último tango em paris


Eu entendo que, em 1972, Último tango em Paris tenha dado o que falar, mas hoje qualquer novela das nove mostra muito mais. Logo, dava para eu ter assistido na minha casa. Mas foi muito bom vê-lo na retrospectiva de filmes do diretor Bernardo Bertolucci no Centro Cultural Banco do Brasil.

É engraçado ter se encantado com a trilha sonora antes de ver o filme. As músicas simplesmente parecem uma personagem a parte, pois elas já ganharam outras cenas na minha cabeça, que não se encaixam nas de Bertolucci. Mas isso não fez eu gostar menos do romance — por mais que atuação de Maria Schneider seja bem fraca, o charme de Marlon Brando é impagável.

Pela sinopse o filme não me interessou muito: um homem de quarenta anos conhece uma guria de vinte, quando ambos estão vendo um apartamento em ruínas para alugar. Eles sentem uma atração fatal um pelo outro, e passam a se encontrar com o trato de não saberem absolutamente nada um do outro, nem mesmo o nome.  Aquele apartamento em ruínas é um refúgio e um retrato da vida vazia e sem sentido de Jeanne (Shneider), uma burguesinha parisiense namorada de um cineasta iniciante, e Paul (Brando), um viúvo que ainda não superou o suicídio da esposa.

Os diálogos também não são um primor, pois eles não estão ali para conversar — como Paul sempre avisa Jeanne. As melhores falas (e também a melhor cena, não sei por que tanto esse povo fala da manteiga) são as do encontro de Paul e o corpo de sua mulher, Rosa [vídeo]. Bertolucci, no entanto, é bom, mas bom demais, de imagem. A fotografia é belíssima. Muito bem explorados os contraste de luz, sombras nas paredes e reflexos em vidros e espelhos. Lindo, lindo.

Último tango em Paris é como a descrição da dança argentina:

O tango é a dança da carne, do desejo, dos corpos entrelaçados. É um diálogo novo, a sedução feita movimento, o ir e vir, encontro de dois mundos. É um baile exibicionista, esteticamente belo, e ronda sem temores o universo do lúdico.

É arte: claro, a fotografia de Vittorio Storaro e a trilha, que já comentei, de Gato Barbieri.
É fato: conversa no cinema é insuportável. Quando você vai a um Cinemark da vida assistir a um filme infantil, até dá para compreender o zunzum na sala. Mas numa salinha de 70 lugares para ver um filme de 1972, a conversa de um casal de senhores na fileira de trás me deu nos nervos. Nenhuma pessoa está ali pagando para ver filme comentado.

:: Último tango em Paris, de Bernardo Bertolucci. 1972. 129 min. Drama.

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