enquanto o sol não vem


O ruim de ser seu próprio chefe é não saber quando lhe dar folga. Eu ainda não sei fazer isso muito bem, sou uma chefe muito carrasca comigo mesma. Quase nunca me permito não-trabalhar. Mas hoje, depois de uma entrevista, decidi que me daria duas horas de descanso e iria ao cinema. O filme Enquanto o sol não vem foi indicação do Hugo, e sem saber direito a sinopse entrei na sala escura para viver a vida daquelas personagens. Maior não foi o meu espanto quando notei que, pelo papel de Agnes Jaoui, que também é diretora da comédia, eu estava vivendo minha própria vida (ou o que imagino que será de mim).

Agathe Villanova é uma feminista de destaque na França, sonha em conquistar um lugar de destaque no cenário político do país, e colocou a vida profissional na frente da pessoal. Por conta do enterro de sua mãe, Agathe volta a sua cidade natal onde passará dez dia com a sua irmã Florence (Pascale Arbillot), o cunhado, os sobrinhos e Mimouna (Mimouna Hadji), empregada da família. A presença da feminista desperta o interesse Karim (Jamel Debbouze), aspirante a editor de vídeo e  filho de Mimouna, e de seu amigo Michel Ronsard (Jean-Pierre Bacri). Eles a convidam para participar de uma série de filmes sobre mulheres bem-sucedidas. Essas duas últimas personagens mais Agathe formam o núcleo central da trama. Mas eu não consegui me desprender do papel de Jaoui.

Agathe é daquelas mulheres fortes, defende os direitos iguais entre homens e mulheres, nunca chora e se dedica com afinco em sua carreira. Isso, pra mim, é muito familiar. (Vale lembrar que eu não sou feminista. Acredito na importância dos homens no mundo – quem mataria baratas e consertaria o chuveiro?? Brincadeira, brincadeira.) No entanto, ser assim tem seu preço. Seu namorado a acompanha na viagem, mas cansado de ser deixado lado devido aos seus compromissos profissionais, ele termina o relacionamento. Agathe se mantém firme e prossegue em seus compromissos – sendo a gravação do tal documentário o mais importante. E num daqueles dias em que nada parece dar certo, Ronsard diz a ela: “mulheres também choram”. Isso parece ser o start para que ela tome consciência de que também é humana.

É arte: todas as outras histórias paralelas que acontecem e eu não dei devido destaque.

É fato: fiquei com vontade de assistir aos outros filmes de  Agnes Jaoui, pois dizem que todos seguem a mesma linha.

:: Enquanto o sol não vem: França, 2008. Direção: Agnes Jaoui. Comédia-dramática. 110 min.

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