Chico Buarque – Perfis do Rio


não achei a capa do livro com boa definição, mas essa combina com "é fato"

não achei a capa do livro com boa definição, mas essa combina com "é fato"

Eu tenho meu orientador oficial na faculdade para meu trabalho de conclusão de curso, o Celso – que é excelente, diga-se de passagem. Mas, na minha vida profissional e também pessoal, eu tenho uma orientadora particular, a Gabriela – que também é excelente, diga-se de passagem. E foi pelas mãos dela que tomei conhecimento da série Perfis do Rio, uma iniciativa da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro, editado pela Relume Dumará.

Como já é de conhecimento geral da nação, estou fazendo um perfil de uma artista plástica, e para fazer um bom perfil é preciso ler perfis, claro. E, por conta disso, a Gabriela me emprestou dois perfis dessa série, o do Otto Lara Resende e o do Chico Buarque – este último foi devorado em três dias apenas nas minhas idas e vindas da faculdade.

O texto é ágil, leve, como um bom texto de revista, só que bem mais longo. Senti falta de algumas referências de levantamento de informação. Por exemplo: “disse Chico numa entrevista a uma revista”. Aí, eu me pergunto: “qual revista, quando?”. Mas acho que isso é implicância de estudante de jornalismo.

O primeiro capítulo começa assim:

“Pode fingir que eu já morri?” Chico disparou a pergunta com a cara mais séria do mundo.

Como eu queria que Regina Silveira me dissesse: “Finja que eu morri.” O mais provável, no entanto, seria ela dizer: “Cuidado, eu estou bem viva, e de olho em você.” Ela não é tão serena quanto o retrato de Chico nesse perfil. Mas, assim como o ele, é muito generosa e tem uma imaginação riquíssima — nem preciso dizer que estou aprendendo horrores estudando o trabalho dela, né?

Ainda no primeiro capítulo, Regina Zappa, jornalista e autora do perfil, explica ao artista o que é o perfil e o que precisa do cantor:

Precisava falar com pessoas próximas a ele, como a família, parceiros, amigos e companheiros de futebol e de palco. Precisava, além disso, e sobretudo, da sua disposição de falar. Portanto, precisava do artista vivo. Bem vivo.

O Chico chegou a dizer que achava ótima a idéia. Eu não ouvi isso da minha perfilada quando eu expliquei o projeto usando praticamente as mesmas palavras. Ela já até me chamou atenção sobre uma possível invasão que estaria cometendo na vida dela. O que eu não pude discordar, esse trabalho é meio invasivo mesmo. Afinal, você tem de entrevistar muitas pessoas em volta dessa personagem, acompanhar o máximo que puder a rotina dela para fazer o retrato mais próximo possível do real – mas acho que agora, depois de três encontros, ela está começando atender...

Não é uma tarefa fácil. É uma grande esforço jornalístico. Não só estou aprendendo muito sobre arte, como também sobre o fazer dessa profissão que escolhi. Entrevistar, cruzar dados  exigem muita apuração e persistência, pois as fontes, por mais gentis que sejam, não estão a sua disposição. Está sendo necessário sujar muito os sapatos.

É arte: o Chico todo, né? Não tem como dizer o contrário. Ele é um baita compositor, um baita escritor, um baita pai, um baita homem. Citando a Gabriela, again, ela sempre diz que gostaria de ter um Enrique Vila-Matas de estimação. Sem pestanejar, eu gostaria de ter um Chico Buarque de estimação.

É fato: eu ainda não superei a separação de Chico e Marieta. Não consigo não pensar em Chico sem Marieta, ou Marieta sem Chico. Isso faz a música Meu caro amigo perder o sentido. E eu gosto muito dessa musica, não mais do que Beatriz, que foi, salvo engano, feita para ela. Ah, eu fico triste, muito triste, quando penso que não estão mais juntos como marido e esposa. Então, eu finjo que são um casal para sempre! Tá, isso bem bobo, mas faz eu me sentir melhor.

::Chico Buarque – Perfis do Rio, Regina Zappa. Editora Relume Dumará, 1999, Brasil. 197 págs. Esgotado

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4 comentários sobre “Chico Buarque – Perfis do Rio

  1. Achei engraçada a parte do “É arte”: “o Chico todo, né? Não tem como dizer o contrário. Ele é um baita compositor, um baita escritor, um baita pai, um baita homem […] Sem pestanejar, eu gostaria de ter um Chico Buarque de estimação”. Hahahahaha! É impressionante como todas vocês, mulheres, de todas as idades, se derretem pelo homem!

    Mas tudo bem, vai, Chico é Chico mesmo. Eu entendo, juro que entendo. E o perfil parece mesmo muito apetitoso, principalmente depois que a gente lê um texto tão bom quanto esse post. E adorei a foto lá em cima!

  2. E vc acredita que eu nem acho ele bonito? O homem mais lindo do mundo, na minha opinião, é o George Clooney, incomparável. Mas o Chico tem uma coisa… Acho que é uma ternura, não sei. Tenho vontade de pegá-lo no colo, de cuidar dele… sabe aquela pessoa que vc quer ter do lado para curtir um silêncio? Não sei se os homens sentem algo do tipo por alguma mulher. Existe uma “Chica” no universo masculino?

  3. Ah, fala sério, acho que até eu sou obrigado a admitir que o Chico é bonitão! Hehehe. Só ele quer ter aqueles olhos, né? Humpf!

    E o George Clooney é outro que vive arrancando suspiros de vocês, mulheres, né? Pô, mó velhão o cara, vai! Não sei o que vocês veem nele. Humpf! de novo. 🙂

    Fiquei tão na bronca com ele que acho que isso comprometeu minha análise de alguns de seus últimos filmes, hehehe. Tô brincando, vai… Aliás, você assistiu “Boa Noite, Boa Sorte”? Roteiro e direção dele. Muito foda, eu reconheço.

  4. Perfis do Rio é uma das coisas boas que valem a pena ser lidas. E o Chico é muito inteligente, de uma sensibilidade e poesia até para dar entrevista. Boa sorte no projeto!

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