minha estante excêntrica*


Nesse sábado, em vez de exposições, cinema, ouvir música, ler ou ir ao teatro, tive que arrumar o meu quarto. Mais precisamente minha estante de livros. Em Ex-libris, Anne Fadiman dedica todo um capítulo para a Estante Excêntrica dela, que começa assim:

Sempre acreditei que a biblioteca de cada um contém uma Estante Excêntrica. Nela repousa uma pequena e misteriosa coleção de volumes, cujos assuntos não têm a menor relação com o restante da biblioteca, embora, uma investigação detalhada, revelem um bocado sobre seu dono.

Bem, como eu ainda não tenho uma biblioteca, só me restou ter uma Estante Excêntrica, quer dizer, não exatamente excêntrica. Na verdade, poderiamos chamá-la de variada, pois os assuntos mais diversos repousam lado a lado nas prateleiras. Enfim… Antes todos os meus livros estavam organizados como eles bem queriam, ou como minha mãe, que sempre detestou a desordem na minha escrivaninha, quis organizá-los. Mas nesse sábado, eu decidi colocar ordem na zona. Tirei todos os livros da estante e os empilhei pela cama e pelo chão. Espanei as prateleiras e cada exemplar na hora de colocá-lo em seu devido lugar. Planejei, primeiro, uma ordem cronológica: começar pelos juvenis, até os últimos adquiridos (que deveriam ser mais “adultos”). Não deu certo, meu gosto por contos de fada aumentou com o passar dos anos. Divisões simples: literatura estrangeira e nacional. Mas e as coletâneas de contos e os de jornalismo?  Senti falta de um curso de biblioteconomia depois de muito olhar as pilhas e não conseguir pensar em uma boa divisão. Mas a experiência de horas passadas na biblioteca ajudou, e a estante ficou assim: Primeiro os juvenis, depois os conto, inclusive os de fadas, que deram um gancho para literatura estrangeira, continuação perfeita para os de teatro (começando com as peças de Shakespeare), seguido por literatura nacional, que abraçou os livros de poesia, e relutaram em deixar os de teoria literária se recostarem, os quais não gostaram nada, nada de serem vizinhos dos sobre teoria da comunicação e jornalismo literário, que gostaram menos ainda de compartilhar o espaço com os de arte. Mas como os de arte são descolados, deixaram o mau humor dos jornalistas para lá, e chamaram os guias de turismo para completar a festa. Os de fotografia detestaram a brincadeira, pois tiveram que ficar separados. Ninguém manda eles serem grandes e servirem como ótimas paredes para o fim de cada prateleira. Agora eu tenho que confessar: não organizei os livros em ordem alfabética de sobrenome de autor, não. Deixei cada um ser vizinho de quem bem entendesse. Já basta ter que dividí-los em categorias, não é?

 

*título do terceiro capítulo de Ex-libris- confissões de uma leitora  comum.

Anúncios

3 comentários sobre “minha estante excêntrica*

  1. Hahaha, genial!
    Se eu tivesse vizinhos legais como o Sexta-Feira ou o Iago, seria muiiito feliz.

    Tá, evitaria o Iago. Vai que a xícara de açúcar dele tá batizada, né.

    Beijo!

  2. Dividir por ordem alfabética de sobrenome de autor é pedir pra ter dor de cabeça! A solução é o Dewey, ou algo mais simples mas que siga a linha dele. Bjs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s