cinema


Cinema é, de fato, a sétima arte pra mim. Eu conheci a literatura, o teatro, as artes plásticas, a música e a dança antes da telona. Acredite, a primeira vez que fui ao cinema devia ter uns 13/14 anos!  Já tinha ido ao teatro, a shows, a “n” exposições e lido “n” livros. Meus pais são super avessos à ideia de ir ao cinema e pagar cerca de R$ 15 para ver um filme que eles podem ver depois, no conforto do lar, pagando apenas R$ 2,40 (valor do aluguel do DVD perto de casa). E eu cresci com essa mesmo pensamento. Ainda vou super pouco comparado aos meus amigos.

Mas as experiências humanas vividas naquele Cinemark-Tamboré na adolescência ficaram mais na memória do que os filmes que vi ali. O primeiro namoradinho, o primeiro beijo, a primeira vez que saí sozinha e sentei no meio da platéia para ver um filme (me senti a guria mais independente da face da Terra. Ter 15 anos e ir ao cinema sozinha não é pra qualquer um). Enfim, foram muitos momentos dignos do clichê: “se aquelas poltronas falassem…”

E são sobre essas experiências vividas nas poltronas que trata a peça Cinema, de Felipe Hirsch. A peça retrata dos acontecimentos mais triviais que acontecem nas salas de projeção aos mais absurdos e fantásticos. Pode ser piração, mas achei que esse texto de Hirsch tem uma forte carga do realismo fantástico do escritor argentino Julio Cortázar. Algumas cenas me faziam lembrar do livro História de Cronópios e de Famas, por mais que não tenha qualquer ligação aparente. Mas acho que senti isso pelo toque de humor que há na peça, que muito me lembrou o estilo do texto de Cortázar. É divertido também tentar identificar os filmes que aqueles espectadores estariam assistindo. Eu só identifiquei Manhatan, de Woody Allen. E você, qual filme identificou?

É arte: Entrou em cartaz, deve fazer umas duas semanas, Insolação, também de Felipe Hirsch. O filme é lindo visualmente falando. Mas sobre o enredo eu não sei muito o que dizer. Parece uma poesia. Tanto de fala, como de rubrica, como de imagem. É um filme de intenções. De personagens com intenções. De uma câmera muito delicada com muitas intenções estéticas interessantes. De verso. Feito da febre que sentimos quando sofremos de insolação. Vale a experiência de assistir e a da poltrona.

É fato: eu prefiro, tanto na vida como na obra de Felipe Hirsch, o teatro. O que eu já vi do diretor no teatro é infinitamente melhor do que seu filme. Mas eu entendo que Insolação tem muito de experimental.

:: Cinema – de Felipe Hirsh. Comédia-Dramática. 90 min. Centro Cultural Fiesp: Av. Paulista, 1.313 – Bela Vista. Tel.: 3146-7405. R$ 10 (qui. e sex.: grátis; retirar ingr. no dia, a partir das 12h na bilheteria). Até 4 de julho.

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