de-lovely – vida e amores de cole porter


Este post apenas cita o filme do título

Numa manhã de domingo, lendo o jornal e ouvindo a seleção da LastFM de cantores parecidos com Chico Buarque, começou a tocar a música “So in love”, na versão de Caetano Veloso. Então, o mundo parou. Aquela música despertou, em mim, algo. Dei um YouTube (o que seria da minha memória sem esse site?), para relembrar da linda cena [vídeo acima] do filme “De-lovely – Vida e Amores de Cole Porter”, que toca essa música. Passei uma semana ouvindo a canção alternando apenas os cantores: ora com a Ella Fitzgerald, ora com Caetano, depois a versão só do piano de Andrew Hill. (Quem tiver a versão com Kevin Kline, por favor, me manda: ksergiogomes@gmail.com)

 

Quando a ouvi pela 497ª, me veio um conto na cabeça. Um conto baseado na cena que Cole Porter (Kevin Kline) canta “So in love” para Linda (Ashley Judd) [vídeo acima]. Escrevi o começo, mas me sentir incapaz de terminar. Então, mandei para o meu parceiro literário, Bruno, para que ele  completasse e continuasse o primeiro parágrafo. Havia um espaço em branco em que queria citar uma cena romântica que tivesse alguma coisa a ver, mesmo que mínima, com a história que tinha em mente.

 

O espaço em branco no conto era um reflexo da lacuna no meu, ainda pequeno, repertório literário. Sempre me recusei a ler histórias de amor. Achava ridículo essas meninas romanticazinhas, especialmente, as que aos 13/14 anos se diziam apaixonadas. Quando tinha essa idade via o amor com algo grande demais para alguém tão imaturo sentir. Era um sentimento muito nobre para gastar ainda criança. Era, pra mim, algo realmente de adultos. Mal sabia eu que essa era uma visão extremamente romântica. 

 

Mas bem, mandei para o Bruno, ele continuou como eu pedi e completou o espaço. Mas eu já tinha uma história em mente, e quando li a parte dele, notei que não era mesmo a mesma que a minha. Então decidimos cada um continuar por si, pois ele gostou da idéia. E eu me deparei novamente com o dilema de descrever cenas românticas e com bendito espaço – porque não queria a obra que meu amigo mencionou. Corria o olho por todos os livros que estão na minha estante. Forçava a mente para me lembrar de pelo menos uma cena de amor lida na vida. Nada. Nada. Nada. Então, respondendo um e-mail sobre grafias, escrevi o meu nome e me veio a mente: “Anna Karenina”, de Tolstói. Li, porém, o livro emprestado da biblioteca e de maneira muito porca (prometo comprar e ler a edição da Cosac Naify, quando me sobrar os dois tempos: o das horas e o do capital). Não tinha como folheá-lo e nem o google me ajudou a reavivar minha memória. Decidi, assim, apenas citar que a minha personagem lia a cena do encontro amoroso entre Karenina e o Conde Alexei Vronsky, sem maiores detalhes.

 

O romance de Tolstói não tem nada a ver como o meu fraco continho, mas serviu para completar o espaço. Vou começar agora ler romances, não por gosto, mas como exercício. Vai que um dia eu sinta novamente a  vontade de escrever algo melado de água com açúcar.

 

É arte: a seleção das músicas de Cole Porter no filme De-lovely – Vida e Amores de Cole Porter. E a interpretação de Kevin Kline.

É fato: os números musicais de alguns cantores que aparecem no filme são péssimos. Deu pena da Daina Krall. Deixem-na no piano!

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2 comentários sobre “de-lovely – vida e amores de cole porter

  1. O Cole Porter é o maior gênio do mundo para os apaixonados. Tudo dele é lindo, e na voz da Ella então…
    ***suspiros***

  2. Tudo que vem de Cole Porter não tem erro: é divino. Gênios desse quilate, a natureza só deixa nascer de vez em quando para não humilhar os simples mortais. Tom Jobim, no meu entender, teve igual brilho e presença durante sua passagem por esta nossa dimensão.

    Começo a perceber, com tristeza incontida, que a humanidade está carente de gente como eles. Parece que a fábrica fechou nos anos sessenta.

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