a margem da linha


“Não é um filme de arte, é um filme de vida”

Esse foi o recado dado pela a diretora de A margem da linha, Gisella Callas, antes de o documentário começar, na estréia para convidados, dia 03 de novembro. Se pensarmos na minha vida (Regina Silveira/TCC, TCC/Regina Silveira), a frase se encaixa muito bem. Mas se pensarmos em pessoas que não são lá muito ligadas à arte, especificamente, artes plásticas, essas irão se mexer um bocado na cadeira do cinema.

Regina Silveira, ao lado de Sérgio Sister e José Spaniol, são as personagens centrais do documentário que tenta explicar o que é arte contemporânea. Críticos de arte, um físico-quântico, galeristas, museólogos e outros artistas mais jovens, tentam ajudar nessa explicação, mas o que eu senti é que eles mais complicam e causam um excesso de informação.

Por exemplo: “Existe inspiração?” – uma das perguntas sub-entendida devido às repostas. Mais de cinco pessoas dizendo: ah, a inspiração, o artista, a noite em claro, blábláblá. Para, no final, aparecer a Regina Silveira e dar uma sacudida: “Inspiração? Não! Tem gente que acha que artista é assim: recebe o espírito santo e faz uma obra de arte. O que existe é uma pergunta. Se não existirem dúvidas, não há arte”. E assim segue o documentário… Vários artistas falando a mesma coisa, e a Regina Silveira aparecendo como um contra-ponto, na maioria das vezes.

Os cortes também são secos, uma resposta atrás da outra. Um verdadeiro bombardeio de informações. O que faz os clipes com obras de José Spaniol, Sérgio Sister e Regina Silveira serem um oásis no meio do deserto. Nesse momento, deleite-se com a poesia e beleza dos trabalhos desses artistas.

Outra coisa que muito me incomodou foram os closes excessivos. Eu queria ver um pouco mais do ambiente onde estavam essas pessoas, mas, na maioria das cenas, aparecia apenas o rosto – muito, mas muito, de perto. Como se quisessem captar a palavra materializada da boca das personagens. Talvez esteja exatamente aí o problema do documentário: ele fala demais e mostra de menos para tratar de um tema, que o próprio nome já traduz: artes visuais.

É fato: depois de refletir um pouco mais sobre o filme, cheguei a conclusão de que a linguagem utilizada foi a de um documentário para tv. Aproveitarei muito mais todas as boas reflexões que o filme propõe sentadinha no sofá da sala, certeza!

É arte: a cena do físico-quântico definindo algumas cores: Azul – entender algo em seu contexto; Vermelho – uma constante mudança, é uma cor que nunca pára. Eu nunca mais vou apreciar cores da mesma forma.

:: A Margem da Linha – Brasil, 2008. 96 min. Documentário. Direção e roteiro de Gisella Callas.

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