Ars Dolem Ars (Arte, dolorosa Arte)


Não sei se todo mundo faz isso. Mas toda vez que eu entro num blog, sempre vasculho a lista links do blogueiro. E foi assim que eu conheci Mistral Gagnant, e virei leitora das reflexões de Anna (que até inspirou uma troca de textos, com alguns amigos, sobre um possível passeio por nossas cabeças). Na quinta-feira, um post do Mistral Gagnant pautou novamente uma conversa com uma amiga, a Tainá, que comentou sobre um texto publicado nesse blog sobre arte. E, assim como a Tainá compartilhou o texto comigo, eu quero compartilhá-lo com vocês:
  
Ars Dolem Ars (Arte, dolorosa Arte)
 
Pergunta que ouvi no café hoje: “Mas é preciso sempre sofrer pela arte?”

Sinceramente?

Sim. Senão não é arte, é hobby.

Veja você: bailarinos criam joanetes e calos que sangram.

Tenistas tem tendinites horríveis nos ombros. Para não falarmos dos fundistas, dos jogadores de vôlei ou dos goleiros, cujas articulações sempre ficam por um fio (ou meio).

Escritores não dormem se não acham a palavra perfeita. E também sofrem horrores com tendinite e vista cansada, ainda por cima.

Para produzir algo que vai além de si mesmo, além do ir-e-vir cotidiano, dói. Ou dói no osso ou dói na alma. Se for fácil demais, tem alguma coisa errada na figura.

Por isso que muita gente se diz artista, mas pouca gente é mesmo artista. Porque ninguém deseja se auto-infligir dor. Mas só quem sabe – aqueles que amam o produto final apesar de tudo – aceita o preço. E se deixa machucar.

Mistral Gagnant, escrito por Anna lá por volta de 09:28 de 5 . 9. 2008
 
E aí, o que é arte? O que é fazer arte? O que é ser artista?
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5 comentários sobre “Ars Dolem Ars (Arte, dolorosa Arte)

  1. Fico feliz que você tenha gostado do texto (e a Tainá idem, espero!). Você citou Picasso lá no Mistral; eu gosto de pensar em Mário Quintana, que dizia (e eu parafraseio) que demora muito, mas muito MESMO, para escrever um poema que parece ter sido escrito em quinze minutos.

    Eu quero chegar nesse nível. Vai demorar uns sessenta anos. Mas tudo bem, eu não tenho muito o que fazer mesmo… 🙂

  2. K. precisar não precisa mas acontece. É tudo uma questão de gosto e prazer, como vc mesma disse [D.]

  3. Isso é totalmente verdade!
    Todo grande escritor tem alguma frase ou passagem falando do parto que é escrever. Outro dia li uma ótima na exposição da Clarisse, mas agora não estou me recordando.

    Beijos

  4. sabia que vc ia amar.. e concordo super com o texto. arte assim é transcendental e só de quem acredita mesmo no que faz pra ir até o fim a qualquer custo.

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