esse. Basta ver Hancock, por exemplo. Ponto para ele.

    Mas cadê a musiquinha????? Faltou a musiquinha!!! É como Missão Impossível sem a música, 007 sem aquele tema inesquecível. Francamente…

  3. Ka, acontece que o mundo mudou, e o Batman tbm. Veja pelas diversas e chatas séries criadas para o Superman ? Isso tudo é comércio. Até os desenhos antigos do X-Men eram melhores. O filme ficou bacana, mas já viu os desenhos novos ? Eles criam as versões “future”, para enganar os amantes dos desenhos tradicionais. Sim, senti falta da musiquinha do Batman, da ironia e frieza dele, e tbm, do Jack Nickolson, risos. brincadeira, o ator é ótimo, mas mostrou muita violência, e faltou um pouco do humor costumeiro. beijos

  4. Desculpem a opinião, se é que opinião deve ser criticada…
    Primeiramente, a batcaverna não estava lá. Era um galpão alugado. A batcaverna foi destruída juntamente com toda a mansão Wayne no final de Batman Begins. Agora, Bruce está morando numa cobertura e utiliza esse galpão no Cais como o próprio Alfred cita em determinado momento do filme mostrando seu descontentamento com a localidade.
    Duas Caras não foi o vilão do filme, foi o personagem principal. Usaram brilhantemente os argumento das teorias do Coringa no clássico “Piada Mortal”, mostrando que um homem bom pode decair devido às circunstâncias em que sua vida se transforma. Coringa provou por A+B que ninguém é completamente bonzinho, nem completamente mau.
    E o Duas Caras era a sua cobaia e agiu feito ratinho de laboratório.
    Particularmente, eu gosto de personagens reais, de histórias plausíveis. Por isso sou fã do Batman. Porque ele é humano, porque seu vilão principal é humano. Isso só mostra que a gente não precisa de coisas fantásticas como homens que voam ao redor da Terra pra alterar a rotação e voltar no tempo. A gente precisa só da gente mesmo pra mudar o mundo…

  5. Olá, e seja bem vinda!

    Então, mas você não acha isso um erro? Meu, é ficção. Se num filme tudo foi por terra, nada impede de no próximo tudo ter sido refeito. Eu achei mesmo que o roteiro é muito inteligente. Mas a quantidade de informação e mensagens é absurda. “Menos é Mais”. E como disse tbm, é um filme que eu vou ter que ver de novo só para prestar atenção em outro detalhes. Mas por enquanto me incomoda esse grau de realismo.

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