linha de sombra – regina silveira


Quando era criança, toda noite de lua cheia eu olhava para ela tentando visualizar as pegadas dos tripulantes da Apollo 11. Até dezembro, essas eram as únicas pegadas para as quais eu precisava olhar para cima para tentar visualizar. Quando eu cheguei ao CCBB-RIO, novamente me senti aquela guriazinha de seis anos no quintal: sentei (quase deitei) no chão do hall central do prédio para visualizar as pegadas da obra Irruption – um site specific de Regina Silveira, feito para mostra Regina Silveira: Linha de Sombra.

A exposição é uma retrospectiva da carreira da artista, que por muitos anos explorou os limites da sombra em seus trabalhos. Irruption recebe os visitantes e impõe ao prédio uma sensação fantasmagórica, como se as pegadas das pessoas, que por ali passaram, tivessem sido aprisionadas na rotunda. No primeiro andar, é onde está a maior parte das obras, entre elas, os estudos  preparórios de Regina (e as obras em si)  de In Absentia M. D. , VeloxDesaparências, entre outros. Foi de grande emoção poder ver a maioria das instalações, objetos e gravuras que só tinha visto em reproduções, como a série de gravuras Anamorfas, da dissertação de mestrado de Regina, e Projectio I, que faz parte da série Simulacros, sua dissertação de doutorado. Nesses momentos você entende que Walter Benjamin está certo em sua teroria A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica.

As obras de Regina não só têm a “aura”, como também têm um poder cartártico. A artista trabalha muito com a perspectivas e a questão da representação da imagem. Seus trabalhos brincam com o nosso olhar, criando ilusões e confusões em nossa mente. Imagens bidimensionais se tornam tridimensionais quando encontramos o ponto de fuga; sombras aparecem sem seus referentes ou o referente não é exatamente sua sombra; e sombras fantasmas pousam sobre “inocentes” porcelanas brancas. Em Equinócio, por exenplo, há um jogo de qual seria a imagem real e qual a projetada. A artista cria paradoxos visuais, que ficam claro em Quimera, uma lâmpada que projeta uma enorme sombra. Pra quem não conhece o trabalho da artista essa é uma excelente oportunidade.

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É arte: ver pela terceira vez O paradoxo do Santo e conseguir se emocionar outra vez. A obra está instalada na sala A, no terceiro andar, e  a última obra da mostra.

É arte 2 (atualização): é arte também poder ter duas exposições dessa grande artista ao mesmo tempo. Na Caixa Cultural, na Praça da Sé, em São Paulo, está em cartaz O Olho e o Lugar – Regina Silveira para crianças. Essa mostra é (não sei se posso dizer assim) uma continuação do livro homônimo, de Renata Sant’Anna e Valquíria Prates.

Sobre essa exposição, eu concordo com o que disse Luiz Fukushiro: “Apesar de um tanto monótona, a pequena mostra apresenta os conceitos de perspectiva, característica marcante no trabalho da artista Regina Silveira.” – É bacana também notar como a artista ocupa o bem o espaço arquitetônico.

É fato: não está mais disponível o catálogo da mostra da artista. O CCBB-RIO mandou recolher o catálogo e não tem aqui em São Paulo e nem em lugar algum. Isso não é apenas um fato, é um absurdo.

É fato 2 (atualização): Espaços adaptados são um problema. O pé direito do CCBB-RIO é muito baixo. E dada a grande dimensão de diversos trabalhos da artista, algumas obras pareciam querer estourar o teto de algumas salas em que estavam instaladas.

:: Regina Silveira: Linha de Sombra – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro. De terça a domingo, das 10h às 21h. Até 03 de janeiro de 2009.

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7 comentários sobre “linha de sombra – regina silveira

  1. Que legaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal que você foi para o Rio!!! 🙂

    E aí, seja sincera: mudou a impressão injustamente negativa que tinha da Cidade Maravilhosa? Hein? Hein? 😉

    Eu estou na contagem regressiva por aqui. Em uma semana, já estei lá.

  2. Hahahaha! Como assim você é “muito paulista para mudar de opinião”? E desde quando o fato de ser paulista faz qualquer pessoa ter de odiar o Rio ou não a permite mudar de opinião sobre a cidade?

    Eu sou paulistano, com orgulho, nasci na Avenida Paulista… e amo muito o Rio, ué! 🙂

    (E até gosto um pouquinho de São Paulo, vai! Hehehehe)

    Em tempo: as fotos ficaram lindas, viu?

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