receita de ano novo


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Desejar Feliz Natal e venturoso Ano Novo pode ser um hábito bobo, mas ainda assim bole com o coração da gente.

 

 

 

 

 

Neste ano, não mandei um “Feliz Natal”, mas recebi um do meu querido amigo Bruno, que, mesmo na  naquela piegas linguagem de boa-festas, boliu com o meu coração.

Não mandei porque acho que todo esse espírito natalino perdeu um pouco do sentido que tinha na infância. E sendo assim, por que enviar essas mensagens para pessoas queridas? Me sentiria falsa.

Bem, pensava assim até o dia 26, quando chegou um livrinho fofo que ganhei numa promoção do blog da Larissa. (Detalhe: eu nunca tinha ganhado nem par-ou-ímpar no pega-pega.) Receita de Ano Novo, de Carlos Drummond de Andrade, me fez  refletir sobre as comemorações do mês de dezembro. O livro tem poemas delicados, bonitinhos, engraçados, amargos, como rimas ricas, pobres e brancas; todos a respeito dos temas recorrentes de fim de ano: papai noel, ano novo, natal, promessas… na sublime visão drummondiana.

Não que eu tenha mudado de opinião, continuo achando todo esse “espírito natalino” uma hipocrísia, mas ler os poemas do Drummond, nessa época do ano, dá uma mexidinha dentro da gente e vontade de mandar um versinho diferente para cada pessoa  que dá sentido a nossa vida nos outros 363 dias.

O artefato.k deseja a todos os seus leitores CALMA! (em dose tripla para a pessoa que escreve esse blog, rs)

Cheguei ao ponto construtivo destas considerações. João Brandão, que às vezes é modelo de sabedoria relativa (a absoluta consiste em deixar a fantasia agir), contou-me que todo ano recebe um cartão nesses termos: ‘CALMA, RAPAZ.’
“‘E quem é que te manda este cartão?’, perguntei-lhe. ‘Eu mesmo. Entro na fila, compro o selo, boto na caixa. Porque se eu não fizer isso, ninguém o fará por mim. Ao receber a mensagem, considero-a mandada por amigo vigilante e discreto, e faço fé na recomendação, que eu não saberia me impor, diante do espelho.’ Pausa e continuação: ‘Tem me ajudado muito. Você já reparou que ninguém recomenda calma a ninguém, na época de desejar coisas? Deseja-se prosperidade, paz, amor, isso e aquilo (‘Tudo de bom pra você’), mas todos se esquecem de desejar calma para saborear esse tudo de bom, se por milagre ele acontecer, e principalmente o nada de bom, que às vezes acontece em lugar dele. Como você está vendo, não chega a ser um voto que eu dirijo a mim próprio, pelo correio. É uma vacina’.

Carlos Drummond de Andrade

 

É arte: as ilustrações de Mariana Massarini, que parecem ter saído direto dos livrinhos infantis.
É fato: ensaio uma entrevista com Drummond (assim como entrevistei Quintana e Bandeira). Na apuração, achei esse vídeo do poeta falando de si e de seu trabalho. Vale a pena pra quem quer conhecê-lo melhor.

 

 

:: Receita de Ano Novo, de Carlos Drummond de Andrade. 2008. Editora record. 128 págs. R$ 18,00.

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4 comentários sobre “receita de ano novo

  1. Ká, ler a palavra calma, me faz lembrar Chico Xavier. Em todas as escritas e entrevistas, o olhar calmo e sereno transmitia paz em todos, então pensei, ele tá certo, vamos manter a calma, pelo menos tentar. Drummond é maravilhoso, tenho um livro enorme dele se quiser emprestado, é só pegar. Beijos, Um 2009 de sucesso com seu TCC, super, híper cansativo. risos.

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