emoção art.ficial 4.0 – emergência! & file – 2008 milhões de pixels


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que é isso? Imagino que foi o que muita gente exclamou ao ver o quadro Impressão do nascer do sol, de Claude Monet, no fim do século 19. O que é isso? É o que muita gente exclama ao visitar as exposições Emoção Art.ficial 4.0, no Itaú Cultural, e a nona edição da FILE (Festival de Internacional de Linguagem Eletrônica), no Centro Cultural da Fiesp. Meu amigo Bruno foi um dos que sentiu tal estranhamento ao visitar a exposição do Itaú, e o expressou no nosso blog (quase nunca atualizado). Após visitar as duas exposições, entendi o que o Bruno, e muitas outras pessoas, sentiram ao se deparar com tais obras.

 

É diferente, é estranho, não é mais apenas contemplação. As obras pedem interação: você tem que se movimentar, fazer barulho para obter um resultado. A arte nunca dependeu tanto de seu público. Aí, você questiona mas que arte é essa? Como um jogo de video-game pode ser arte? Oras, já fizeram perguntas parecidas quando os concretistas chegaram a conclusão de que um quadro preto é uma obra de arte.

 

Estamos vivendo uma nova revolução no mundo artístico, uma nova forma de fazer e enxergar as artes visuais – que já não são mais apenas visuais, e sim, sensoriais. Mas é complicado entender, especialmente, para nós já cheios de preconceitos e pudores. Mas a criançada, que está louca para experimentar de tudo, a-do-ra. Pois elas não têm vergonha de chegar numa sala e gritar. E acham um barato a tela responder criando novas formas. 

 

Fiz um rápido passeio pela FILE e tentei experimentar, como as crianças, várias obras. Mas confesso que não me senti muito atraída a interagir. A disposição pelo espaço era ruim e pouco convidativa. Estava mais com cara de feira de exposição do que de uma exposição. O contrário do cuidado da mostra do Itaú. As poucas obras estavam muito bem organizada pelo espaço, reforçando mais uma vez que menos é mais. Consegui interagir com cada obra, refletir em frente de cada uma. Adorei a obra Reler, de Raquel Kogan. Retirei um livro da estante, e ao abrir uma gravação era ligada. Imensa foi minha alegria de ouvir um dos meus textos favoritos da Clarice Lispector por aquele livro falante: Medo da Eternidade. Também muito me agradou a obra do coreano Ki-bong Rhee. O movimento de um livro como se fosse um peixe num aquário tinha um efeito hipnótico sobre mim. A leveza das páginas se movimentando suave naquele aquário azul… lindo.

 

 Ok. Agora você me pergunta: isso é arte? Respondo: sim, mas você precisa de um novo olhar para ela. E é fato que as pessoas ainda vão se questionar muito, especialmente, ao ver o robozinho, de Leonel Moura, fazer obras que lembram um pouco os quadros de Jackson Pollock.

 

Mas acalmem-se. Esse estranhamento é normal. Ou vocês acham que Picasso sempre foi chamado de gênio?

 

:: emoçaõ art.ficial – emergência: Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, tel. 2168-1776. Terça a sexta, 10h às 21h; sábado, domingo e feriados, 10h às 19h. Grátis. Até 14 de setembro.

:: FILE – 2008 milhões de pixels: Galeria de Arte do Sesi:  Centro Cultural Fiesp. Avenida Paulista, 1 313, São Paulo, SP, tel. 3146-7405. 2ª, das 11h às 20h; de 3ª a sáb., das 10h às 20h; dom., das 10h às 19h. Até 31 de agosto. Grátis.

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2 comentários sobre “emoção art.ficial 4.0 – emergência! & file – 2008 milhões de pixels

  1. A arte serve justamente para sempre provar o contrário.
    Saudades das nossas conversas vespertinas de msn!
    =D

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