flávio de carvalho


Ou tempo está passando muito rápido ou minha minha vida anda muito corrida e desorganizada – os dois também podem ser verdade. Fui à abertura da exposição Flávio de Carvalho e só consigo escrever hoje, último dia mostra, sobre ela.

Flávio de Carvalho sempre foi um artista que me impressionou muito por conta de sua irreverência. Louvava-o pela audácia de ter realizado a performance do New Look de Verão [foto ao lado]. Imagine, no tempo que um homem só saía na rua de terno, gravata e chapéu, um cara decide inaugurar uma nova moda: em vez da calça, uma saia plissada; no lugar do terno, uma blusa de mangas bufantes. Um look que facilitava a circulação do ar pelo corpo e não deixaria ninguém fritar no calor dos trópicos. Em poucas palavras: Flávio de Carvalho causou!

O artista é considerado o pioneiro do happening e da performance no Brasil. Antes de seu New Look, ele realizou a chamada “experiência no. 1”. Em 1931, numa procissão de Corpus Christi, ele quase foi linchado por caminhar no sentido contrário da procissão e de chapéu (!). Para você ter uma ideia, ainda hoje, no século 21, meu pai, que é adepto do boné em dias de sol, SEMPRE o tira quando passa em frente a uma igreja. SEMPRE! Então, imagine a afronta que os católicos sentiram quando viram aquele homem andando de chapéu no sentido contrário da manifestação religiosa?

Mas, além de performático, o artista também era engenheiro, arquiteto, cenógrafo e pintor. Várias facetas interessantes que podem ser vistas na mostra. Seus quadros tem as cores vibrantes defendidas pelo modernismo. Pinceladas duras e brutas que também estão presentes em seus desenhos e projetos arquitetônicos que preservam um quê da “estética totalitária”, ou seja, projetos monumentais e grandiloqüentes, com linhas retas e homogêneas (geralmente apontando para o céu). Seus cenários e indicações de iluminação também revelam uma influência do  expressionismo alemão. O trabalho plástico de Flávio de Carvalho é como suas performances: de impacto. Vide a série “Minha mãe morrendo” [abaixo],  em que o artista registrou os últimos momentos de sua mãe.

É arte: a série “Minha mãe morrendo”, que não está exposta na mostra mas vale sempre ser lembrada. São nove desenhos e cada sequência o traço do artista vai se esvaindo assim com a vida de sua mãe. É agonizante ver a série. É impossível ficar indiferente ao ver o sofrimento daquela senhora. É Flávio de Carvalho.

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É fato: tem coisas que só acontecem em abertura de exposições e por isso vale tanto a pena ir a algumas vernissages. Nesta, o curador vestiu o New Look de Verão e desfilou pela exposição do criador da peça. Uma excelente homenagem.

:: Flávio de Carvalho – MAM: Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, portão 3 – Parque Ibirapuera – Sul. Tel. 5085-1300. R$ 5,50 (dom.: grátis). 3a./dom. 10h/17h30. Até 13/06.

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2 comentários sobre “flávio de carvalho

  1. ai, eu tô em crise de layout. me deixa! hahaha… alguma coisa na minha vida tem que passar por mudanças, não? hahaha!

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