joão luiz musa – fotografias


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Quando entrevistei Cristiano Mascaro para uma reportagem da TV Gazeta, ele comentou sobre uma tendência dos “fotógrafos-artistas” em tirar fotos sem foco. Ao visitar a exposição de João Luiz Musa, lembrei-me disso. Não, as fotos dele não são sem foco, pelo contrário, na maioria ele mantém o foco em tudo, tudinho. Essa característica é notável na sala das fotos coloridas. Foi interessante perceber como o excesso de nitidez causa um embaralhamento e “embaça” a nossa visão. Para observá-las era preciso fazer um esforço para identificar  o primeiro e os demais planos. Em algumas, tudo parecia estar em um plano só, como nos quatros de Tarsila do Amaral – o que parecia estar na frente podia também estar a atrás e vice-versa.

Na outra sala está uma série incrível p&b. Não sei se por causa da impressão ou do papel, mas Musa conseguiu uma atmosfera sombria, fantasmagórica. Paira um silêncio. Tudo parece ter sido registrado numa manhã fria de domingo. Aliás, essas imagens foram feitas em viagem pela Europa durante o inverno. A precisão das tonalidades dá um quê de desenho a essas fotos, que nada mais são do que desenhos de um habilidoso desenhista da luz.

É arte: os dois livros de fotografias dessas séries que foram lançados pela Imprensa Oficial: Um Inverno (texto de Agnaldo Farias, Imprensa Oficial/Edusp) e Fotografias 2005 – 2009 (texto de Bagolin, Imprensa Oficial/Inst. Tomie Ohtake).

É fato: recentemente estão acontecendo excelentes mostras de fotografias.

:: João Musa – Fotografia: Instituto Tomie Ohtake: R. Coropés, 88 – Pinheiros. Tel.: 2245-1900. 3a./dom. 11h/20h. Grátis. Até 9/5

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Um comentário sobre “joão luiz musa – fotografias

  1. Tudo bem Karina?

    Concordo plenamente com você.
    Fui ontem na exposição e precisava comentar, hehe.
    Ele realmente trouxe nas fotos em PB esse isolamento, uma expressão da ausência. Aquela foto em Portugal, de uma escada, dois predões e um senhor subinho não me sai da cabeça.
    E as coloridas exigem mesmo essa procura por diferentes planos, a linguagem é muito apurada e ele, por ser um técnico em impressão em offset, deve ter estudado bem esse contraste.

    Beijos

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