regina silveira – mundus admirabilis e outras pragas


Aos 15 anos fui, pela primeira vez, ao MAC – USP. Eu não me lembro qual era a exposição que estava em cartaz, mas eu me lembro, direitinho, de uma obra que vi. Era uma esculturazinha muito simples, de um homenzinho montado em um cavalo branco. Ela poderia ter passado despercebida se não fosse a enorme sombra (feita de vinil) que saía da peça. E ao olhar com atenção, comecei a notar que sombra não era exatamente a do homenzinho sobre o cavalo. A sombra em grande escala era de uma outra escultura: a estátua de Duque de Caxias, de Victor Brecheret, que está na Praça Princesa Isabel, no Centro.  Essa obra, que brincava com o olhar, é O Paradoxo do Santo, de Regina Silveira. Seis anos depois, quem podia imaginar que essa mesma artista estaria tão presente na minha vida. Escolhi Regina Silveira para ser personagem principal do meu TCC.

Então, na última terça-feira (07), lá fui eu à abertura de sua exposição: Mundus Admirabilis e outras pragas. Ao entrar, tive a impressão de que  galeria tinha sido infestada por um grande enxame de insetos e o zunzunzum das pessoas conversando dava vida às grandes imagens de borboletas, lacraias e baratas coladas nas paredes.  Convidados exibiam seus looks excêntricos, bebiam drinques e admiravam a obra de Silveira. A artista era cumprimentada com muito carinho por todos, que a abraçavam com vontade para parabenizá-la. No segundo andar, cruzei com ela na sala mais silenciosa. Um moço muito alto a abraçou demoradamente, e em seguida ela disse: “Isso é o resultado de um trabalho de um ano e meio.” Um ano e meio? – pensei. Pra mim, a exposição era o resultado de anos e anos de trabalho (mas, claro, ela poderia estar se referindo a uma única obra). Ali há obras que remetem a outras obras mais antigas, como Post Scripitum, que segue o mesmo estilo d’O Paradoxo do Santo, que tanto me encantou aos 15 anos. Ou, a tapeçaria, Macula, que lembra também o trabalho feito no prédio da Bienal de Taipei, em 2006. Regina também não deixa de referenciar quem considera sua maior influência: Duchamp, com a obra In memoriam – um mictório com a marca de várias mãos.

Há também trabalhos com projeções de luzes, de áudio e audiovisuais. E apesar do ineditismo das obras, em todas, você pode se lembrar de alguma outra já vista. A minha favorita, por exemplo, dessa exposição, é Infernus, que ao se debruçar sobre um poço, devido aos recursos audiovisuais, você tem a impressão que uma gota de sangue escorreu de você e pingou lá dentro. Vi uma obra semelhante na Pinacoteca do Estado. Mas debruçado sobre o poço, não escorria sangue, ou gotejava qualquer coisa, era possível observar a iamgem de uma lua (ou corpo celeste). Com certeza, mais romântico, mas não mais poético.

:: Regina Silveira – Mundo Admirabilis e outras pragas – Galeria Brito Cimino. R. Gomes de Carvalho, 842, 3842-0635. 2.ª a 6.ª, 10h/19 h; sáb., 11h/17 h. Até 13/12. Grátis.

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2 comentários sobre “regina silveira – mundus admirabilis e outras pragas

  1. estou curiosa pra saber que insetos vc encontrou na casa dela, ka. tá dando certo, aliás? não deixa de contar! bjo!

  2. Minha querida. Desejo muita sorte neste trabalho! Sei que você está apaixonadíssima por ele e que se tem alguém que pode fazer isso bem e com tanto entusiasmo este alguém é você!!! [D]

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