avenida dropsie


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Fazia tempo que não ia ao teatro. Fazia tempo que não ia ao teatro sozinha. Fazia tempo que não me divertia tanto na platéia. Fazia um tempo aberto naquela tarde de domingo. E ao entardecer caiu aquele pé d’água. A mesma chuva que milagrosamente molhou o palco do Teatro do Sesi na peça Avenida Dropsie, adapção dos quadrinhos de Will Eisner.

Só o meu travesseiro sabe o quanto eu me culpei de não ter visto Av. Dropsie na primeira vez que foi exibida. Porque teatro é assim, né, ou você vê agora ou provavelmente nunca mais verá. São raras as vezes que uma peça volta em cartaz no mesmo teatro e com o mesmo elenco. Mas o raio caiu duas vezes no mesmo lugar, com a mesma intensidade e dessa vez EU VI!

Pense: quantos quadrinhos adaptados para o cinema ficam realmente bons? Poucos conseguem levar para as telonas a mesma intensidade e expressão do traço dos quadrinistas para as telonas. Agora, imagina levar quadrinhos para o teatro, com chuva e tudo? Por favor, quem souber de algum caso comente agora neste blog!

Não é uma peça contínua, são várias esquetizinhas retiradas dos quadrinhos de Eisner, por exemplo, Nova York: A Grande Cidade (1987), City People Notebook (1989), Pessoas Invisíveis (1992) e Avenida Dropsie – A Vizinha (1995). Se você é morador de uma cidade grande, como São Paulo, não tem como não se identificar com as situações vivenciadas no palco pelos atores Andre Frateschi, Duda Mamberti, Erica Migon, Guilherme Weber , Jorge Emil, Leonardo Medeiros, Magali Biff e Maureen Miranda, que chegam a interpretar dezenas de personagens — Guilherme Weber, por exemplo, dá vida a 27.

No texto do folheto da peça, o diretor Filipe Hirch diz: “No dia em que cheguei a São Paulo para  a temporada de Avenida Dropsie, chovia violentamente. […] Da janela do 19º andar do meu hotel, São Paulo parece, como Will Eisner dizia, qualquer imensa cidade do mundo.”  Talvez por isso o texto do quadrinista americano sobre uma avenida da  imensa  Nova York se encaixou tão bem no palco de um teatro em uma avenida da quinta maior cidade do mundo. Até a nossa tradicional chuva de toda tarde do verão está lá. A Avenida Dropsie nunca foi tão Paulista.

É arte: o cenário criado por Daniela Thomas. Sabe aquela máxima já citada por aqui: “Menos é mais”?  É mais mesmo. Daniela colocou no palco apenas um edifício de 10 metros de altura com três andares. Não sei se a cenógrafa se baseou só nos quadrinhos de Eisner, mas alguma coisa ali, provavelmente graças aos efeitos de iluminação, me lembrou os quadros de Hopper, que, aliás, combinam muito bem com cidades grandes.

É fato: quem não comprou os ingressos vá correndo comprar agora. As entradas para essa temporada comemorativa de 15 anos da Sutil Cia. estão se esgotando muuito rápido. Eu comprei o último para apresentação de domingo passado de Avenida Dropsie e também o  último para apresentação de Não sobre o amor no próximo sábado. Corraaa!!!

:: Avenida Dropsie, de Will Eisner. Comédia. Direção e adaptação: Felipe Hirsch. 110 min. Teatro do Sesi (Av. Paulista, 903, São Paulo, tel. (11) 3146-7439). 4ª/5ª e domingo. R$ 10. Até 28/03.

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2 comentários sobre “avenida dropsie

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