beatriz milhazes – pinturas, colagens

Posted on 24/09/2008

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Ela não estava como nas fotografias que saem nos jornais, sites e revista – de camiseta sem estampa, calça jeans, descalça ou de sapato baixo. Calçava uma sandália dourada de salto de madeira de uns 6 cm (não mais), vestia uma saia godê cor jeans claro, de cintura alta, e uma camisa de mesma cor, mas estampada com motivos florais. De familiar, das fotos divulgada na imprensa, constava só os cordões de ouro no pescoço, os brincos de argolas e os cabelos espiralados bem armados – que, cuidadosamente  com as mãos, ela mesma os deixava entre um cumprimentar e outro.

 

Assim estava Beatriz Milhazes na abertura de sua exposição na Estação Pinacoteca. A artista de um milhão de dólares, passeava cumprimentado convidados e visitantes, enquanto o seu sobrinho, de uns nove anos, registrava tudo com uma máquina digital, que recentemente ganhou do pai. A exuberância de suas telas e suas cores desavergonhadas não são reflexos de traços da sua personalidade. Beatriz é tímida. Durante a abertura, parecia um pouco desconcertada com os visitantes que se aproximavam e abraçavam-na para dizer parabéns, que ela educadamente agradecia com um sorriso amarelo. Alguns ainda se faziam de íntimos e contavam a Beatriz fatos sobre sua vida que nem ela mesma sabia. Como uma senhora de corpo opulento, vestida de preto, que se aproximou da artista e questionou: “Você é mineira, né?”. “Não, nasci no Rio, e morei lá a vida toda” – respondeu a pintora. “Ah, mas sua família é de Minas”. “Não, não tem ninguém da minha família de Minas. Meu pai tem parentes na Bahia.” Não satisfeita a senhora insistiu: “Mas eu li! Eu tenho certeza que alguém da sua família é de Minas. Mas parabéns pela exposição, do mesmo jeito.” “Obrigada!” – agradeceu aliviada e comentou: “Esses jornalista dizem coisas sem saber sobre a gente e acabam se tornando verdades”. Jornalista, que, no papel, Beatriz também é. Formou-se em jornalismo em 1982, mas no segundo ano da faculdade se frustrou e foi estudar pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Laje, no Rio de Janeiro.

 

As obras de Beatriz são diferentes das que vemos nas exposições de artistas contemporâneos – trabalhos conceituais, criticando o próprio papel da arte, ou a política. O trabalho da pintora conseguiu atingir um público que estava cansado dessa arte-protesto, e a procura da arte contemplativa, algo que lhe agradasse os olhos, que lhe transmitisse alegria. Não há uma mensagem, há uma composição de formas geométricas e dançantes, que lembram uma escola de samba passando na avenida e profusão de serpentinas e confetes jogados para o alto, e tantos detalhes quanto uma igreja barroca, que fogem aos olhos se você não parar.

 

No vídeo, mais informações sobre a exposição.

[Mas antes um aviso: Esse vídeo não é recomendado para quem tem labirintite e todos outros ites. E uma errata: essa não é a primeira mostra individual da pintora, e sim, a primeira mostra individual em museu. Assim que eu conseguir um microfone, eu conserto.]

 

 Prometo ficar apenas nas imagens estáticas daqui por diante, ok?

 

É arte: a exposição como um todo. Mas o destaque fica mesmo para os vitrais. O efeito da luz colorindo o chão e as paredes é lindo.

É fato: faltam bancos nas salas em que estão os quadros. Um banquinho para passar um tempo sentado em frente as telas contemplando-as cairia bem. 

 

 

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