nova arte nova


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Sabe qual é o problema de você começar a estudar a obra de uma grande artista? Você passa a procurar as mesmas qualidades, ou melhor, a mesma consistência em outros artistas — e se decepciona, claro. Você espera que todos tenham uma grande idéia por trás de cada trabalho, haja um zelo no fazer… Enfim, essas coisas que você encontra no trabalho da Regina Silveira, por exemplo.

E, a procura de novos artistas, eu fui ver o tal panorama de arte contemporânea no CCBB, Nova Arte Nova. Mas de novo e de coisa boa nova, ali, deu para contar nos dedos de uma mão. Mas não que os artistas não fossem bons, talvez eles até sejam, mas as obras estão fora do contexto. O que (eu acho) demonstra uma falha na curadoria de Paulo Venâncio Filho. Por exemplo, a geringonça barulhenta de Mariana Manhães (RJ), Liquescente. Exposta no meio de quadros e outras “obras de parede” o trabalho da artista parece apenas uma escultura barulhenta. Quando foi mostrada, porém, no Itaú Cultural, na mostra Futuro do Presente, ao lado de outras “máquinas-obras”, o trabalho dela parecia ter mais sentido. Outro trabalho que parece estar desconexo da mostra é o de Felipe Barbosa — várias casinhas de pombos, com as quais ele homenageia Volpi. Encostado na parede, próximo da passagem que leva para os outros andares, dá a impressão de ser apenas uma peça esquecida num canto — passa quase despercebido.

O que falta, na verdade é uma lógica da exposição, os trabalho estarem ligados por uma linha: por que eles estão ali? Só por que são artistas jovens? É muita pretensão falar que ali esta um panorama da nova arte contemporânea, sendo que falta muito, pra não dizer tudo, de uma vanguarda (será que posso dizer assim?) “super nova” da arte: a “arte digital”. A visita, talvez, valha a pena para quem quer se enfronhar nesse mundo e conhecer alguns dos jovens artistas que serão manchetes nos jornais de amanhã. Mas não ache que isso é o suficiente e, saindo de lá, você terá uma boa noção do que há de novo nas artes contemporâneas brasileiras. As exposições do Itaú Cultural sempre trazem ótimos artistas contemporâneos que estão despontando, as galerias de arte sempre fazem exposições com o que têm de melhor, sem contar as bienais, feiras de arte e outras mostras coletivas que existem por aí. Não adianta, pra conhecer o mínimo das artes visuais no Brasil tem que fazer como um bom jornalista, sujar os sapatos.

É arte: os trabalhos de Marcius Galan (SP) e Marcelo Silveira (PE). O primeiro brinca com o nosso olhar e sentidos com a Seção Diagonal, em que cria a simulação de um vidro — eu mesma passei a mão onde existiria o tal vidro várias vezes. O segundo traz a beleza. Respeitando as formas originais dos pedaços de madeira que encontra, M. S. poliu a matéria prima até ficar bem lisa as colocou em suportes de vidros, que também respeitam suas formas. Ninguém terá duvida que vidro e madeira são materiais que combinam.

obra de marcius galan

obra de marcius galan

obra de marcelo silveira

obra de marcelo silveira

É fato: falta conteúdo nas legendas. Não há o ano que as obras foram feitas nem a cidade ou estado que dos quais os artistas são. Da onde vem e de quando é a nossa arte nova? Eu não lembro de ter visto o ano das obras, idade dos artistas, nem a procedência dos mesmo. Apenas a galeria de cada um. Mas Bruno Teixeira afirma, nos comentários abaixo, que havia, sim, o ano das obras. Feita a retratação.

:: Nova arte nova: Centro Centro Cultural Banco do Brasil, R. Álvares Penteado, 112 – Centro. Telefone: 3113-3651. 3ª/dom 10h/20h. Grátis. Até 05 de Abril.

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17 comentários sobre “nova arte nova

  1. Definitivamente o local, as legendas, o cuidado na exposição das obras faz parte do processo artístico e da condição estética. É preciso observar os bons mandamentos do espaço artístico para valorizar as obras…

  2. A problemática da exposição tem quebrado a cabeça de muita gente… a própria lógica de enfileirar obras parece ter perdido o sentido nessa nossa era de vitrines e exposição generalizada. Ser curador de exposição hoje em dia não é nada fácil!

  3. Eu vi por acaso, esperando um filme.
    Posso dizer que gostei de piucas coisas. E a geringonça barulhenta, ao lado de fotos de animais realmente é deslocada. Mas eu até que gostei – o segurança que odiou, me disse quando encontrei-o de novo lá embaixo.
    E sem legendas é mais complicado entender uma obra. Mas muito me agradou a entrevista com o verde, apesar de ser “longa”.

  4. Ah, sim… falando em lógica de exposição, Vik Muniz fez uma genial no Moma, onde todas as peças tinham algum tipo de ligação, uma coisa linear, um objeto puxando outro, por assim dizer. Porque não tentar isso?

  5. É preciso maturidade para compreender uma mostra tão valiosa e heterogênea como esta, a Nova Arte Nova.
    Nela pode-se perceber um verdadeiro panorama, um grande olhar do curador que debruçou-se por todo o Brasil, escolhendo artistas não por um olhar óbvio como seria o desejo das massas, mas por intenções estéticas muito bem pautadas e ponderadas.

    Devemos agradecer ao Venâncio pela oportunidade de olhar a jovem arte Brasileira sem barreiras, sem tabus.
    Uma grande e heterogea exposição, com Arte com “A” maiúsculo.

  6. Desculpa, Carl. Acho que essa maturidade já tenho. E não é uma exposição heterogênea: a maioria dos artistas são do eixo Rio-SP. Se você quiser ver uma mostra heterogêna de novos artistas brasileiros recomendo a que está em cartaz no Itaú Cultural. Mas como eu disse: “A visita, talvez, valha a pena para quem quer se enfronhar nesse mundo e conhecer alguns dos jovens artistas que serão manchetes nos jornais de amanhã.” Acho iniciativa valida, mas se nomear “nova arte nova” é demais.

  7. A maioria do artistas são do Eixo Rio/SP porque a maioria da produção de arte do brasil vem desse eixo, mas a mostra tem artistas de Marabá, Bahia, Minas, Santa Catarina, Brasilia, Pernambuco, João Pessoa… Acho que ninguem tem essa maturidade, acho que a busca por essa maturidade é que faz pessoas executarem mostras como essa, mostrando sim, sem um padrão que conhecemos e estamos saturados, ainda mais quando comparamos com Vik Muniz, que por si, não expressa o que a Nova Arte tem como objetivo de expressar, Vik é uma cópia de trabalhos já existentes. Nesse ponto a Nova Arte faz o seu papel, inédito…
    A propostio, as legendas tem o ANO da obra sim! Vamos nos ater as críticas reais…

    Abraço a todos

  8. Olá, Bruno. Aqui em São Paulo não tinha. Como disse, acho a iniciativa válida. Mas a mostra não estava boa. Vc foi ao Rumos? Achei aquela muito mais honesta. E outra, o Itaú já faz isso de revelar novo artistas, e nunca se disse: “olha aqui está toda arte nova”. Mas a mostra valeu de alguma coisa: conhecer os trabalhos de Marcius Galan e Marcelo Silveira.

  9. Olá K, Eu sinto informar que tinha sim com certeza o ano da obra na legenda da Nova Arte Nova em São Paulo, afirmo isso por ter em minha posse uma foto da exposição na qual da pra ver o ano da legenda( 2008 ) da obra Suspensão Vertical da artista Joana Traub Cseko, a proposito acho honesta uma palavra equivocada quanto ao que você quis expressar, mas isso é aquela maturidade da qual eu falei no comentario anterior.. O curador nunca disse “Olha aqui esta toda arte nova”, pelo contrario sempre afirmou que era uma mostra mutavel, que tentava traçar um panorama dessa Nova Arte, e cá pra nós 63 artistas?? nunca vi uma exposição no Itau com esse numero… Você viu Cinthia Marcelle? Trabalho que foi elogiado pela Luisa Duarte, você viu Celina e Elisa? Você viu a exposição?
    Acho que você reduziu muito, mas tudo bem, o fato é apoiarmos iniciativas como esta de expor 63 artistas brasileiros sem apelar para nacionalidade, sem querer afirmar que a obras são brasileiras, e exaltar a pluralidade dos meios e técnicas encontrados na exposição.
    Saudações.

  10. Pra mim, quando há excesso não há nada. Só repetindo uma coisa que disse no meu comentário: “Mas não que os artistas não fossem bons, talvez eles até sejam, mas as obras estão fora do contexto. ”
    Talvez ele laçasse um tema para esses artistas desenvolverem um trabalho, e o trabalho tivesse um porquê de estar ali, vc consegueria entendê-lo melhor, e circular melhor pela mostra.
    Eu vi as obras dessas artistas sim, mas não gostei tanto como as dos artistas que destaquei.
    Eu acho, sim, que o itáu faz melhores exposições quando se trata de jovens artistas e arte contemporânea.

    Abraços,

  11. Bom, você esta equivocado de novo, o objetivo da exposição era exatamente não colocar contextos, você poderia saber disso através das entrevistas do Paulo Venancio na Bravo, na Veja, na Folha, mas acho você bem desinformado pra quem pretende ter um blog. Mas a minha critica é você publicar algo que não é verdade, como por exemplo as legendas não terem ano, pois elas tem, e a curadoria não teve a intenção de trazer toda a arte contemporanea brasileira, além do mais isso não é possível… mas críticas e menos ignorancias…
    abraços

  12. eu sabia disso sim. o que reafirma a minha opinião. se as obras não estão dentro de um contexto, isso não é uma exposição é uma feira, um amontoado.

  13. Mas uma vez enganado, a apresentação de contexto para Arte Contemporanea é realmente preocupante, já que um dos sinomimos do contemporaneo é a não apresentação de contexto, a relativização de todo o que já foi empregado… precisas estudar…

  14. Bruno, quem está equivocado agora, desculpe, é você. eu estudo a obra de uma grande artista contemporânea, e faço curso de história da arte…. e todos os bons artistas contemporâneos que conheço se preocupam com o “contexto” em que suas obras estão sendo inseridas ou o “contexto” da própria obra. seja para dialogar com o espaço, transmitir uma idéia, ou fazer uma crítica. abs.

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